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Meu conselho.

No almoço de confraternização tomo conhecimento de três casos de câncer entre os amigos , todos debelados , ou ao menos contidos.

Em todos os casos a participação decisiva de algum especialista. A evolução da medicina nas últimas décadas deve-se muito a este rearranjo na profissão.

O estudante de engenharia de uma faculdade particular me solicita ajuda para entrar no mercado profissional como estagiário ou trainee. Lamenta que envia a tempos o currículo para uma gama de empresas e é preterido por não possuir referências .

Conto pra ele que a situação do nosso mercado ainda é crítica e se não surge a oportunidade é porque não há obras .

Tamanho é o interesse dele na engenharia, que está disposto a largar o emprego em TI , com o qual sustenta a família, e viver do colchão de economias na eventualidade de ser contratado.

Procuro convencê-lo a utilizar seus dotes em informática e aproveitar o ano que resta na faculdade especializando-se ainda mais em BIM, inovação com a qual já travou contato inicial em curso introdutório e afirma ter gostado.

Difícil crer , mas o movimento de especialização ocorrido há décadas na medicina já chegou na engenharia. Cada vez mais o engenheiro de obras atua como clínico geral , cabendo a consultores de diversas áreas a tarefa de assessorá-lo nas inúmeras demandas do dia a dia.

Mais que isto , inovações como o BIM têm o dom de potencializar o conteúdo adquirido em determinada especialidade .Por exemplo, a que nível de qualidade pode chegar uma planilha produzida por um orçamentista que domina o BIM ?

Um currículo que contenha meramente o histórico da formação básica pouco eleva as chances de contratação do profissional, mas se contém especializações consequentes e condizentes com as necessidades do mercado a situação muda de figura e então, um iniciante no mercado que tenha vindo de uma escola particular sem maiores referências, mas que já trabalha há anos com certa especialidade , notadamente uma que no caso da construção influi bastante nos ganhos de produtividade, pode interessar muito mais a uma empresa envolvida num projeto que da inovação necessite do que um outro ,que embora venha de escola de qualidade superior pouco domina a matéria de interesse e necessitaria de tempo de treinamento para seu domínio.

Nada exclui porém a importância da boa formação acadêmica para o profissional que almeja exercer com competência e qualidade a profissão que abraça, neste sentido eu como pai ficaria bastante preocupado com o grau de comprometimento com a qualidade do ensino de uma universidade que demitisse de uma vez 1200 docentes de seu quadro de funcionários .

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Adeus Amianto.

Em Brasília, as casas 🏠 que o cidadão financiava pela SHIS no início da década de 1970 tinham a cara daquelas que desenhávamos na escola , porta , janelinha e a cobertura no formato de um V de cabeça pra baixo e pernas esparramadas .

As telhas eram de amianto, naquela época no meio do ano de fato se sentia frio e no final chovia bastante , não fazia o calorão de hoje em dia .

O tempo , cronológico e o da natureza , foi cuidando de dar fim num tipo de telha que ao frigir dos ovos só teve a seu favor a produtividade na instalação ,decorrência da leveza do material e a capacidade de cobrir trechos longos com poucos pontos de apoio , o que barateava a cobertura ,pois economizava muita madeira.

Trunfo por um lado, a fragilidade do material contribuiu para causar graves acidentes domésticos, ligados na maioria das vezes à necessidade de manutenção recorrente e a chegada da Televisão, pois junto dela vinha a antena. Nunca esqueço do dia em que vi minha tia despencando na sala como um meteorito porque resolveu brincar de esconde-esconde no telhado.

No PMCMV a fachada das casas não mudou tanto , mas ao menos as telhas são de cerâmica, o que dá ao morador mais condições de enfrentar o desconforto térmico causado por um clima que a cada ano quebra o recorde de temperatura máxima.

Se para o caso da caixa de água a evolução da tecnologia deu conta ,com a chegada das caixas de fibra , de escantear a similar de amianto , no caso da cobertura a propalação do potencial risco cancerígeno do produto contribuiu com a derrocada.

No último dia 30 deste mês o STF pôs fim à pendenga que já durava mais de 20 anos ao declarar ,segundo o Valor Econômico, “inconstitucional o artigo 2º da Lei federal nº 9.055, de 1995. O dispositivo permitia a extração, industrialização, comercialização e distribuição do produto” .

Dois dias antes o principal fabricante deste tipo de telha , de certo já prenunciando que não teria mesmo chance na suprema corte , anunciou que até o final de 2018 terá substituído por completo a fibra de amianto na composição de suas telhas  pelo propileno.

Sábia decisão ,embora que tardia…

Startups e Construção Civil.

Vai chegando outubro e aumenta a tensão. 

Até quatro anos atrás como que quadro na parede , o condicionador de ar do quarto agora segue a rotina do horário de verão, 1/3 do ano minimizando os impactos dos recordes quebrados anualmente pelas altas temperaturas.

A esposa é calorenta e o marido chega a usar meias. A 22 graus demora a esfriar, já a 20 dorme-se de blusa mesmo sentido calor, pois no meio da noite acordarão com frio. 

Tivessem sensores junto à cama, que captassem a temperatura de lá e enviassem sinais para o equipamento ir variando a temperatura , o sonho seria mais tranquilo.

Uma das seis startups convidadas a mostrar seu trabalho na reunião da Comat CBIC na sexta feira passada lida com ventilação inteligente, em resumo, uma série de sensores em locais determinados do ambiente controlam a vazão e a qualidade do ar lançado pelo aparelho. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 7 milhões morrem todo o ano devido à poluição do ar , destas , 4,5 milhões por causa do inalado em ambientes internos , onde a população urbana passa , em média, 90% do seu dia ! 

Relevante ou não o trabalho destes jovens empreendedores?

Apareceram soluções para assentamento racional e seguro de grandes placas na fachada, construção na forma de lego , uso de drones , impressão de casa em 3 D e até banheiro que gira em360°, interessante para pequenos espaços.

O movimento de startups hoje em dia no Brasil é tão intenso que até mesmo um setor tradicionalista como o nosso , e atolado numa crise medonha que inviabiliza investimento , já conta com centenas, talvez milhares, destas microempresas orbitando em redor. 

Para você que combina com o tal perfil tradicional e por isto acha que este tema não lhe interessa ,saiba que há uma startup que inseriu 70 sensores numa betoneira, certamente porque o idealizador reconhece que cada betonada de concreto ou argamassa é como gêmeo, podem ser  parecidas , mas cada uma tem sua singularidade , o que interfere sobremaneira na qualidade da obra.

Aonde dará esta onda não sabemos , mas uma coisa é certa , não precisa ser engenheiro civil para se envolver no negócio da construção.

Muito se questiona o padrão de qualidade das faculdades de engenharia criadas nos últimos anos . É possível que o envolvimento dos alunos em startups , o que sempre exige  mais estudo e conhecimento aplicado, contribua para sua melhor adaptação ao mercado de trabalho .

O prato pode ser tradicional, mas a cozinha é inovadora.

Missão BIM – II

No Brasil normalmente aplicada quando o assunto é o combate a ilícitos , a palavra Transparência na construção civil possui  sentido bem mais amplo no Reino Unido.

Durante a missão técnica BIM , em diversas  ocasiões ouvimos falar de sua utilização no trato com o cidadão . O poder público utiliza o BIM para enriquecer os encontros com a sociedade , quando vai  tratar dos impactos das obras em determinada vizinhança . O desenho dinâmico, interativo  e em três dimensões enriquece os encontros com a comunidade, facilitando o entendimento dos leigos.

Importante frisar que esta prestação de contas  já acontecia bem antes do advento do BIM , mas não resta dúvidas que assistir a um filme causa  mais impacto e interesse do que as tecnicidades  de uma palestra.

Enquanto disseminadores desta inovação,  tomamos o cuidado de pontuar as inúmeras (infinitas, talvez) potencialidades do BIM , até mesmo para sensibilizar o construtor de que o BIM não é só desenho…

Mas é muito desenho , só que o exemplo britânico mostra que não precisamos nos bitolar e restringi-lo à etapa do projeto. O caso descrito apresenta o uso do BIM ainda na fase de viabilidade , já que  críticas e sugestões da sociedade, eventualmente acatadas,  exigirão alterações de projeto e orçamento.

O metrô de Londres usa o BIM para  mostrar   semanalmente aos motoristas de ônibus os impactos causados pela evolução das obras da gigantesca linha Elizabeth sobre suas linhas.

O rosto de alívio e satisfação do diretor responsável pelas obras por não precisar escutar reclamações de motoristas , pegos de surpresa numa segunda-feira qualquer por conta da expansão, nos dá a entender ter valido a pena o investimento na inovação. 

Lá na comunidade grega os projetos da implantação da nova sede ficaram prontos, mas em 2 D , portanto, não dá para prever o grau de dificuldade que terei para explicá-los aos associados…

Talvez seja o momento ideal para investir no BIM. 

Embora que na época dessa obra ainda não se falasse em BIM.

Missão BIM 

Antigamente era como um ritual fazer a refeição e aguardar o início da projeção do único filme que passaria durante todo o voo intercontinental. Hoje dispomos de tela individual e minúscula …a cada ano  repleta de mais recursos e opções e menos interessante.Paradoxalmente a própria tecnologia oferece a solução , baixar antes o filme de interesse e levar um computador à tiracolo. 

Durante a missão técnica organizada para conhecer a política pública do Reino Unido de implementação do BIM para contratação de serviços , em andamento desde 2009, o esforço dos cicerones é demonstrar como uma tecnologia custosa e exigente pode ser efetivada em nível nacional ,desde que haja um direcionamento claro do governo e sejam oferecidas condições de acessos mínimas aos interessados em utilizá-la. 

No Reino Unido ,assim como no Brasil ,mais de 90% das empresas da construção são de pequeno porte , com até dez funcionários, portanto , sem condições de cometer os mesmos erros e barbeiragens da fabricante de avião sob pena de falirem.Daí a importância de se utilizar com responsabilidade e conhecimento os avanços da tecnologia. 

Para quem procura utilizar o atraso tecnológico do setor como barreira , um dos casos apresentados foi justamente o de uma construtora fundada em 1773!

Provavelmente uma das que escavaram manualmente o buraco para a construção do metrô londrino, mais antigo do mundo e datado de 1860, hoje , uma das maiores da do mundo , tem avançado muito em termos de ambiente digital, ou seja , no seu caso o BIM serviu meramente de porta de entrada . 

Mas o BIM pode auxiliar mais ainda os pequenos e o escritório de arquitetura demonstra em gráfico ,com os valores monetários explicitados, que o investimento constante em treinamento resultou num crescimento exponencial do faturamento e o número de arquitetos empregados passou de seis para vinte nos últimos anos .

A expansão bilionária do metrô londrino , 15 bilhões de libras, só pôde ser autorizada quando aprovou-se a utilização do BIM para o gerenciamento do projeto. Há cerca de um ano da inauguração impressiona a qualidade alcançada em termos de execução e controle de projetos e dados e mesmo no canteiro há exemplos de detalhes construtivos viabilizados pelo uso da tecnologia, o que não impediu que a obra gigantesca cumprisse seu papel social empregando ainda hoje mais de 1000 operários, boa parte imigrantes . 

Exemplos de implantação com resultados positivos já existem também no nosso país e cabe às entidades interessadas na disseminação da tecnologia torná-la aqui acessível, abrangente e democrática e não um nicho de interesse de poucos ilustrados .

Zakynthos 

Meu tio está preocupado com a doença que teima em assolar suas oliveiras nos últimos quatro anos . Vinda da Espanha, seca as pontas dos galhos, justo onde brotam as azeitonas, não permitindo o surgimento do fruto.Meu pai lhe recomenda que utilize o veneno que os demais agricultores vêm lançando , aparentemente com bons resultados, mas meu tio , produtor orgânico, ainda resiste.

No rosto do prático e do tradicionalista a mesma preocupação…a demora pode minar de vez o já parco lucro do agricultor na venda do produto que é o símbolo do país.

Não são só as doenças que caminham rápido …sem dar tempo para o homem que sempre contou com os rudimentos de sua relação com a terra de encontrar uma barreira natural para a mazela.

Uma vizinha de infância de meu pai conta que o filho, motorista de betoneira, tem chegado do trabalho tarde da noite ultimamente . A ilha nunca esteve tão cheia como agora e o turismo ,que sempre ajudou a Grécia, Zakynthos em especial, continua cumprindo seu papel.Normal que que se corra agora ,no inverno, para que mais obras fiquem prontas para o verão de 2018.

Os turistas já não se contentam mais só com os banhos no azulado mar jônico. Agora começam a ocupar as montanhas, até então maculadas apenas pelos incêndios de verão , e derrubam as florestas de pinheiros, que de tão belas mereceram menção de Ulisses na sua Odisseia, para a construção de Villas.

Rumo à casa, meu tio comenta que parte das terras que circundam a capital da ilha fora oferecida ao meu avô na sua volta dos Estados Unidos, para onde emigrara no início do século passado, e que este recusara a oferta por entender que deveria formar sua família no local onde nascera. Meu pai concorda , meu tio pontua que quem pensou diferente ficou rico. 

O progresso e seus desígnios…nestas terras não há mais oliveiras , apenas estabelecimentos comerciais.

Meu pai pergunta pelos pardais , meu tio responde que começaram a desaparecer a partir do momento que se passou a utilizar remédio para exterminar as pragas .

Faço um esforço de memória e me dou conta que no Brasil também não vejo mais pardais. 

Vicente Pires

A estrutura vista assim de longe lembrava a de uma aranha , com os pilares cumpridos e esbeltos(finos?!), suportando, ou quase ,o corpo (a laje).

Santo Expedito, padroeiro da construção civil, parecia mais uma vez ter atuado com 100% de eficiência, ajudando aqueles cambitos a suportarem o peso da estrutura até às 16h00 de uma sexta-feira, tempo suficiente para que os operários terminassem o turno e lá não perdessem a vida .

Todos salvos menos um , o técnico de edificações, o proprietário da empresa de projeto (castigo?!), segundo o portal Métropolis de 23 de outubro, chamado às pressas ao canteiro pelo dono da obra, segundo o portal G1 de 23 de outubro, momentos antes do colapso, de certo para atestar algum tipo de mal presságio, pra lá foi e por lá ficou…

Analisando foto e filme do local não se percebe diferenças relevantes entre o canteiro da obra tombada e o de uma legalizada , a limpeza geral até chama a atenção. 

Mas sssim como em dois pacientes, um são e outro não , as diferenças ficarão evidentes mais à frente, à medida que o corpo daquele acometido de moléstia , não sendo medicado à tempo, for sucumbido à doença .

No paradoxo que é a construção civil brasileira, cara e miserável, quem mais sofre é o projeto , item relativamente barato em relação ao custo total do empreendimento , rotineiramente alvo de leilão, mas que também é o mais importante. 

Ao mesmo tempo cúmplices e reféns, a obra ilegal , caso da que ruiu, conta com os mesmos fornecedores da legalizada . As diferenças começam a aparecer em “detalhes” como o da falta de registro no Crea e Cau , ausência de nota fiscal e registro trabalhista , e por aí vai…tudo absolutamente coerente com o fato da  ilegalidade movimentar hoje 50% do PIB da construção civil. 

Fechar os olhos para a construção ilegal de um prédio de seis andares é sinal de conivência e irresponsabilidade, mas quando ele cai emata gente , já é flerte com a imoralidade .