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Grau de Risco- Vida é Risco.

Na Folha da véspera do dia do trabalhador o desassossego da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com a crise na cadeia de Óleo e Gás em razão dos reflexos da Operação Lava Jato sobre a  Petrobrás.

Segundo a matéria ” De acordo com Carlos Pastoriza  , presidente da entidade , 200 empresas estão prestes a quebrar porque não recebem das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato ” . O presidente afirma ” maquinas foram vendidas às empreiteiras para obras no setor de óleo e gás . Muitas delas não pagam e sequer conseguimos encontrar alguém para conversar . Ou os donos das empresas estão presos ou os diretores desapareceram , não falam com ninguém “.

Não tinham ideia  do risco que corriam …

Durante o 25° Congresso Brasileiro  do Aço , realizado na cidade de São Paulo em 12 e 13 de agosto do ano passado , João Veloso , então presidente da Abimaq , pronunciava algo assim , ” A indústria nacional deve ser fortalecida …deve-se aplicar política de conteúdo local nas concorrências”.

Por outro lado ,Eloi Fernandez y Fernandez , Diretor Geral da Organização Nacional da Indústria  do Petróleo -ONIP , alertava ” …o fato de termos apenas um cliente , Petrobras , dificulta …”.

Ok, as frases estão um tanto fora de contexto , mas também  disseram o que escrevi no parágrafo acima. 

Extrapolando um pouco o ponto de vista do José Carlos , post “Grau de Risco – Para o Silvio” , vale fazer projeto , mas vida é risco . 

O seminário foi bruscamente cancelado no segundo dia em virtude da queda  do avião , que vitimou  o então candidato à presidente da república, Eduardo Campos , além de todos os demais tripulantes e passageiros.

Vida é risco .

https://paraconstruir.wordpress.com/2014/08/13/25-congresso-brasileiro-do-aco-parte-v-competitividade-sistemica-da-industria-nacional/

Grau de Risco – Para o Silvio

Já estava sentindo a falta do Silvio . Convocação para reunião sobre aumento dos preços de aço e cimento sem que se manifestasse?  Só poderia estar doente.

E estava. No mesmo dia em que me dei conta de sua ausência prolongada Cirlene veio com a informação que ele estava internado para cirurgia de Diverticulite. 

Silvio é bem zeloso com os custos da  empresa , luta pela vírgula . Acredito que com a saúde também , em que pese a vida do construtor ser bastante corrida e na hora H qualquer um de nós  protelar algum exame em detrimento de uma reunião de negócios de última hora.

A vida é risco . Numa reunião hoje de manha, 29/04, o José Carlos estava comentando a afirmação  de um consultor estrangeiro  que mais importante do que dar ênfase ao projeto -antes até de se pensar nele- é estudar o plano de risco do investimento , tudo o que pode atrapalhar . 

Foi só falar …À tarde li no Valor duas matérias que dão a exata dimensão do tombo que se leva em não se incorporar o risco no planejamento , ou fazer pouco dele. 

Na primeira, a Aneel indeferiu os pedidos de “anistia por atrasos sucessivos nas obras dos três maiores empreendimentos da região amazônica (Santo Antônio , Belo Monte e Jirau) ” . Ainda de acordo com a matéria , “…do lado da agência , o recado foi claro : greves , revoltas trabalhistas , dificuldades em obter licenças ambientais , problemas fundiários e questões afins não serão mais tolerados como justificativa para excludentes de responsabilidade…”

Noutra matéria , desta vez abordando o balanço da Petrobras 2014 , e especificamente o prejuízo causado pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), a lição é clara “O balanço de 2014 da Petrobras traz também uma lição para analista em ações e de dívida , e também para investidores . Os riscos de obras tão caras -cujos investimentos eram públicos e destacados pela estatal – não foram adequadamente medidos…”

No longo prazo a Petrobras se recupera e o Brasil consumirá a energia elétrica amazônica. Mas o que a gente quer mesmo é o Silvio com a gente no curto prazo para ajudar a dar conta do tanto de fornecedores que anda assanhado com histórias sobre aumento . 

Philippe Starck – Gaudí 

Vale à pena conferir o site de Philippe Starck . Genial a gama de produtos em que deixa a marca, aliás as boas vindas ao site  são prestadas com carrossel de fotos priorizando unicamente design, quem quiser ver os empreendimentos projetados tecla em janela específica .

Minha esposa me envia fotos do Templo Exploratório da Sagrada Família em Barcelona , projetada por Gaudí e até hoje em obras. Sobre a obra nada comento , basta seu comentário “_ Engenharia de ponta pensada há mais de um século atrás…Está em construção há 136 anos. ” , ponto final.

Junto das fotos da igreja me envia outras que mostram detalhes de estatuetas , lustres , porta, corrimão criados pelo gênio do arquiteto. 

Achei que seria justo com o famoso arquiteto moderno cometer a ousadia de compará-lo de alguma forma com o gênio de Gaudí. Ambos ousaram ir além da casca, deram atenção e agregaram bastante valor ao que de forma geral podemos considerar mero acessório .
   
     

Philippe Starck – Impressões- Tributo à Agatha Christie

A primeira impressão não havia sido nada boa :

“_ Parece um motel ! E o quarto ? Você não ficaria !!! O banheiro parece de avião.”

Mostrou a foto da cama onde dormiria por seis noites. Hotel 5 estrelas. De fato pareceu ao marido a entrada de uma câmara de ressonância magnética e o neon roxo  dava pinta de hotel da  Avenida São João em São Paulo.

Veio a foto do banheiro . “_ Deve ter 1 por 1/2. ” Ao que contrapôs o marido : “_ Modernista.”

Menos pior que as seis noites seriam passadas em Barcelona…

Dia seguinte o marido curioso indaga sobre a morada provisória no estrangeiro: ” _ E o muquifo? ” . Ao que responde na lata a esposa ,com pinta de indignada com a perjúria” _Muquifo nada …Hotel Botoque de um arquiteto famoso …o arquiteto chama Philippe Starck.” “_ Famosíssimo !” Emenda o marido, ” _Manda uma foto da fachada.” 

Ficou lá pensando nalguma obra importante do arquiteto . Veio então à mente a lembrança de que já havia escrito um post sobre o arquiteto , sobre um chuveiro milionário desenhado por ele para uma fabricante que entrava no mercado brasileiro tempos atrás . O mistério aos poucos se esclarecia, o banheiro , o chuveiro , nada de motel, de muquifo , de câmara de ressonância , de espelunca na São João , tratava-se de obra do gênio de Philippe Starck.

Pesquisa. Queria escrever algo sobre aquilo, mas mesmo sendo cronista de segunda sabia que tinha responsabilidade com os personagens envolvidos e no sábado , entre uma tarefa é outra , encontrou tempo para ir além na pesquisa. Procurou a crônica antiga no blog e a encontrou no longíquo 14 de março de 2011. Sob o título ” Concorrência no mercado de luxo II” o tal cronista  destacava o chuveiro desenhado pelo renomado arquiteto para a fabricante de louças alemã Hansgrohe, que na época entrava no mercado brasileiro (será que  entrou pra valer?) , e que seria vendido a espantosos R$ 50 mil reais a unidade! 

Entrou no site do escritório de Philippe Starck e viu lá projetos de design para garrafas de champanhe , bicicletas, capacete de cavaleiro , cadeiras… e até de prédios . Todos muito bonitos , todavia nada de encontrar o antigo muquifo e agora hotel de referencia da marca. Buscou no roteiro deixado pela esposa o nome da hospedagem e mais uma vez pesquisou . Pesquisou e enfim encontrou a verdade , e a verdade era que o projeto do prédio  pertencia ao escritório espanhol CMV (architects) que também tem um site super sofisticado , um currículo bastante diversificado , mas no entanto ….
…sem aquelas peças curiosas e , digamos, fora do padrão de Philippe Starck.

Para que não pairasse dúvida alguma contrapôs a foto da fachada enviada pela esposa com a do portfólio da CMV. Tratava-se de fato do mesmo prédio. 

Precisa avisar urgente à esposa (Para que mesmo?) : “_ O hotel não é projeto do Philippe Starck , mas de um escritório espanhol chamado CVM archtects.” Só então, no momento em que escrevia a crônica lia a mensagem enviada à esposa pelo WhatsApp deu-se conta de que na pressa para contar a verdade havia trocado a ordem das letras da sigla do escritório e redigido errado a palavra arquitetos em inglês. 

” _ É!!!!” Respondeu-lhe a esposa, assim mesmo, com quatro interrogações. 

Como todo mistério resolvido, ficarão para sempre as dúvidas que não calam: porque creditaram o hotel ao escritório de Philipe  Starck? Quem ganharia com esta mentira? E agora que a verdade nua e crua é sabida o quarto volta à categoria de muquifo ? E o clima no grupo lá hospedado ? Será que não vão ficar chateados com a esposa do escritor pelo fato do maldito ter ido fuçar aonde não precisava ? 

Aguardem. Esta história deu munição ao cronista  de segunda redigir  mais uma .

   
   

Capitão de Longo Curso 

Recomendo a leitura do livro Capitão de Longo Curso do Jorge Amado. Embora dos menos conhecidos  é tão bom quanto os famosos e nem  é dos mais grossos.Se você é engenheiro civil ou trabalha com reformas , prefira sua leitura a dos livros com conselhos de administradores.

Não conto o roteiro para não estragar , mas tem a ver com a necessidade inesperada de num sábado ensolarado ter de abrir furos em laje de cobertura e inutilizar a impermeabilização do local. 

Se não cuidar de bem cobrir  os buracos até a recomposição do estrago pelo impermeabilizador durante a semana , certamente cairá sobre o local uma daquelas chuvas de 50 anos de recorrência , possivelmente concentrada naquele m2 apenas . 

Quem mora em Brasília sabe do sol que fez hoje pela manhã , sábado, 25 de abril. Sabe também do toró que caiu na região central da cidade no período da tarde. Não sabe porém que no meio da manhã a Elinalda  teve de autorizar a abertura de  alguns buracos numa laje de cobertura e que por isto  a impermeabilização do local foi arruinada. 

Não sei se ela leu o tal livro que recomendo . Só sei que ela cuidou de vedar direitinho ,temporariamente , as aberturas para que não chovesse dentro do edifício. Tinha certeza que aquele sol da manhã estava ali para atrapalhar ainda mais seu final de semana já atrapalhado pela necessidade de acompanhar aquele serviço. 

Ela sabe muito bem que estes pequenos descuidos servem mais que batida de tambor para atrair chuva.

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Terceirização – Sucateamento 

Início do novo milênio (primórdios do ano 2000) e animado com a chegada de novas máquinas e equipamentos autorizei a compra de um destes containers metálicos ,só que totalmente adaptado para banheiro, portanto , dotado de  vaso , mictório, lavatório e chuveiro . Serviu muito bem para aquele empreendimento e mais alguns, mas quando ficamos sem obras  , isto acontece frequentemente com empresas de menor porte , 90% do conjunto das construtoras brasileiras, tivemos de encostá-lo.

Ficou lá parado aquela inovação que virou monstrengo ,por mais de ano ocupando quatro vagas do estacionamento até ser vendido para o ferro velho . Nos custou quase R$ 12 mil reais o investimento e foi despejado a quilogramas.

Quando o compramos só existia para locação o container nu , sem nenhuma benfeitoria , hoje empresas terceirizadas alocam vários modelos. Facilita e é barato. 

Posso também comentar do elevador de cremalheira ,que  graças a Deus está funcionando numa obra , se bem que desmilinguido em virtude do tempo de uso . Quero ver por quanto vendo este que na compra nos custou R$ 100 mil reais.

No artigo publicado na Folha de domingo ,19 de abril,  o economista Samuel Pessoa usa as agruras vividas pelo pequeno empresário agricultor para exemplificar os transtornos do empreendedor  impedido de terceirizar parte dos serviços da lavoura. Obrigado a financiar a compra de uma colheitadeira para utilizá-la no máximo duas vezes por ano , acaba vendendo tudo para se mudar para a cidade .

Pensei em plagiar o texto para a construção civil trocando a colheitadeira por uma máquina perfuratriz rotativa . No artigo , o empreendedor agrícola quebrado se muda para a cidade . O que aconteceria com o da construção quando ele também  quebrasse ? E o desconsolo dos funcionários com aquele trambolho estacionado e tomando todas as vagas do estacionamento ? 

Ontem na Folha, 21 de abril , a juíza Patrícia de Almeida Ramos , contrária à terceirização, opina que se o PL 4330 for aprovado se aprofundaria ” um processo de despersonalização de empresas que cria carcaças de empresas , empresas que são meras fachadas…”

Num sentido mais literal o processo que relatei nos parágrafos anteriores também pode ser intitulado de gerador de carcaças.

Receita à base de ferro.

No Valor de 17 de abril o presidente executivo do Instituto Aço Brasil , entidade que reúne os fabricantes do insumo, Marco Polo de Melo, reclama da situação. Fecharam o primeiro trimestre com queda de 5,3% nas vendas e não veem nada de possível melhora no curto e médio prazo.

Não é para menos , notícias dão conta que o grupo formado por 85% de seus clientes ; setores automotivo, bens de capital , linha branca , construção civil  e maquinas e equipamentos despencaram em crescimento no primeiro bimestre do ano na ordem decrescente de 25% a 10%.

Ociosidade de um terço na capacidade instalada , excesso de aço no mundo, perda de competitividade para exportar – como assim ? mesmo com dólar escalando?- importação ainda em alta –  aqui também  exportam baixo valor agregado e importam  coisa fina- marca indelével da nossa economia.

A matéria segue com elucidativas explicações do cenário e sugestões para o governo.

Mas e quanto à clientela? No caso da construção civil , salvo o prenúncio de uma salutar disputa por mercado causada pela chegada de novas siderurgicas , terá de conviver com aumentos recorrentes  no preço do insumo ,como o de agora, num momento em que passa por grave estagnação. 

É isto. Enquanto o antibiótico não vem a indústria de aço vai se tratando a base de analgésicos. O perigo é que a diferença entre remédio é veneno é justamente a dose. 

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