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Road show BIM- CBIC- BH

Palestra de Rogerio Suzuki,consultor e  especialista em BIM

Não é o Peixe grande que come o pequeno , é o rápido que come o lento.

Ficamos imersos ao dia a dia da empresa e nos alienamos do universo em volta , a blackberry não viu a apple e foi engolida por ela .

As empresas “top five” do mundo hoje são de T.I.

É fundamental inovar para sobreviver, mas sem improviso.

A coletânea BIM da CBIC pode ser acessada e compartilhada via internet gratuitamente.

O guia é focado na edificação mas os conceitos servem para todas as áreas do setor.

A linguagem utilizada é simples e direta sem tendência para tecnicismo.

Só com guia implanto o bim ? Não, ele traça uma linha mestra , o BIM é mais complexo.

Porque nossa produtividade cai em vez de crescer ? Uma das razões é que nossos desafios hoje são mais complexos e não estamos preparados pra enfrentá-los.

Antes o projeto de um empreendimento era composto de 8 matérias, hoje 30 . 

Acabou a farra de vender caro , temos que fazer tudo com baixo custo e de forma sustentável.

Existe norma técnica de bim desde 2011 

Começamos com desenho em prancha e fomos para o cad ,não mudamos a forma de projetar , mas de desenhar , ficamos nisto por 30 anos.

Neste período surgiram também softwares de quantitativos .

O BIM foca em projetar e não desenhar e integra os referidos softwares.

Tudo está relacionado a quantidade, que em tempo real são levantadas, não se gasta nosso tempo calculando 

As alterações são integradas , uma mudança implica nas demais , o que garante consistência de projeto.

Depois de cada disciplina pronta vc pode uni-las , descobre interferências e depois liga com a dimensão tempo 

Quantitativo é trabalho para o computador, que cuida do que não agrega valor , você usa o seu tempo para algo produtivo .

Bim usa até o empreendimento ser demolido 

Vc pode ensaiar a obra no computador 

Bim libera a criatividade 

Ajuda a pré fabricação dentro da obra 

Na Inglaterra, se a empresa quiser trabalhar para o governo deve dominar o BIM

“Todo mundo” nas diversas alçadas do governo está começando a se mexer .

Vc quer fazer o que do seu modelo Bim? O próprio contratante às vezes não sabe para que quer o bim.

A maneira com que se troca informações muda , passa a ser compartilhada e será síncrona no futuro, 

Nível zero é 2D , o desenho é 3 D

1° passo . Onde quero usar o modelo . Só na construção? Pós obra tb? 

2° passo. Metas objetivas , por exemplo,reduzir 10% de perdas 

3° passo . Bim não acontece sem gente 

4° passo . Tem mais de 150 usos , escolher para o que quer

5° passo: definir projeto piloto . Vc pode errar , vai perceber as diferenças entre modelar com software “a” ou “b” 

6° passo: organizar troca de informações 

7° passo bim é proporcional ao pior do conjunto software hardware e peopleware , gente é o que fará a diferença 

8° interoperabilidade , trabalhar com softwares distintos que devem ser casados, pois cada um faz um pedaço do modelo, 

9° passo muda a maneira de medir os entregáveis, no nível 100 analiso area e custo , a medida que evoluo nele mais informações devem ser incluídas.

10° passo. O modelo é de quem ? Construtor ou arquiteto, deve ficar claro.

No bim mandate eu descrevo tudo o que eu quero do bim 

Regras são importantes, baixem as normas ,nbr 15965 

Cada software tem seu formato 

Para que haja troca de informações é preciso criar uma lingua para se “conversar” entre os modelos , o IFC , mas sempre existe perdas na comunicação . Como duas pessoas de nacionalidades distintas conversando em inglês 

Vale a pena perder muito tempo na escolha de software, pra mesma função tempos n maneiras de fazer diferente e com resultados distintos

Qual o melhor , I phone ou android? Procure a solução adequada para seu caso 

Sem fluxo de processo documentado fica difícil contratar bim 

A forma de contratação muda , não é mais por prancha é por informação.

Depois que se descobre a potencialidade da tecnologia a encarasse como amiga . 

Não se deve esperar o mercado reaquecer para iniciar no bim , tem que começar agora que o mercado está em baixa.

A mudança ocorre quando você entender que precisa mudar.

Escala humana 

Na Folha de 21 de março  a notícia do garoto que morreu  afogado no canal de desvio do São Francisco, inaugurado há duas semanas . Não sabia nadar ,  os amigos sairam para  consertar  uma moto e o deixaram  dormindo , quando voltaram  ele não estava mais lá.

A obra de desvio do Rio São Francisco tem a rigor caráter estritamente social; o acesso permanente à água por parte da população pobre do sertão nordestino. 

Me coloco na pele de um garoto de 16 anos, a idade que ele tinha,  curioso , cheio de vitalidade, debaixo de um sol abrasador , o desejo escrupuloso e incontido de se refrescar…

Os pais dele entendem que a obra não tem segurança , o ministério da integração social afirma que a população tem sido alertada sobre os riscos . 216  quilômetros de  canal  numa região  seca , miserável, carente e onde a maioria dos jovens  não sabe nadar .  

Segundo a matéria ” Além de Uéslei (nome do garoto), pelo menos mais outra pessoa, um homem em Custódia (PE), morreu nessas águas –além de animais.” Penso se nunca , em nenhuma das reuniões de projeto, chegou-se a tratar de assuntos tão pertinentes às famílias que vivem na região do canal , como a vida de seus filhos e sua subsistência (a perda de um animal pode significar a falta de comida na mesa).

Uma obra tão aguardada…não caberia uma proteção em todo o trajeto? Mais ainda , um by-pass que criasse uma espécie de piscinão a cada 50 km , para que estes garotos pudessem brincar na água tão aguardada …

Aí sim…uma obra de caráter estritamente social.

Falar é fácil, fazer é que são elas.

No Estadão de janeiro 18 de março a notícia de que o vice-presidente de “integridade” de  empresa do ramo frigorífico , convidado recentemente para  palestrar sobre ética e complience na bolsa de valores de Nova York ,é suspeito de envolvimento no escândalo da fiscalização da carne brasileira. 

Infelizmente o desvirtuamento da relação fiscal e empresa não ocorre apenas no ramo alimentício , está aí o  destaque dado às empreiteiras no caso da lava-jato para comprovar. Participar de ilícito para agilizar  processo de exportação ou habite-se na prefeitura é a mesma coisa , liberar lote vencido de carne ou obra mal executada também. Sempre que estas situações ocorrem a “estrutura” do Brasil é abalada , e um  dia pode “ruir”.

Mas nem tudo é só calamidade em se tratando do nosso setor e as construtoras que , em meio à tanta turbulência, encontram motivos para investir  na técnica contam hoje a seu favor com uma rede de proteção e apoio nunca antes formada . 

Se algum órgão da prefeitura ou administração local solicita ao sindicato um anexo com todas as normas técnicas relacionadas a , por exemplo, código de obras ou ocupação do solo, a entidade já pode recorrer à cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e pedir o apoio necessário, pois a entidade conta hoje com grupo de normas técnicas estruturado e integrado tanto à ABNT (associação brasileira de normas técnicas) quanto às demais instituições relacionadas . 

Da mesma forma que normas técnicas, norma de desempenho, BIM, laboratórios credenciados , PBQPH, além de outros ,são temas a todo instante abordados . Se não podemos mudar as pessoas , podemos ao menos encaminhar aquelas que não queiram se perder .

 

Teresina 

Chego pela primeira vez em Teresina , capital do Piauí. O hotel fica a cinco minutos do aeroporto Petronio Portela . Pela imponência do prédio e a multidão na área externa imagino que seja o principal local de eventos da cidade , constatação confirmada pelo motorista, acabara à pouco uma festa  de formatura. 

De manhã, da varanda, bela moldura, sol, mata e rio , o Poty , caudaloso , é época de chuva na região . 

Teresina nasceu e cresceu entre dois rios , além do Poty o Parnaiba , que separa o Piauí  do Maranhão em quase toda a extensão dos dois estados. Atravessou o Parnaiba já chega  em Timon , primeira cidade maranhense, uma conurbação interestadual .

Por ser  cortada por  dois rios a cidade possui várias pontes , uma delas estaiada , mais um exemplar do boom desta solução de obra viária,o dobro do custo de uma convencional , mas ao menos serve para cartão postal . 

Na reunião da Coopercon BR o presidente da companhia de águas e esgoto do estado nos apresenta outra unanimidade nacional , a concessão do sistema público de agua e esgoto como única forma de viabilizar a operação, ao menos nas cidades maiores. 

País gigantesco …o secretário nos conta , a título de curiosidade,que há cidades no estado que se localizam  mais próximo de Brasília  que de Teresina. 

À noite , no caminho para o restaurante, Reinaldo nos passa rápido a dinâmica urbanística da cidade. Com pouco tempo  para saciar a curiosidade antiga , aguçada pela boa impressão que fiquei de tudo que vi , terei mesmo de voltar para comer novamente no Favorito, um dos melhores em que já sentei, e atravessar enfim o Parnaíba rumo a São Luis do Maranhão. 

Moral da história 

Tratava-se do recapeamento do trecho de acesso  ao condomínio. Obra realizada a cerca de trinta anos, já conta com os indefectíveis buracos, de diâmetro maior  justo na transição com a pista principal , hoje em dia bem mais movimentada e  perigosa, o que nos obriga a frenar de forma brusca  antes dela sair. 

Tomei um susto quando abri o email da minha empresa favorita e dei de cara com proposta de três páginas prenchidas integralmente com letras miúdas. A itemização em algarismos romanos ia até o número “V” e a subitemização até a letra “v”, um alfabeto inteiro para o recapeamento de um trecho de menos de 300 m2 ainda em boas condições .

A logo colorida da certificação PBQPH, em destaque no cabeçalho da primeira página da proposta serviu para matar a charada …antes do cliente a empresa deve atender à norma , ou a certificadora , ou até o certificador. 

A constatação acima é minha , mas foi corroborada do que depreendi  da palestra proferida pelo diretor do Inmetro Antonio M.R. Terra na última reunião do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH) , preocupado que está com o fato do certificador fazer questão de minúcias, ficar apegado a um roteiro pronto e levar menos em consideração que o foco do sistema de gestão da qualidade da empresa  é a satisfação do cliente.

Solicitei proposta a três empresas e uma até me respondeu  por WhatsApp. Coincidentemente os valores eram bem similares , assim como a discriminação ,genérica, dos serviços o que me fez optar pela proposta favorita , a da empresa com a logo em destaque. 

Na execução dos serviços todavia ,foi que pude me dar conta do erro cometido … a empresa  realizava apenas o recapeamento de 1/3 da área que eu previra , o de pior estado. Ao checar sua proposta , me dei conta que a metragem, uma das  informações mais importantes junto de preço, descrição, prazo, não havia sido inserida . 

Como resolvemos o problema , ou ainda estamos , não vem ao caso , mas fica a moral da história; enquanto a formalidade tergiversa em propostas rebuscadas de “n” itens, a informalidade passa o que interessa pelo WhatsApp, pode não ser padrão “A” como faz questão o certificador , mas atende bem a expectativa do cliente .  

Lições aprendidas com o dono do mercadinho .

O diretor do Inmetro, Antonio Terra,  nos clarea o significado do “foco no cliente” , um dos pilares da norma técnica ABNT NBR ISO 9001 : 2015 com a história do dono de um  antigo mercado do bairro onde mora no Rio de Janeiro ; agrada ao freguês disponibilizando caderneta de fiado para  quitação no final do mês, troca nota de cem por de menores valores, entrega em casa o item da lista  esquecido pelo marido antes que a patroa possa dar  conta …

Não fosse este tipo de fidelização o comerciante ,na opinião do diretor, já haveria sucumbido ao avanço das grandes redes.

Certamente as atitudes dele são espontâneas e não mero marketing ou atendimento a  manual de processos, do contrário não surtiriam efeito , mas uma  especificidade do setor mercadista contribui bastante ; o fato da indústria fornecedora garantir preços competitivos na oferta de seus produtos também ao pequeno comerciante e não apenas às grandes redes de supermercados.

É como se o fornecedor funcionasse como uma cooperativa e cada pequeno comerciante um cooperado . O fornecedor pode oferecer a eles preços competitivos porque a cadeia de comerciantes é enorme , o que garante um volume de compras tão compensador quanto ao de uma rede de supermercado. 

Troca sabão em pó ou arroz por aço ou louça e a história é a mesma , ou deveria ser …mas ainda não é…

Como ainda “não é “, ou ainda  não ocorreu,  a fidelização do construtor à cooperativa nos moldes de sucesso conquistado pelo dono do mercado  citado como exemplo. Seu cliente não abdica de certas facilidades oferecidas pelo “amigo do bairro” em troca da economia pontual decorrente da compra nos grandes supermercados …Pelo menos não sempre…

Caminhos.

Em 2008 pesquisa realizada pelo MDIC (Ministério da Indústria Comércio exterior e Serviços ) apontava a industrialização como caminho a ser seguido pelo setor  da construção civil, em 2015 os participantes no planejamento estratégico para a construção civil fluminense ,realizado pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) , chegaram à mesma conclusão  para que as  metas progressistas e de modernização traçadas no evento possam ser alcançadas até o ano de 2025.

No intervalo de pouco mais de oito anos entre a pesquisa do MDIC e o P.E da Firjan a construção civil chegou a crescer 15% em um único ano , mas a “cara”do empreendimento que se constroi em 2017 ainda é o da foto que ilustra o post(parabéns ao empresário por empreender em época tão difícil); com bloco cerâmico , guarda corpo de madeira e coletor de entulho . 

Tudo o que previmos como realidade para 2025 poderia ser realizado em 2017 , mesmo em 2008 muito já poderia estar sendo feito…

Não é por falta de iniciativa da cadeia , nem de integração , no Workshop “Tecnologia para Canteiro de Obras Sustentável de Habitação de Interesse Social” realizado nesta semana em São Paulo a academia apresentou aos construtores soluções simples e de primeiro mundo para higiene e segurança do trabalho e controle de resíduos. 

Industrialização, e tudo o mais o que dela advém ,tem que deixar de ser uma nuvem que passa molhando a cabeça de um grupo seleto ,mas um conjunto que faça uma tempestade pelo Brasil . 

No mesmo instante em que as instituições mais representativas do setor  discutem a viabilidade do uso do BIM até mesm em concorrências públicas, ao primeiro sinal de crise o empresário opta por voltar a  cortar e dobrar o ferro na obra por que o preço da barra reta está mais em conta . 

Como regra , BIM e corte e dobra na obra não combinam.