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Dores

Geraldo está com câncer, quando um caroço surgiu debaixo do braço procurou um médico que o extirpou, mas apareceu outro , agora que esteve lá na empresa atrás de documentos para a aposentadoria, conta para o Humberto que já não aguenta mais a quimioterapia, o irmão até veio do Nordeste para se despedir.
Geraldo trabalhou muitos anos com a gente como eletricista, não era bom tecnicamente , mas sempre disposto, era um dos quais eu podia contar nos inúmeros serões organizados para dar conta do cronograma da OAS.
O corpo do João Santana foi encontrado numa valeta nos idos de 2014, o Mosquito (ex-eletricista aqui) foi quem contou ao Humberto. Tinha escutado algo sobre ele , estava com alzheimer e numa noite de chuva sumiu de casa. Tanta coisa e me esqueci de saber como a história tinha acabado.
Era o melhor dos encarregados de hidráulica, tecnicamente bastante respeitado ,ainda tinha uma grande capacidade gerencial incomum pra gente que pouco sentou nos bancos da escola e aprendeu o ofício praticando na obra .
Era o braço direito do Luiz Gonzaga, mestre geral de instalações de grandes obras da cidade, formado na CIT (a maior instaladora que Brasilia já teve). Estilo crítico apurado,  humor afiado, até hoje recito algumas de suas frases feitas.
Terminada a construção da sede do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), ficou de supervisor geral de manutenção das instalações hidrosanitarias e incêndio. Cargo que ocupou até o dia em que teve de se afastar , vítima de depressão profunda pela perda da companheira .
Jailton acabou sendo levado pelos irmãos de volta à Pernambuco. Anos lutando contra a depressão, sujeito a dolorosas recaídas, teve de ser afastado do convívio da mulher e filhos.
Devo a ele toda a nossa organização em torno do PBQPH e ISO. Autodidata , a facilidade com que lidava com os softwares da Microsoft era extraordinária. Não faltaram amigos a lhe oferecer bons empregos na sua área de trabalho. Começava…mas sempre chegava o dia em que simplesmente desaparecia.

Marta , secretária da Câmara Colombiana da Construção, esperava para “_gerações futuras…” a expurgação da fama que cidades como Medellin ainda têm. 
“…Medellin…”
“…a cidade do que mesmo? ”
“…Ah lembrei !”
“…Do Atlético de Medellin,”
“…Graaaaande Atlético de Medellin.”

Japão x Brasil

No grupo de WhatsApp da diretoria, o Marcelo, nosso assessor parlamentar , demonstra sua curiosidade acerca da forma assertiva com que os japoneses resolvem as situações de stress proporcionadas pela natureza . 

Lembro aqui da reconstrução em dias de um trecho bastante danificado de rodovia por ocasião do tsunami de 2011.O mote para a indagação do Marcelo foi a  pronta intervenção na cratera aberta num  cruzamento rodoviário  importante na cidade de Fukuoka.

Bem mais que engenharia, o que me parece saltar os olhos é a determinação que têm para enfrentar tais adversidades….e a confiança em  solvê-las – como bem frisado pelo amigo João Carlos . 

Quem de nós nunca viu algum filme sobre o Japão no qual se mostra crianças  saindo organizadamente  da escola em treinamentos que replicam situações de terremoto? 

O que está muito claro para todos lá , é que fatalidades acontecem e para que os efeitos negativos sejam os menores possíveis ,todo um aparato preventivo deve ter sido bem desenvolvido ,e outro corretivo estará à disposição (confiança) sempre que for necessário acionar . 

Todos estes fatores  puderam ser notados  no pouco que a imprensa nos disponibilizou acerca do ocorrido. 

  • Os prédios ao lado das vias aparentemente não sofreram abalo algum, pois as fundações e contenções estão projetadas, e são conformemente executadas, para evitar efeitos de sismos bem mais impactantes.
  • Fatalidades acontecem lá também, todavia a disponibilização de projetos e cadastros atualizados , permitiu que a recomposição das redes tenha sido feita de forma ágil, de forma a liberar o quanto antes as equipes para o trabalho  premente, o fechamento da cratera…
  • Que foi realizado rapidamente em virtude da utilização de tecnologia apropriada e equipamentos modernos, disponíveis à tempo e à hora . Aqui cabe um parênteses, tanto uma coisa quanto quanto outra podem estar disponíveis, em maior ou menor grau de avanço tecnológico,em países como o nosso , a ressalva apenas fica quanto ao atendimento do binômio “à tempo e à hora” por parte dos envolvidos .
  • Certamente não deve ter sido uma obra barata , mas presumisse que a entidade pública responsável pela solução do problema, a prefeitura apenas, tenha meios e liberdade para atuar ,em primeiro lugar em prol da população, e só depois cuidar dos devidos esclarecimentos a quem de direito (confiança).

Só lá no Japão? 

No post https://paraconstruir.wordpress.com/2016/10/09/soul-alma-de-cidadao/ , tratamos da experiência da construtora Habitar , de Brasília, em resolver um misto de exigência da administração pública e  barreira técnica, ambos não computados  à  época do estudo de viabilidade do empreendimento, através da aplicação de engenharia pura e de alta qualidade. 
Em menor grau de exigências ,todos os fatores citados no exemplo japonês estavam presentes , e cá como lá foram tratados por equipe técnica especializada , que dispunha de recursos de tecnologia e financeiros para dar prosseguimento à melhor solução para a empresa , proprietários dos imóveis e população em geral (a solução era a que menos causava impacto ambiental). 

A diferença significativa entre os dois casos é o fato do último  ter envolvido apenas  atores do setor privado. Talvez seja este o maior desafio do poder público, reassumir , no que tange às necessárias obras de infraestrutura , o papel de coordenador técnico e financeiro capaz . Papel bem cumprido até há poucas décadas atrás.

P.S Informa o boletim massa cinzenta nº 04 de novembro 2016 da Cimento Itambé, que um túnel de cerca de 33 km no Tibete foi escolhida melhor obra do tipo em 2015. No mesmo concurso, o prêmio de inovação tecnológica foi dado ao túnel da linha 04 do metrô do Rio.

Los carpinteros

Cercado pelas necessidades da industrialização dos processos ,por um lado, e da redução dos impactos ao meio ambiente ,de outro , a construção civil foi aos poucos perdendo o último artista que lhe restava, o marceneiro. 
De resto, sua presença nos canteiros representava o último bastião em termos de atenção a rigores de medidas e domínio de rudimentos técnicos mais complexos…A madeira bruta , mesmo entregue “morta” no canteiro ,nunca pára de trabalhar, portanto, “melhor” mesmo que já chegue pronta e padronizada.

O misto de desencanto e nostalgia expressado acima, me vem à mente por ocasião da visita à exposição “Objeto Vital Los Carpinteros” , em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília até o dia 15 de janeiro de 217.

Trata-se de grupo Cubano, criado nos idos de 1990 , que usa o sobre-talento no ofício para se expressar de forma magnífica.

Na exposição pode se observar a evolução do processo criativo ; numa primeira fase o ofício de carpinteiro propriamente dito , belas obras esculpidas em madeira bruta . Na segunda  paralelos intrigantes , engraçadas até,envolvendo os “bens” produzidos pela  indústria da construção e as necessidades básicas do dia a dia do cidadão, concreto x bolo de nozes , arranha céu x estante, viaduto x cama.  

Em época de tantas indagações acerca do futuro de nossa cidade, Los carpinteiros apresenta , na forma de barraca de camping, a infraestrutura básica, essencial, para a existência de uma (que pode até ser transportável); edifício de apartamentos, construção militar,igreja, universidade,hospital,prisão, fábrica, capitólio , farol e armazém.

Difícil pensar em desenvolvimento urbano sem obras e ,portanto , sem danos ao ambiente, mas uma exposição como esta humaniza nossa intenção. De certa maneira, o que construímos pode ser tão essencial quanto o que comemos , lemos ou onde descansamos, o que não nos dá o direito de abrirmos indiscriminadamente crateras na terra para construir prédios que deixam sombras suspeitas. 

P.S Há ainda uma terceira fase, mas aí…vale mesmo a visita e a contemplação de todo o trabalho de perto .

15 anos de parceria.

Assistindo a um filme como “Snowden”, é que posso ter  claro o quão  longe estou dos avanços alcançados pelo advento da tecnologia da informação .

Por isto que sempre procurei ver meu papel à frente de comissões técnicas mais como propagador da boa qualidade, do fazer bem feito…Nisto sim , tanto eu quanto a empresa em que trabalho sempre nos esmeramos …e conseguimos obter.

Quando comecei a me envolver com a comissão de tecnologia do sindicato, coisa de 15 anoa atrás, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) , difundia a Comunidade da Construção, uma tentativa de juntar diversos segmentos da cadeia em torno das melhores práticas na execução de sistemas construtivos à base de cimento. Lembro que muita gente me alertava sobre o real interesse por traz deste tipo de iniciativa…o de vender mais cimento.

Até que compreendi que não havia nada de errado no fato deles tentarem  vender mais cimento. Notadamente se procuravam ensinar a  aplicar melhor ,os produtos e sistemas à base do insumo mais utilizado na construção civil. 

Desde então  muitas parcerias aconteceram, todas de interesse exclusivo do setor. A construção civil brasileira estaria muito melhor hoje , 15 anos depois, se parcerias similares a da comunidade da construção proliferassem , de forma a nos ajudar na tentativa de transformar o estado das coisas no setor.

A Villela e Carvalho,uma das construtoras que mais cooperam  na disseminação dos projetos da comissão, nos convida a realizar a reunião mensal no auditório do empreendimento recém inaugurado . Na pauta ,algumas das soluções tecnológicas adotadas na obra para resolver desafios como a contenção do solo e o desempenho acústico . 

A Cândida , responsável pelo projeto de acústica do empreendimento, nos informa que  sua empresa agora também produz as divisórias ou soluções acústicas necessárias para atender as exigências das normas de desempenho e acústica. Um bom exemplo de empreendedorismo que se mostra vencedor em meio à crise econômica por qual passamos , e com foco irrestrito na qualidade técnica.

Lander, diretor geral da Villela , cuida de, com a reverência apropriada, apresentar aos presentes a equipe envolvida na conquista do desafio, dos projetistas aos engenheiros de campo, não descuidando dos estagiários. Cada um com sua atribuição….mais harmônico com os preceitos da norma de desempenho impossível. 

Ao término, me confidencia que os tempos estão duros para a empresa, retruco perguntando a ele sobre as tantas que sucumbiram. Estou seguro que a deles enquadra-se em 100% no tal binômio “ética e competitividade” , “…que deverá ser seguido pelas construtoras que sobreviverão nos novos tempos”, de acordo com o presidente da Cbic, José Carlos Martins.

No evento sobre norma de desempenho aplicada a projetos,  o presidente do Sinduscon DF, Luiz Carlos Botelho , no momento em que agradece a homenagem recebida pela entidade por parte da ABCP -que completa 80 anos de existência- relembra do tempo em que o conhecimento era difundido unicamente através do quadro negro. Na sua palestra o arquiteto Marcio Luongo, da Rubio e Luongo associados, apresenta as inúmeras fontes de onde beberam durante o processo de adequação do escritório aos preceitos da norma de desempenho…Ele  parece ter compreendido melhor que eu  a passagem do tempo desde o quadro negro até os dias dos drones… 

De minha parte me realizo em trazer mais um para o grupo …Ligar as pontas tem tudo a ver com a história de “cadeia”.

Tecnoconstruccion 2016- conclusão.

Alejandro recentemente concluiu o ciclo de mestrado e doutorado na UnB…mundo pequeno, compartilhamos alguns amigos…No dia seguinte à minha apresentação ele vem externar sua preocupação com o atraso dos colombianos em relação à implementação de normas técnicas ; enquanto esteve no Brasil debruçou-se sobre a Norma de desempenho e a vê como oportunidade de melhoria do setor…

Sinto-me aliviado pois temi que minha mensagem não teria chegado à ninguém…ao menos pra ele… 

Havia inclusive um trecho na palestra em que eu enfatizava o fato de, terminado o ciclo virtuoso da construção no Brasil, o dry wall não ter retornado ao limbo justamente porque atende bem ao parâmetro desempenho acústico da ABNT-NBR 15575.

A colega colombiana mostra todas as utilidades do concreto de hoje ; permeável, multicor, auto-adensável e os mega resistentes. Do laboratório para a prática o campo de teste é o maior arranha céu da Colômbia …

Muita coisa interessante, mas o uso acaba permanecendo restrito; o mega resistente no prédio mais alto e o permeável na casa , de certo, do dono.

Não se sai dos nichos com as inovações…externei  ao colega chileno minha preocupação com o fato das novidades implementadas na viabilização dos estádios brasileiros “micarem”, como a maioria das arenas.

A 3 mil metros de altitude aprecio o contraste de altura entre o tal arranha céu colombiano e as construções baixas de quase toda a Bogotá que vislumbro, muitas históricas e em mal estado de conservação (nada precário quanto boa parte dos centros históricos brasileiros).

Em todas as apresentações do seminário, a preocupação com preservação e sustentabilidade…talvez seja a única tábua para salvação do setor, além do respeito à norma técnica. Difícil preservar e ser sustentável construindo como construímos, portanto ,cada vez mais as leis cobrarão melhorias por parte do setor…

Fico mais entusiasmado quando escuto palestras de arquitetos, têm formação mais humanista e são mais cultos que os engenheiros, de forma geral , isto pesa… 

Quando dão as coordenadas dos empreendimentos, caso do escritório espanhol responsável pelo projeto do novo estádio do Atlético de Bilbao, estes-os empreendimentos-se transformam em algo bem mais envolvente e interativo…
Pena que em boa parte das vezes estes escritórios diferenciados prestam serviços justamente a quem constroi as torres de Babel…Caso dos endinheirados árabes que sempre são um dos primeiros a testar novidades …

No seminário também está presente a vice presidente da empresa chinesa que mais construiu em 3D até hoje…Sempre que escuto algo em relação ao sistema , a mensagem está relacionada à sua utilização na redução do deficit habitacional mundial, notadamente em regiões miseráveis,mas lá está o chinês construindo quiosques turísticos em Dubai…
Fora toda esta filosofia, tiro algo para meu proveito particular nestes seminários…

No caso , a colega colombiana que tratou das coberturas frias acabou me abrindo os olhos quanto a dificuldade em adotar o teto verde lá em casa, mais apropriado ,ainda, para condomínios que podem arcar com os custos da manutenção, pois está claro que há uma série de cuidados a tomar além do plantio propriamente dito.

Tentarei a tal manta refletiva manta refletiva pra minorar o calorão , que aumenta a cada ano, lá em casa…

Com 240 ml será o maior de Colômbia, até 2018, quando surge outro de 268ml.

Tecnoconstruccion 2016- Lonely Planet

Me pergunto ,toda a vez que folheio um guia de viagens ,como conseguem resumir em poucas páginas a experiência vivida num curto espaço de tempo , de forma a serem justos com a cidade visitada e éticos com quem deseja conhece-la.

Arrisco uma receita ; observação constante, conversa com gente que goste da cidade e solidão. A solidão é importante para que se possa analisar com calma tudo o que observou e ouviu para então decidir sobre o que irá escrever. O guia, como todo o livro ,precisa ser autoral. 

A primeira impressão que tive no trajeto para o hotel é a de que Cali na Colômbia , 3 milhões de habitantes segundo o taxista,é uma cidade limpa, constatação que seria comprovada no decorrer de outros trajetos da estadia . 

A bem da verdade este será um traço marcante … 

A cidade é cortada pelo rio Cali, ladeado em todo percurso por densa mata verde, suas águas são transparentes e, de acordo com Alessandra, a gerente da Camacol (Câmara colombiana da construção) nele pesca-se, e encontra-se, peixes…

Há praças , bem verdes também , espalhadas por vários pontos ; numa chama a atenção gigantesca escultura de uma gata , acompanhada de 19 outras , coloridas, seus filhotes, cada uma criada por artista plástico diferente…

Outra homenageia com nome e escultura um cão da raça pastor alemão, que por mais de uma década por lá passeou acompanhado do dono. 

Nos lugares onde comi ,alguma uma iguaria relacionada à banana ,ou ao plátano ,acompanhava o prato; seja na forma natural , transformada em tortilha , envolvendo ou cobrindo algum outro ingrediente. Os ricos ingredientes regionais , abundantes num país tropical, são bastante adotados na cozinha e o gosto por fritura, condimentos e açúcar, maior riqueza econômica da região, parece ser disseminado…
Come-se , e bebe-se,bem , barato e diversificado , em bares e restaurantes anunciados em placas coloridas de neon, que invadem calçadas e quase inundam as ruas…

O clima quente leva o povo para fora de casa e enche as quadras públicas de esporte, inclusive parques aquáticos, como o que estacionamos em frente para tomar um Chollado; refresco típico à base de salada de frutas , gelo raspado , leite condensado e geleia de uma fruta típica vermelha …vale à pena .

Um ponto alto da cidade é contemplá-la de algum de seus pontos altos , afinal está na beira da cordilheira dos Andes. O mais alto dos pontos é o Cristo Rei, bem parecido com o brasileiro, mas 13 metros mais baixo, o pé esquerdo à frente do direito, coroado e construído em Cali na década de 1950. 
Falei das características necessárias que se deve ter para se escrever um guia , mas faltou conhecimentos gerais sobre o país e domínio de alguma língua estrangeira . No caso , sabendo que o povo ama o esporte , compreende-se a horda de ciclistas por quais passamos rumo ao Cristo.
Como qualquer cidade , notadamente as da América Latina , Cali tem seu cinturão de pobreza, muitos moram justo nestes pontos altos , onde ônibus não chega , a salvação é uma espécie de jipe furgão , que carrega o povo ao estilo pau de arara. São multados? Sim, me conta o taxista, que viveu 12 anos em Madrid e outros 12 em Nova York, mas fazer o que ? Pergunta ele , eu e certamente o prefeito…
O trânsito, a despeito das 500 mil motocicletas, parece organizado, estas inclusive contam com faixa exclusiva em muitas das vias. Bogotá, no início deste milênio começou a transformar sua fama de insegura e perigosa quando investiu fundo em mobilidade urbana , Cali seguiu o exemplo ,e centenas de “Bus”, nosso BRT, rodam para todo o lado…

Uma última menção sobre mobilidade urbana…Ao mergulharmos num túnel subterrâneo , Alessandra , nos conta que a solução viária foi adotada para que o trecho original da via desse lugar a um parque. Até então pensava que só Detroit nos Estados Unidos e uma destas cidades que sempre aparecem no ranking das melhores para se viver haviam adotado esta medida radical.
Na mesa do restaurante, a colega chinesa se confunde ao perguntar sobre o ritmo que deu fama à cidade, a salsa…não fosse o lonely planet não teria sabido como responde-la.
Na última noite, animado com toda a cena visitada, pergunto à Marta , assessora que nos ciceroneia, quando o cartel de Cali deixou de exercer influência sobre a cidade…há dez anos, responde, mas lamenta o fato de terem de conviver com a fama por gerações ainda …
Fosse eu não me preocuparia, gente que homenageia bicho com estátua e nome de praça é que merece nosso respeito .

Tecnoconstruccion 2016- Atletic de Bilbao

A cidade de Bilbao na Espanha tem como marco de sua revitalização a construção do museu Gughenhein em área portuária e industrial outrora degradada. No lugar de uma fonte onde água jorrava pela boca de um peixe , surgiu uma Mobi Dick  de aço criada pelo gênio de Frank Gery.

O estádio San Mames , casa do Atlético de Bilbao, fica na mesma região, recordo-me, enquanto o arquiteto espanhol Cesar Azcárate palestra, de ter visto as placas indicativas por ocasião de visita que fiz à cidade. 

Quando o clube tradicional lançou a concorrência da construção do novo estádio,  no mesmo local do anterior, uma das exigências era a de que as obras não impedissem o time basco de continuar mandando seus jogos no campo que seria demolido , condição definitiva para que mantivesse o tabu de , juntamente com Barcelona e Real Madrid, nunca ter sido rebaixado à segunda divisão.
As fotos demonstrativas da sequência das obras são impactantes . Aos poucos as arquibancadas do estádio antigo vão sendo engolidas pela “boca” do novo.

O respeito à tradição do clube, do local revitalizado e da cidade é apresentada  em detalhes; estruturas da cobertura que imitam a forma dos guindastes do antigo porto, as velas retorcidas das fachadas , do mesmo material da cobertura, como se fossem as dos barcos que no rio navegavam , fachadas iluminadas por painéis de leds que imitam as cores do clube e que ligadas , consomem  38 euros por partida…

 Não há dúvidas que o objetivo foi cumprido, de quebra ,o estádio é o primeiro da Europa a receber o selo Leed de sustentabilidade.

No dia anterior à palestra do arquiteto, o companheiro da Câmara Chilena da Construção me perguntou sobre o legado da construção de tantos estádios no país por ocasião da copa do mundo…acho  que nenhum, seja pela recessão econômica, que chegou logo depois, seja pelos reflexos da operação lava jato , que atingiu a maioria das construtoras que tocaram as obras…
Embora à época ,nossa empresa mesmo , conseguiu viabilizar soluções construtivas competitivas em  obras que realizava graças a equipamentos trazidos para o Brasil para atenderem demanda relacionadas aos estádios. Boa parte deles já foram devolvidos ao país de origem e os que aqui ficaram , foi por que o frete não justificava o esforço e devem estar estocado em algum depósito da cidade de São Paulo.
Finda palestra, o amigo Chileno agora pergunta se os arquitetos que projetaram os estádios para a copa eram brasileiros….

Lembro-me de ter lido uma entrevista na TECHNE com o arquiteto que projetou o novo estádio da cidade, explicou que os pilares que circundam, e apoiam, a estrutura, seria uma homenagem aos utilizados nos palácios da capital por Niemeyer…

Particularmente , nunca consegui enxergar a boa vontade do arquiteto com aquele que desenhou Brasilia…

No caso do Brasil, faltou interpretar e conhecer