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Paulo Mendes da Rocha e a Norma de Desempenho.

O arquiteto Guilherme Wisnik dedica o espaço em sua coluna de 16 de maio na Folha a uma merecida homenagem ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha pela conquista do galardão que lhe faltava para completar o grand slam da arquitetura; o Leão de Ouro em Veneza , que se junta ao Pritzker (2006) e o Mies Van der Rohe (2000).

Uma obra bem bonita por ele construida é a do estádio Serra Dourada em Goiânia , simples mas radical, pouco a ver com os exageros dos estádios da Copa 2014(refiro-me aos arquitetônicos apenas). Quem entra naquele estádio tem a impressão de estar chegando  numa ante-sala, onde se prepara para o clímax ,representado pelo campo propriamente dito. 

Como Oscar Niemeyer  , vencedor do Pritzker em 1988,  Mendes da Rocha também esculpe no concreto, mas aqui novamente me parece valer a regra, não exagera. Mais uma vez o que conta é a simplicidade e o arquiteto expõe a  beleza do material sem deixar que ele tome de conta da arquitetura da obra. 

Guilherme Wisnik  cita que Mendes da Rocha quase não possui projeto no exterior , o que torna , segundo o colunista, ainda mais admirável o seu feito. 

Na folha de 06 de maio , o arquiteto Chileno Alejandro Aravena , coordenador da mostra italiana de arquitetura, justificou assim a premiação do brasileiro “muitas décadas depois de construídos, seus projetos resistem aos avanços do tempo, tanto em aspectos físicos quanto de estilo. Essa consistência estarrecedora  é consequencia de sua integridade ideológica e sua genialidade estrutural”.

Hahaha, como se fosse a própria definição de vida útil da Norma de Desempenho, só que mais simples e poética. 

Aprendamos com o gênio então!

0 800

No 89° ENIC (Encontro da Indústria da Construção) o empresário de Santa Catarina  desabafa a respeito da imparcialidade da Caixa no julgamento das responsabilidades afeitas à queixa registrada pelo inquilino do PMCMV através do telefone 0800 da instituição, o programa”de olho na qualidade”.

O processo consiste, resumidamente , no registro de  não conformidades de pós obra relatadas pelo cliente ,via central telefônica  , encaminhamento ao construtor, e acompanhamento da sua correção, caso seja considerado pertinente  por parte da Caixa o pleito do cliente. 

Não deveria haver dúvidas acerca da propriedade deste processo. Qualquer incorporador que entrega  um empreendimento particular adota processo semelhante. Não deveria , mas parece haver, muito em virtude de situações mal resolvidas ,como as expostas por alguns dos participantes do debate , motivados que ficaram a expor também seus casos a partir do desabafo do empresário Catarinense, o qual, a julgar pelo seu desabafo , caiu desgraçadamente num ritual kafkaniano de julgamento de processo.

Sinto-me frustrado muitas vezes quando vejo empreendedores corajosos , lamentarem a introdução de uma novidade que vem em favor da sociedade como um todo , mas dele principalmente. Na maioria das vezes ,isto ocorre quando se tornam alvo de gente  irresponsável e preguiçosa.

Nos cabe, como dirigente que somos, da frustração reorientarmos nossos sentimentos para uma visão esperançosa e otimista. Temos que transformar  estas situações de adversidade em indicadores relevantes de ineficiência e propor ação conjunta de melhoria ,juntamente com as entidades e instituições financeiras parceiras , para que gente disposta ,como os empresários que participaram dos debates da comissão , sintam-se seguros e amparados para construir mais e melhor, independentemente de quem governa.

Ícaro

Há muito tempo sabemos que os jogos olímpicos não cumprem os ideais propostos em suas origens.Até o pretenso simbolismo do convite à simpática garotinha Síria refugiada ,que carregou a tocha num trecho do percurso em Brasília, cai por terra ao vermos que as grandes potências não conseguem obter sequer um réles cessar fogo na Síria , dizimada por uma guerra insana.Ao menos na Grécia Antiga , as batalhas eram paralisadas durante os jogos.
Ainda bem que hoje em dia, graças às redes sociais, podemos assistir a bem mais do que nos é apresentado pela TV. Não fossem elas, não teríamos como ver o belo espetáculo que foi o Icaro nadando os 50 ml de uma piscina com a tocha olímpica nas mãos, escoltado pelas meninas do nado sincronizado.
Antes de ser atleta do Fluminense, clube pelo qual disputou as eliminatórias para as olimpíadas no Brasil , Ícaro treinava, na verdade ainda treina, aqui em Brasília. Há anos acompanhamos o trabalho insistente e perseverante do pai, Fabricio, seu treinador, trazendo o rapaz, juntamente com outros jovens, para treinos extenuantes de dois períodos diários.
Gostava quando tinha a oportunidade de nadar no mesmo horário que eles, pois tamanho era o vigor de suas braçadas, que ondas se formavam na superfície da piscina. Parecia que estava nadando no mar.
Disse “Gostava” , no parágrafo anterior , pois no início deste ano percebi que restara apenas Icaro na turma de nadadores de primeiro nível. Perguntei ao Carlão, nosso professor, onde estavam os demais e ele me contou que normalmente os garotos largam os treinos à medida que entram na faculdade. Um colega maledicente complementou “_somem quando passam a conhecer cerveja e mulher!”.
Ícaro continua a nadar…
Sobre cerveja e mulher não sei informar , mas quanto à faculdade, passou na UnIversidade de Brasília (UnB). Inclusive, uma equipe de TV da universidade esteve lá no clube , tempos atrás, para filmar o treino do atleta. Foi logo depois de sua convocação para a seleção brasileira que disputou um sul americano no Equador.
Pode até ter sido em virtude desta participação ,que o Icaro não tenha obtido o índice para integrar a equipe olímpica, nas eliminatórias do troféu Maria Lenk. Sabe-se lá, em se tratando de esporte de alto rendimento ,qualquer detalhe conta, afinal tratamos de diferença de décimos de segundo.
Quem me contou que Icaro carregaria a tocha foi a Maria Luiza, minha filha de 11 anos, “_meu colega de natação vai carregar a tocha nadando!”. Explico, Icaro é colega dela também pois nadam “juntos ” à tarde , quando ele está em Brasília. Dizer a ela que teria a oportunidade de nadar com um atleta de seleção, foi praticamente o último argumento que utilizei para sensibilizá-la a continuar nadando ,ao menos neste ano . Pode não ter ajudado muito, mas me pareceu orgulhosa ao enunciar o feito do colega.
Orgulho que todos nós sentimos também , afinal fomos testemunhas oculares de uma história bacana de superação, tanto de Icaro quanto de Fabricio, seu pai. Anos a fio treinando com o auxílio de parco apoio econômico. A tal história que mistura talento, esforço e dedicação, e que só é tornada pública quando o personagem alcança o primeiro lugar.
Na mitologia grega Icaro é filho de Dédalo. Juntos construíram o labirinto do minotauro e lá foram aprisionados pelo rei Minos. Para se salvarem, o pai construiu asas artificiais a partir de asas de gaivotas e cera de mel de abelhas , que coladas ao corpo permitiu que fugissem da ilha de Creta. Apesar dos conselhos do pai, que pede ao filho para que não se aproxime do sol, Icaro não resiste à tentação, suas asas derretem com o calor , o herói cai e sucumbe no mar egeu. 
Até aqui pai e filho parece se entenderem bem…
De resto, Icaro sabe nadar .


Amigos,amigos, serviços à parte.

Me conta a Ana Maria, que tempos atrás, lhe prestou serviços de reforma de instalações num imóvel o Edmilson eletricista. Segundo ela, o rapaz tomou um susto ao ser informado que eu e ela éramos amigos de longa data, “_vou ter que caprichar mais ainda na qualidade.” 

Bom que a “fama” corra também pelo mercado informal. 

No Valor de  2 de maio, a notícia de que foram criadas no pais 538 mil novas empresas no primeiro trimestre do ano, 6,4% a mais que no mesmo período de 2015. Principalmente  MPIs (Micro Empreendedores Individuais), que têm faturamento de até R$ 60 mil reais no ano . 

Boa parte do contigente de novos empreendedores , segundo a matéria, é formada por demitidos em virtude da crise econômica atual do país.Caso do  Edmilson, que embora empreenda e deva tirar , em minha opinião,mais de R$ 5 mil reais ao mês ,não possui empresa formal.

Em abril de 2014 passou a valer a ABNT – NBR 16280- Reforma em Edificações -Sistema de Gestão de Reformas. Embora a motivação por sua criação tenha vindo da ocorrência  de uma tragédia, a queda simultânea de três edifícios em virtude de reforma descompensada de rigor técnico no andar de um deles, a norma técnica como que anteviu a crise econômica em gestação e preparou um roteiro imprescindível para síndicos e moradores responsáveis e consequentes. Vai que não encontrem um Edmilson eletricista…

…Que poderia se enquadrar muito bem na definição que a referida norma dá à “empresa capacitada”. Aquela “organização ou pessoa que tenha recebido capacitação, orientação e responsabilidade de profissional habilitado” , afinal ele tem a carteira assinada que comprova anos de fidelidade à empresa onde chegou à função de encarregado. 

Acontece que a definição completa de empresa capacitada também menciona” … e que trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilitado conforme a NBR 5674″, norma técnica que regula a manutenção de edifícios.

Embora Edmilson  tenha chegado ao cargo de encarregado na empresa , o fato de trabalhar em parceria e supervisionado por uma equipe de engenheiros e especialistas fazia toda a diferença para que a fama da empresa , e a dos profissionais que nela trabalham, se firmasse, como parece firmou-se. 

Sem entrar no mérito de qual serviço técnico foi prestado pelo Edmilson , parece que Ana Maria foi bem atendida.  Assim como também foi bem atendida pelo Arthur bombeiro e o Adriano pintor, indicados que foram pelo Edmilson para obras posteriores. 

Tão cedo estes profissionais não devem voltar ao mercado formal  , pois ,conforme informa o  Valor do mesmo dia , “o volume de obras anunciadas ao longo do primeiro trimestre deste ano caiu 72% em relação à igual período de 2015…”, ano que já foi bastante ruim para o setor. Até lá, boa sorte aos três e a quem os contrata para bicos, não esquecendo nunca de que o o conteúdo das normas técnicas ABNT-NBR 16280 e 5674, deveria ser sempre seguido por todos, afinal , entre a satisfação da Ana Maria e a tristeza provocada pela tragédia que motivou a confecção da ABNT- NBR 16280 ,há diversos estágios de  perdas…emocionais e financeiras.

Engenharia nacional.

O tema deste post teria mesmo de ser a tragédia ocorrida na ciclovia carioca. A questão era  como introduzi-lo de forma a não entrar no tipo de polêmica que tomou conta dos grupos de WhatsApp dos quais faço parte  , nem tampouco descambar para os lugares comuns que tanto apetecem a imprensa. 

Acho que encontrei a saida, digo, a entrada.

O interruptor de três teclas de uma das  fotos atende a casa de meus pais já há mais de trinta anos, sem nunca ter apresentado defeito. O de duas teclas foi instalado há duas semanas. Não aguentará cinco anos e suas teclas terão de ser trocadas. Afirmo isto pois os da minha casa são idênticos e, mal completaram a idade da garantia, já estão se desintegrando. Detalhe , a marca dos interruptores apresentados nas fotos é a mesma ,e a linha não é a popular. De resto , se fosse ,não haveria problemas, pois os populares que lá existem nunca foram trocados também . 

Evoluiu bastante a indústria de materiais e sistemas construtivos ,desde a época em que meu pai construiu a casa deles até a que eu construí a nossa. Como também evoluiu a gestao de processos como um todo, mas porque a impressão que ficamos é que nao se constroi com a mesma qualidade, desempenho e durabilidade de antes?

Aqui em Brasília, há vias executadas em pavimento de concreto que datam da epoca da inauguração da cidade e praticamente nunca sofreram manutenção, mas já presenciei pavimentos executados mais recentemente com este material sendo removidos ,em virtude de patologias prematuras. O mesmo raciocínio aplico para pavimento asfáltico. 

Sintomático que o clímax atual de precariedade das obras públicas (surgirão outros…)  , tenha ocorrido em obras de ciclovia. Tipo emblemático de projeto bem intencionado( quem tem coragem de criticar o que se faz em prol da mobilidade?), que toma viés politico e se perde na vala comum.

A prefeitura da cidade X  construirá 400 km , a da Y 450 , a da Z 500 ….

“Como se gasta tanto dinheiro em uma obra e o resultado é uma pista irregular, cheia de desníveis? O piso é vagabundo. A pintura, mal feita. A sinalização amarela, que separa ida e volta, está manchada em vários lugares. A tinta vermelha da pista escorre além do que deveria cobrir e já mostra muitas falhas.”

Quem faz os comentários acima nao sou eu, mas a jornalista Mariliz Pereira Jorge em sua coluna publicada na Folha de 23 de janeiro deste ano logo após ter passeado na tal ciclovia que desmoronou na semana passada.

Exagerada ela? A ciclovia que construiram aqui no meu bairro não aguentará os cinco anos dos meus interruptores. Hoje, com menos de quatro já se esfarela em vários pontos. 

Nos tais grupos dos quais  participo, “vi” muitos colegas indignados com os ataques recebidos pela engenharia nacional em virtude do mal fadado ocorrido. Respeito, mas de minha parte ponho as barbas de molho…acho um grupo grande demais …

O que Velho Chico pode nos ensinar acerca do cooperativismo.

No lançamento do PMCMV3 a maioria da plateia, formada por integrantes dos movimentos dos sem teto ,entoava , dentre outras palavras de ordem , algumas endereçadas ao maior conglomerado de mídia do país. 

É bom mesmo ficar de butuca ligada  , mas o paradoxo  de hoje é que o material mais “subversivo” ,apresentado na TV aberta, é transmitido justamente pelo referido grupo. 

Na novela, um coletivo de pequenos agricultores organiza-se na forma de cooperativa para produzir e comercializar produtos agrícolas de qualidade. Não fosse ela não  viabililizariam a irrigação automatizada da cultura. 

A cooperativa consegue se firmar , e já conta com 28 anos de atividade ,em que pese as pressões do Coronel latifundiário ,contra quem vivem às turras.

O principal incentivador da ideia ,e  primeiro presidente da cooperativa ,chama-se “Santo” , nome pra lá de apropriado. 

Nestes anos em que milito em cooperativa percebo, que independentemente do tempo da entidade e da quantidade dos cooperados , o exercício da liderança envolve um certo idealismo e abnegação. Tanto que , mesmo aqueles que já não são mais líderes continuam a  transitar no entorno da cooperativa .

No capítulo de segunda-feira, 18 de abril,o ex-presidente é chamado às pressas para tentar conter briga iminente entre os cooperados porque um deles tenta vender “por fora “, para o Coronel  , sua parte no lote de frutas recem colhido. 

Por mais que  procuremos sensibilizar o cooperados  , por razões distintas ,aqui e acolá alguns tentam “furar ” a negociação o que atrapalha bastante, mas aí cabe aos que estão à frente , como o “Santo”, partir para o convencimento. 

A complexidade  , e beleza, do trabalho da cooperativa  está justamente no fato de que em diversos momentos  pede-se ao cooperado abdicar de um ganho pessoal  em prol da coletividade , “trade-off” que costumeiramente praticamos apenas em família. Só se fica em paz com  este dilema, quando concluímos que a cooperativa é ,de certa maneira , um tipo específico de família.

No caso da novela , os pequenos agricultores, apesar das dificuldades, só conseguem exportar suas frutas hoje , por causa da cooperativa . Mesmo assim , passados 28 anos, ainda tem gente “que roi a corda”. Tomara que na nossa aqui , precisemos de menos tempo para convencer a todos da importância de cumprir o combinado.
 

Para a sua proteção.

Na palestra de Jose Carlos Arruda, um dos maiores especialistas em segurança de trabalho, durante o Congresso Nacional Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção – VII CMATIC, a quase totalidade das fotos de inovações tecnológicas que contribuem para elevar a segurança dos que trabalham nas nossas obras foram tiradas em canteiros internacionais. 

O Izidio me informa que já viu funcionando num canteiro a serra elétrica que se esconde ao simples toque da mão de quem a opera. Muito engraçado ,acompanhar no vídeo ela sumindo ao simples encosto de uma salsicha, que mal perde um pedacinho da pele protetora. Não sei se mesmo assim teria coragem de encostar o meu dedo lá.

Certamente Izidio é um dos poucos felizardos que teve acesso a esta novidade. Dez anos de progresso no setor , que cresceu no periodo em ritmo chinês, e a maioria de nossos canteiros não teve acesso a ao menos uma das inovações que garantem mais segurança de trabalho apresentadas pelo consultor.

Algumas, como as redes protetoras de fachadas em substituição às bandejas de madeira provavelmente encontrariam  fortes restrições das delegacias regionais de trabalho, mas parecem ser bem mais simples e efetivas, sem contar a economia com madeira , que ao término da obra vira entulho.

Semáforos de passagens, disco para corrida do mangote, suporte para martelete hidráulico, pistola para pontear armação, são tantas traquitanas,  tão interessantes e que ajudam tanto, que não dá para entender porque não se tornaram campeãs de audiência. Agora , com o mercado em baixa e o câmbio elevado é que será mesmo difícil.

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