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Dia 01- Abu Dabhi- Gicelene falou, Gicelene avisou…

Minha mulher passou por Dubai ano passado e desde então não deixou de me fazer claro que devia ,por dever de ofício, conhecer os Emirados. Concordei , mas sem saber bem ao certo se algum dia seguiria a recomendação. Ela estava certa,  e assim como no caso da Disneylândia dei meu braço a torcer.

As duas experiências têm muito de parecidas enquanto projeto definido de futuro para uma região . Algo muito bem feito e elaborado, de excelência melhor dizendo. Projetos construtivos inovadores são utilizados à exaustão , laboratório de técnica, as árvores no deserto crescem à base de gotejamento , a água do banho e do dente é desanilizada, o país que outrora era por vocação entreposto de pesca, de comércio de pérolas, de beduínos  usa o dinheiro do petróleo na construção de dois aeroportos monumentais , hubbies para o mundo, uma cidade futurista totalmente sustentável , a mesquita moderna cujo esmero na estética lembra a igreja renascentista em matéria de rebuscamento e detalhes, a torre mais inclinada do que a de Pisa,  o maior não sei o que do mundo, a maior outra coisa do mundo…, prédios parecidos com o “pepino” londrino aos montes, e aqui faço um parênteses.

Lembro que em Bilbao usaram a construção do museu Gughenhein como esperança de renovação de uma cidade, e conseguiram , aqui o dinheiro de mecenas do século 21 faz com que experiências como a basca ou a Londrina  sejam rotineiras e  todavia, a exemplo da Disneylândia ,a ação  não soa pedante, pelo contrário, por exemplo, quando pensava em irrigação no deserto ou desanilizacao da água me lembrava só de Israel. Lá como cá , arriscar é uma questão que o povo tem claro ser de sobrevivência.

Não soa perdulário e  por paradoxal que seja , embora o regime politico não seja a democracia, tamanha riqueza investida em aço , vidro e concreto parece realmente agrega. Como se construíssem o maior oásis do mundo para abrigar a torre de babel que é uma região em que 85% dos que a habitam são estrangeiros.

  

  

  

  

  

  

  

  

  

 

chamada final 

O alto falante chama a todo instante o nome dos atrasados, dentre eles Guilherme Boulos, José Serra e Jacques Vagner . A política nestes dias está tomando o tempo de muitos e é capaz que percam o voo. Chegassem de última hora não teriam onde se sentar para um eventual resfolego , não há lugares vazios nem em torno das jardineiras. 

A expansão do aeroporto da capital já nasceu pequena. 

 

Apertem o cinto , o piloto sumiu e o professor Marcello parou deixou de trabalhar.

Tentei falar com o professor Marcello a pouco e não consegui de novo, perdi o telefone da filha o que complica mais ainda a possibilidade de contato. 

Com cerca de 85 anos é assim, hoje perfeito e trabalhando , amanhã não se sabe. Tomara que a dificuldade seja a normal da velhice e que embora desligado do trabalho esteja se relacionando na família com a vitalidade contumaz . 

No dia em que tive claro que não poderia contar com seus préstimos de calculista bateu uma espécie de solidão , quem terá mérito para o lugar? Alguém com tamanha responsabilidade , ética ,dedicação , compromisso , capacidade técnica , desapego à interesse por muitos e foco em cuidar de poucos muito bem.

Sou saudosista nestes pontos. Percebo na profissão que exerço que as credenciais acima vão se perdendo , o que é muito perigoso. Pior que parcela significativa dos construtores valorizam apenas o custo da contratação e dão destaque secundário  para as qualidades citadas anteriormente. 

Não gostei de ver o piloto preocupado com o celular às vésperas de assumir um voo, post “WhatsApp 2″. Desconfiaram do estado mental daquele piloto do voo da Malaio que se perdeu , a dupla do voo do Eduardo Campos parece que vivia às turras, e hoje o piloto , alemão , de uma aeronave alemã (que realiza voos baratos vale ressaltar) que pode ter tomado uma atitude indecorosa. 

Já repararam que o piloto que se apresenta cumprimentando os passageiros ao término do voo são sempre os de maior idade ? Ou que quando passamos pelos tripulantes na entrada ou saída do voo estão sempre preocupados em outra coisa que não nos recepcionarmos? Como se guiar-nos a 8000 ml de altitude fosse algo corriqueiro …

Máquinas triteredundantes e eficientes ,homens redundantes e ineficientes.

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Em primeiro de março de 2010 escrevi o primeiro boletim técnico da Comat e questionado por um leitor (aconteceu de ter havido um) sobre a possibilidade de eventual  interação, tive a ideia de criar um blog para que gente como ele pudesse dar continuidade à eventual discussão suscitada. 

O blog surgiu no início de abril daquele ano e ontem, 22 de março, quando publiquei o post denominado casamento -sobre o vai e vem da fusão Holcim e Lafarge-veio a informação do site que me hospeda ser aquele o milésimo da minha carreira. Qualidade à parte, não deixa de ser uma marca antológica e da qual passo a me orgulhar…1000 posts em 5 anos.

O tema do primeiro boletim ainda é bastante atual . No texto “o dilema dos engenheiros” , o professor Eugenio Mussak como que lamentava o fato  do engenheiro sair bem formado tecnicamente da escola , mas carente de fundamentos sobre gestão de pessoas e liderança. Concluía  que, embora o concreto (+aço=concreto armado) tenha sido  responsável pela revolução na engenharia no início do século 20 , colocando em pé toda uma gama de projetos de arquitetura , a gestão também tinha ajudado a  viabilizar o sonho dos empreendedores.

Semana passada aconteceu de deparar-me com um estagiário de engenharia que não sabia definir a área de impressão de uma planilha eletrônica. Julguei grave o fato de sua  faculdade ainda não tê-lo desafiado, ou oferecido condições, a dominar importante recurso.

No artigo de cinco anos atrás o professor lamentava o fato do profissional recém formado apenas dominasse os rudimentos técnicos do ofício. Particularmente já achava  à época que ele reclamava de barriga cheia , hoje então , nem se fala. 

 

casamento 

No Valor de terça , 17 de março , a notícia de que a fusão entre Holcin e La farge fazia água . A valorização recente do franco suíço poria por terra a paridade de um para um entre as ações das duas empresas , além disto  o mais recente balanço divulgado pela multinacional francesa deixou  os acionistas da parceira Suíça em dúvidas quanto ao desempenho do presidente Francês , que assumiria o colosso franco-suíço formado, afinal , se não consegue cumprir resultados dirigindo uma empresa só quem dirá quando tiver duas sob seu comando.

Fosse por terra a negociação teriam de pagar US $ 150 milhões de dólares à CRH por ressarcimento em virtude da desistência da venda de ativos para a empresa Irlandesa em vários países do mundo ,inclusive o Brasil, ver https://paraconstruir.wordpress.com/2015/02/04/crh-e-nao-cnh-ou-bnh/, exigência dos organismos de combate à cartel para aceitação do maior negócio de todos os tempos no setor da construção civil. 

No Estadao de 21 de sábado , 21 de março, o anúncio de que a negociação não foi por terra . Prevaleceu o bom senso . Quanto à valorização do franco , mudou-se a paridade , em vez de 1 para 1 , 10 a 9 em favor da Holcim, e quanto à presidência , em vez de um Francês , um Francês e um Suíço .

WhatsApp 2

Dia destes me deparei com um piloto de avião compenetrado em seu smartphone enquanto aguardava sentado   no saguão a liberação para que pudesse entrar na aeronave. 

Nunca havia visto um piloto de avião mexendo no celular e aquela cena me deixou ansioso. Quem nos garante que durante o voo ele não se interesse por dar uma olhada nas mensagens ? No céu não tem Wi-Fi, ainda, ok, mas e a piadinha já baixada no saguão? E quando a utilização do Wi-Fi “lá em cima ” tornar-se corriqueira ? Não demora, mesmo que para ele seja proibido ligar o aparelho durante o voo, chegará o dia em que a esposa , após uma boa briga, ameaçará partir e ele nas alturas, pilotando, curioso, prestes a entrar numa zona de turbulência , tentará uma olhadela no WhatsApp  …a tempestade perfeita. 

Definitivamente não estamos seguros.

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