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Fotovoltaica – 8 vezes

No Valor de 28 de fevereiro a Informaçao de que a Votorantim utilizará paineis fotovoltaicos para geração de energia solar. 

Até aí nenhuma novidade nao é mesmo? 

O pulo do gato é a forma de captação da luz solar. Paineis serão lançados no lago de alguma represa das tantas hidrelétricas que a empresa possui como se fossem boias.

A experiência só será possível em virtude das placas pertencerem à terceira geração de painéis fotovoltaicos. Desenvolvidos por pesquisadores da CSEM Brasil , os chamados painéis fotovoltaicos orgânicos (OPV, na sigla em inglês) são de um tipo especial de plástico , portanto muito mais leve que as convencionais, grandes, pesadas e feitas com silício. Tal característica permitirá que seja gerada energia fotovoltáica em qualquer lugar onde incida raio de sol, capota de carro, lago de barragem , telha de uma residência . Por esta razão, além do patrocínio da Votorantim e do BNDES , a pesquisa tem vertentes apoiadas pela Fiat e Medabil.

Bem vinda a terceira geração de painéis fotovoltaicos , mas a construção civil brasileira nem sentiu o cheiro das duas primeiras…em que pese a Medabil ser uma das maiores construtoras brasileiras no segmento de estrutura metálica. Em números , 85% da energia fotovoltaica do mundo é da primeira geração e a terceira fica só com 1% a 2% do mercado. No Brasil , 0,01% da energia elétrica gerada é solar , segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sendo que solar não quer dizer exclusivamente fotovoltaica.

Enquanto isto o condomínio de um bairro importante de uma capital de país importante cumpre à risca seu papel de agente social de mudança criando uma trenzinho  de quatro caixas de água acopladas embaixo da rampa da garagem e armazena uma água mixa e turva que o vigia orgulhosamente usa para molhar o jardim do prédio.

Que venha a quarta geração de placas fotovoltaicas , até lá plantemos cactus.

Seis por meia dúzia 

Muitos empresários da construção civil avaliam que o impacto da paralisação das atividades das grandes empreiteiras , envolvidas no escândalo da Petrobras, não seria do tamanho imaginado, afinal , segundo os que têm esta visão, ” quem executava as obras eram os subcontratados mesmo!”.

Ledo engano . Seria o mesmo que afirmar que quem constroi nossas obras são os pequenos empreiteiros ou prestadores de serviço terceirizado que contratamos. E a engenharia por trás do empreendimento? Análise de projeto, planejamento , controle de risco, e uma série de situações que requerem alto conhecimento técnico e não apenas especialização e prática. 

Sem querer entrar no mérito da razão , o depoimento do empresário José Antunes Sobrinho , um dos sócios da Engevix, uma das empresas no olho do furacão, ao Valor de 24 de fevereiro ilustra um pouco do que tento afirmar ” A operação Lava-jato tem olhado as empresas que trabalham com a Petrobras como empresas de obras públicas. Elas faziam meramente obras públicas há 50 anos , no regime militar, mas hoje são diferentes. Podem até construir, mas hoje administram, são gestoras de negócios de infraestrutura. A diferença fundamental é que se tornaram empresas alavancadoras de projeto. A Lava-jato não está matando apenas construtoras . Esta matando grupos de infraestrutura , que fazem as coisas acontecerem e não têm reposição internacional.”

Um dos maiores gargalos do setor público é a ausência ou a falta de qualidade dos bons projetos de engenharia e de alguma forma estas empresas souberam assumir este espaço. Que devem ser punidas , devem mesmo , mas achar que esterelizá-las não fará falta , não concordo.

Já existe um curso de Engenharia de Inovação no Brasil .

Talvez inovação não venha a ser só moda na construção civil , ou matéria difícil de se passar.
Matéria publicada no Valor de 23 de fevereiro trata da aula inaugural da primeira turma do curso de engenharia de inovação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)- centro de ensino criado pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp).
O programa de graduação do curso , reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) , tem carga horária de 4.680 horas, superior à média dos cursos existentes, baseia-se em inovação tecnológica e empreendedorismo e deixa de lado a ideia de que o calouro tem que decidir sobre uma especialidade assim que passa pelo vestibular , dilema ao qual o estudante só será apresentado a partir do terceiro ano do curso. Por fim, o último ano e meio do curso será no padrão de um MBA , onde o futuro profissional terá a oportunidade de desenvolver suas habilidades empreendedoras.
A ideia é formar inicialmente 60 alunos por ano e dos 300 candidatos à primeira turma , 25 foram selecionados.
Se dará certo não sabemos ainda, mas só de aparentemente ter tentado sair da vala comum a iniciativa merece aplauso.

A queda.

No Estadão de 08 de fevereiro , trecho da entrevista com o economista José Roberto Mendonça de Barros ” A gente está projetando uma queda de na construção civil de 6,5% na produção , na soma de residencial , comercial ,industrial e construção pesada. No ano passado , estimamos que já caiu 5% (o número oficial não saiu ainda) , mas este cairá mais justamente por causa da construção pesada. E no investimento , que na nossa estimativa caiu 7% no ano passado, acreditamos numa queda de 9% neste ano , fundamentalmente em obra de infraestrutura, e não só por causa do petróleo. Tem o exemplo da fábrica de fertilizantes que a Petrobrás esta construindo em Três Lagoas (MS) e que suspendeu o contrato , parou a obra e milhares de pessoas perderam o emprego. Esse efeito estará em muitas outras obras.”

De pai para filho.

No Valor de 4 de janeiro , estudo feito por pesquisadores do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV mostra que o percentual de inadimplência na faixa 01 do programa, família com renda até R$ 1.600,00 , é alto, até 20% em outubro de 2014, 30%das contratações estão nesta faixa.
Somado ao “calote”, o fato de grande parte das famílias pagar valores abaixo de sua capacidade, as prestações ficam entre R$ 25 e R$ 80 , aumenta o rombo com subsídios, que em muitos casos pagam 95% do valor do imóvel.
Ainda com base na matéria do Valor, o peso dos subsídios repassados pelo governo federal só aumenta, de 0,25% para 1,05% do PIB entre 2010 e 2014, deste total, o Minha Casa, Minha Vida subiu de 0,04% para 0,35% no mesmo período.
Os pesquisadores estão preocupados com o fato de daqui a pouco o tesouro nacional não ter mais como arcar com tanto gasto e propõem medidas simples de prevenção , como queda da inadimplência e pagamento de prestações mais próximas ao teto de R$ 80,00. Se a inadimplência fosse próxima a 3% , média do sistema financeiro nacional e das outras faixas do programa , a economia para o tesouro seria de R$ 1,5 bilhão , e quanto mais gente pudesse pagar mensalidades com valores próximos a R$ 80 a economia poderia variar entre R$ 7 bilhões e R$15 bilhões.
Gasta-se tanto, e de fato o povo precisa da moradia mesmo, mas pode ser que gasta-se mal.
Meu pai me fala que as casas do BNH eram muito melhores que as do projeto. Lembro bem delas, moramos durante anos dentro de uma, um dos programas favoritos da turma nos finais de semana era andar de bicicleta entre as obras de construção da cidade satélite do Guará II em Brasília. Eram outros os tempos, não tinha tanta gente dependendo de um lugar para morar, no centro da capital uma cidade inteira só de casa! Não lembro de ver vigias nas tais obras da cidade em construção , de certo preocupação com o roubo nos canteiros ainda não havia , também não se deixava de pagar a mensalidade da casa.
Por vários anos acompanhei a evolução daquela cidade , foi estragando de pouco em pouco, puxadinhos, espigões, avanços sobre espaço público, drogas, cercamentos (o muro da frente tinha 1,1 ml de altura, o que nos dava alguma chance para pulá-lo e pegar de volta a bola que caia no quintal da casa da “bruxa”) . Hoje em dia é tudo gradeado , não tem como cair mais bola no quintal de ninguém , nem se joga mais futebol na rua , que serve apenas para os carros , tanto os que circulam quanto os que ficam estacionados o dia inteiro sobre calçadas.
Piorou mesmo meu pai…, mas não foi só a qualidade das casas.

Antes que o mundo caia sobre algumas cabeças

Meu amigo está reformando casa antiga que comprou do irmão e me chamou para tirar algumas dúvidas técnicas. Começou com uma ideia e praticamente já reconstruiu a casa toda.
Em frente à sua casa mais duas à venda e outra praticamente sendo reconstruída , com um novo andar gigantesco sobre o esqueleto do que sobrou , ou foi reaproveitado, da nova moradia. Será que o proprietário teve o cuidado de contratar um bom calculista ? Havia projetos antigos, e confiáveis , para que a nova obra ficasse bem assentada ? Vi muito rápido , portanto não sei se o sobrado se apoia na estrutura antiga ou foi criada uma nova , será que verificaram a fundação ? Que escondida pode ter passado despercebida, e mais ainda, fizeram uma nova sondagem para verificar as condições do solo?
Pode ser exagero, mas um antigo funcionário da nossa empresa me contou que há poucos dias atrás a laje de uma casa que vem sendo construída ao lado daquela em que ele trabalha, também em bairro nobre da cidade, simplesmente desabou no momento da concretagem! Frente a seus olhos e ainda segundo ele , dava vontade de rir da parca quantidade de ferro existente nas vigas, ” …viga de murinho Dionyzio” . O detalhe é que ele reconhece o engenheiro proprietario da construtora da casa, pois o mesmo já teria trabalhado para um prestador de serviço em algum de nossos canteiros.
“Bairro nobre” nos dois primeiros parágrafos não significa afetação , apenas para reforçar que , se problemas ocorrem lá, onde, em princípio , podem pagar por avaliação técnica de qualidade, quem dirá onde não podem.
Fico intrigado como estas casas antigas e , em sua grande maioria, mal projetadas e construídas , são compradas e passadas para , no máximo, “uma micro empresa de construção ” , cujo o RT mal domina a arte de calcular , ou então para ” um bom mestre ” de obras.
Não escutamos muitas histórias de desmoronamentos destas reformas, mas que existem , existem, taí o depoimento de um antigo funcionário nosso. Imagino que haja muita sorte em jogo, o que dificulta a ocorrência de mortes. Enfim…vai se levando, na duvida sempre se tem em mãos um amigo engenheiro, resta torcer para que chegue antes da laje cair.

CRH e não CNH, ou BNH

O Estadão de 03 de fevereiro mostrou que o martelo foi batido e os ativos da Holcim e da Lafarge no Brasil serão vendidos ao grupo de material de construção Irlandês chamado CRH.
Não, não tem nada a ver com aquela sentença do Cade (conselho administrativo de defesa econômica) aplicada no ano passado a oito das maiores companhias de cimento que atuam no mercado brasileiro , condenadas por exercerem cartel. A Lafarge inclusive , visionária, fez acordo de cavalheiros logo no início do processo e se livrou pagando multa apenas milionária, as demais terão de arcar , em conjunto, com bilhões pela punição.
Trata-se de cumprimento da exigência dos órgãos antitrustes internacionais para que seja aceita a fusão entre as duas multinacionais de cimento com a consequente criação da maior cimenteira do mundo. Segundo a matéria, o negócio custou U$ 7,3 bilhões ao grupo irlandês e envolveu ativos na Europa, Brasil, Filipinas e Canadá.
No Brasil o grupo já começa grande , tornando-se desde logo a terceira cimenteira do país ,perdendo apenas para Votorantim e Intercement, do grupo Camargo Corrêa. Todavia, não ficou claro , ao menos para mim, se Holcim e Lafarge somem do mapa, isto porque , na lista de ativos brasileiros, não consta a fábrica de Cocalzinho, cidade próxima a Brasília, que pertence à Lafarge.
De antemão sabemos que , no que diz respeito à pavimentacao ,esta empresa não participará de lobbie algum em favor de concreto ou asfalto, isto porque, segundo a matéria, a CRH é a maior produtora de asfalto para estradas nos Estados Unidos ,e, com a mais nova aquisição ,se tornará a terceira maior fornecedora de construção do mundo.

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