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Jogos Olímpicos – Plaka

Se for pensar no legado da olimpíada levando em conta o custo das obras do parque olímpico e de mobilidade a conta não fechará. 

Difícil obter retorno  complexo esportivo daquele tamanho, e por mais que se faça em favor da mobilidade urbana , ainda é difícil  vencer o automóvel enquanto este representar um misto de item de primeira necessidade  e status .

Mas na conta que mais interessa a conta dará lucro sim…

Em Atenas há um bairro boêmio no centro da cidade chamado “Plaka”. Um labirinto de vielas estreitas repleto de lojas , restaurantes, pequenos hotéis, espalhado em meio a ruínas milenares. Um emaranhado por onde  aquele que  passeia , vai se “perdendo”  até passar para outros bairros , num processo contínuo, sem se dar conta depara-se com museus, igrejas bizantinas e toda uma gama de atrações e novidades. 

A derrubada do elevado da perimetral, juntamente com as obras de mobilidade e a construção de megaestruturas como o museu do Amanhã e o aquário deu ao Rio a mesma condição que Atenas e outras capitais europeias têm de oferecer ao público uma opção barata, democrática e rica de relacionamento com sua história e cultura.

Os personagens de Machado de Assis, Lima Barreto, Alvares de Azevedo caminhavam por ruas como a da Alfândega, Quitanda, Ouvidor, muito antes de existir o calçadão de Copacabana. Há praças, igrejas ,mosteiros , prédios de fachadas barrocas imponentes ,de uma época em que o Brasil chegou a ser sede do Império Português, envelhecidos mas bem preservados, à espera de nossa visita. 

O reencontro do povo com sua cidade valeu ouro.

Jogos Olímpicos – Rio de Janeiro

Andei nesta cidade durante estes dias como se andasse na Disneylandia ou em qualquer cidade da Europa.

Desde o dia em que uma de minhas filhas chorou ,a outra temeu e minha mulher se preocupou , decidi que viria pra cá sem temor , seguro , mas tranquilo, de formas a poder desfrutar ao máximo a experiência única.

Fui a todos jogos  para os quais adquiri ingresso e  aqui comprei para outros mais . Usufrui ao máximo do que o transporte público poderia me fornecer , complementei lacunas estreando com o uber e ainda andei com  táxi.

Transitei à vontade  por bairros da zona norte e sul preocupado apenas com ângulos bacanas para fotos tiradas com celular de última geração, manuseado à vista de todos ,em qualquer situação que tivesse desejado.

Fui contra a opção de organizarmos os jogos olímpicos no país . Não entendo como e porque precisamos deste anabolizante para aumentar o desempenho das ações públicas em favor da cidade. 

Mas fiz minha parte, compareci, gastei, chafurdei e agora agradeço . 

Tomara que tenham tino para fazer de todo este esforço apenas o recomeço em favor desta cidade e não o último estribucho de  um moribundo.

Jogos olímpicos-BRTour

Pela janela do BRT vejo a zona norte carioca passar, como se assistisse a um documentário de TV.

Olaria, Penha, Madureira, Jacarepaguá , nomes tradicionais que você conheceu de algum livro, filme ou música de qualidade, mas que hoje , exceção dos que lá vivem ou de lá vieram, habitam apenas o imaginário popular. 

Muito tempo antes de existir  favela , já havia bairros como Olaria e Penha . Escolhidos para lá se morar por opção e não por necessidade , tiveram tempo para serem planejados como qualquer bairro da zona sul, de tal forma que a vista do conjunto bem impressiona. As residências estão lá, geminadas , alambradas e bem acabadas (nos vários sentidos da palavra).

Madureira é o filme em 3 D. O comércio quase que invade a “tela” do BRT. Calçadas com prateleiras mostrando moda e piraquê , obstáculos para um formigueiro de gente lá despejadas a partir de tantas esquinas (as do samba?), como se fosse linha de produção.

Jacarepaguá veio bem depois das outras . Fica na fronteira entre a zona norte e a Barra e esta dúvida de natuteza talvez seja a razão da paisagem ali mais parecer a da  boca  cuidada na medida da possibilidade  do orçamento  , com todo o tipo de bloco, altura e acabamento.

Proposital ou efeito incidental o passeio vale à pena.O cenário que apresenta não é maquiado, é o cotidiano, de uma época em que a cidade não precisava de olimpíada para se autoafirmar. Tomara que a dificuldade de entrar com as malas no vagão não sirva de desculpa para o turista escolher a velocidade  da via amarela .

Jogos Olímpicos – Terror.

A sensação de conforto foi temporária, havia perdido de vista o grupo que até então errava conosco na procura do ponto de encontro . Teríamos tomado a direção correta?

Prédios e árvores à beira dos dois lados da pista, colaboravam para a formação de um túnel de vento, que junto à  chuva fina e constante , maximizava a sensação  de frio. 

Já era madrugada , perambuláramos o dia todo e o cansaço era tamanho. 

Olho para trás e revejo o grupo que havia se separado se aproximando, novos membros a eles haviam se juntado. Nossa opção parece ter sido a acertada, este fato , e o maior número de pessoas reunidas me aliviou um pouco.

Chegamos ao que parecia ser o final da trilha, um sentimento de dúvida tomou conta de mim pois parecia não haver saída. De repente , de um beco ermo , impossível  de ser reconhecido ao longe, surge um trio de homens trajado de preto, tensão geral . 

Eles se aproximam de nós rapidamente e minha filha os pergunta “_Uber?”, ao que um deles responde prontamente , “_Uber!”…como se fosse a senha…

Estávamos salvos. 
P.S O relato pode ter tido um tom mei afetado , mas fico imaginando o sentimento  de desamparo de um estrangeiro numa situação que foi corriqueira durante o período. 

Jogos Olímpicos -Velódromo 

Talvez seja a do Velódromo,  a construção  que melhor represente a história de parte das concorrências públicas do país.

Pouco tempo antes de vencer o prazo de conclusão  da obra , a empresa vencedora  da licitação, provavelmente  tendo adotado  o menor preço, após um longo período de litígio envolvendo questionamentos de projeto, especificações e valores , foi declarada incapaz pela prefeitura .

Nestes casos o natural é que , com a obra  paralisada, tenha início um calvário jurídico; irracional, burocrático e , normalmente, insolúvel. Mas esta não poderia ser a “solução ” para o Velódromo. Alguém teria de dar conta do abacaxi. 

Segundo o site Uol de 30 de maio de 2016, faltavam 67 dias para a olimpíada e 88% do Velódromo estava  concluído. Uma empresa assumiu às pressas a tarefa de descascar o abacaxi…

E o descascou…

Quando eu iniciava a carreira  de engenheiro, fazíamos várias  obras para um banco público, os tais PABs, Posto de Atendimento Bancário. Houve época  em que precisavam inaugurar  vários  num curto  intervalo  de tempo. A solução era solicitar a  algumas empresas idôneas que assumissem o compromisso, para acerto só após a conclusão dos serviços . Os projetos eram bem detalhados.

Numa entrevista ao Estadão , na semana prévia ao início da Olimpíada, o prefeito Eduardo Paes defendeu a construtora por ter enfretado o risco e entregue a obra a despeito de prazo tão apertado. 

Tanto estado quanto quem com ele se relaciona parecem ter piorado desde os tais tempos do respeito ao fio de bigode .Tomara mesmo que tenha havido republicanismo no processo como um todo. De toda a forma, vão aqui meus cumprimentos aos envolvidos na construção. Obra bonita, moderna ,de bom padrão padrão de qualidade e , até mesmo,   esmerado acabamento, algo que poderia te sido negligenciado em virtude do tempo curto para  conclusão.

​​

Jogos Olímpicos 

Na abertura da Olimpíada sustentabilidade é o tema . Unânime e anódino, pode revelar bem nosso comportamento, muitas vezes contraditório ou acomodado.

No seminário , a construtora  informa que a economia de papel com a incorporação das fichas de processo do PBQPH à plataforma BIM evitou o corte de duas árvores .Melhor que  gastar e plantar para compensar é evitar.

Na capa do Estadão, a vista noturna da malha urbana.Lá do céu, a bordo do 14 bis ,é mágica, de perto nem tanto. Já não será mais fácil corrigir tantas falhas, que o diga o desgaste provocado pelas intervenções recentes na cidade do Rio de Janeiro.

Não é mais apenas o traço do artista ,mas uma representação  completa  em 3D. Passado o ludismo da representação da natureza é a cidade o personagem principal. Brota  da terra  e obriga aos que nela habitam a um le parkour diário por entre aquilo que está defasado, arruinado ou ainda por fazer. 

As casas são caixotes , sejam favelas ou  edifícios da era  modernista. E não são isto mesmo? Cabe aos técnicos dotá-las de características que lhes garantam conforto e acolhimento. 

Os bailarinos escalam ligeiro as fachadas dos prédios. Os degraus são os brises de concreto. Comuns nos projetos de prédios da segunda metade do século passado ,garantem sombreamento e isolamento térmico, tão difíceis de ser alcançados nos projetos de hoje.

A fachada da favela toda branquinha , com cara de vila grega e as varandas dos prédios com redes, mesinhas, gente… tudo à mostra, sem blindex. 

 A artista canta que só quer feliz morando na favela onde nasceu…

Não devia ser tão difícil assim…ter uma casa e ser feliz na cidade que escolhemos para viver.

Infraestrutura 

Na TV as imagens da viagem inaugural do metrô carioca pelo trecho que liga Ipanema à Barra da Tijuca , obra mais cara das Olimpíadas. O Tribunal de Contas acha temerário liberar assim…

mas confiemos na engenharia , 

que falhou na ciclovia.

Metrô também dá defeito. Aconteceu comigo nesta quinta-feira , 28 de julho, em São Paulo , a caminho de um evento. Num túnel embaixo da terra…

vagão lotado 

e sem ar condicionado. 

Já no aeroporto , nem me movo na direção do portão 06 , pois é batata que daí a pouco o painel eletrônico fará a alteração  e nos  direcionará para  um dos portões da sequência  13 a 22 . 

Onze portas de salvação, coladinhas umas as outras , localizadas num hall bastante apertado no piso inferior. 

Não fossem 

os ônibus que dali partem , 

de Congonhas,o aeroporto mais importante do país, não partiríamos.

Tamanha a multidão  de passageiros , que não dá para concluir a revisão  do último dos cinco volumes que compõem a coletânea  BIM (Building Information Modelling) , lançada  nesta sexta-feira,29 de julho, pela CBIC. Lida, e corrigida exclusivamente à bordo de aeronaves, em cerca de 13 horas de voo. 

Também na sexta-feira, 29 de julho, participo à distância da reunião para escolha dos finalistas do 1° Prêmio de excelência BIM organizado pelo Sinduscon SP. Participar é força  de expressão, 

pois a intermitência da internet 

impossibilita 

qualquer intervenção, 

já o jurado Americano ,e o  Português , parecem opinar de dentro da sala, tamanha a qualidade do sinal.

Do Galeão pretendo chegar à Barra de BRT. O povo lá de casa não está gostando muito da ideia, mas ainda há tempo para  convencê-los…

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