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Caminhos.

Em 2008 pesquisa realizada pelo MDIC (Ministério da Indústria Comércio exterior e Serviços ) apontava a industrialização como caminho a ser seguido pelo setor  da construção civil, em 2015 os participantes no planejamento estratégico para a construção civil fluminense ,realizado pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) , chegaram à mesma conclusão  para que as  metas progressistas e de modernização traçadas no evento possam ser alcançadas até o ano de 2025.

No intervalo de pouco mais de oito anos entre a pesquisa do MDIC e o P.E da Firjan a construção civil chegou a crescer 15% em um único ano , mas a “cara”do empreendimento que se constroi em 2017 ainda é o da foto que ilustra o post(parabéns ao empresário por empreender em época tão difícil); com bloco cerâmico , guarda corpo de madeira e coletor de entulho . 

Tudo o que previmos como realidade para 2025 poderia ser realizado em 2017 , mesmo em 2008 muito já poderia estar sendo feito…

Não é por falta de iniciativa da cadeia , nem de integração , no Workshop “Tecnologia para Canteiro de Obras Sustentável de Habitação de Interesse Social” realizado nesta semana em São Paulo a academia apresentou aos construtores soluções simples e de primeiro mundo para higiene e segurança do trabalho e controle de resíduos. 

Industrialização, e tudo o mais o que dela advém ,tem que deixar de ser uma nuvem que passa molhando a cabeça de um grupo seleto ,mas um conjunto que faça uma tempestade pelo Brasil . 

No mesmo instante em que as instituições mais representativas do setor  discutem a viabilidade do uso do BIM até mesm em concorrências públicas, ao primeiro sinal de crise o empresário opta por voltar a  cortar e dobrar o ferro na obra por que o preço da barra reta está mais em conta . 

Como regra , BIM e corte e dobra na obra não combinam.

O Cine Odeon 

Aspas no cine odeon …
Outrora decadente, o cinema de 600 lugares ,depois de reformado com patrocínio estatal ,foi adquirido por empresa privada de entretenimento  e hoje , além de filmes de excelente conteúdo, também serve de palco para feiras , mostras , lançamentos…

Mas não seria tão fácil atrair o cinéfilo , ou foi mais fácil atraí-lo, se não tivesse havido a  revitalização do centro histórico da cidade , afinal não basta só a beleza do local , condições básicas de higiene e segurança são determinantes .

Ao seu redor  vários bares , com mesas postas diretamente nas vielas adjacentes às ruas principais , bem ao gosto do carioca . Mais adiante uma filial da livraria cultura ,numa rua de um bairro antigo , o que desmistifica  a ideia de que bons cinema e livraria só se encontra em shopping center. Movimento virtuoso atrai movimento virtuoso …

Em Brasília  havia o cine atlântida , também com 600 lugares e , coincidência, de propriedade do mesmo grupo que hoje explora o Odeon . Na verdade ainda há, mas foi adquirido por uma igreja evangélica há cerca de 20 anos atrás.

Domingo passado , me deito à tempo de ver na TV o final de Cine Holliúd, comédia brasileira que conta a saga do dono de um pequeno cinema que tenta manter viva a sétima arte numa cidade do interior cearense bem na época da ascensão da televisão no Brasil. Ao término do filme a triste constatação , dos 1850 municípios cearenses apenas cinco contam com cinema hoje em dia. 

Lembro de quando jovem assistia refastelado nas ergonômicas cadeiras de madeira do cine Vera Cruz ,  na praça central da cidade goiana de Ceres GO, de onde partiu minha mãe para Brasília , a filmes como O Franco Atirador, oscar de melhor filme em 1979. Lá também a igreja evangélica é a nova proprietária do imóvel . 

Se você chega na capital do estado de Roraima, uma boa vista logo no balão de acesso ao aeroporto, um cinema de rua de fachada bastante alegre e criativa . Em cartaz os últimos lançamentos do circuito, e olha que a cidade de apenas 500 mil habitantes já dispõe de dois shoppings gigantescos e modernos.

Em Porto Velho, capital do estado de Rondônia, encontro cinema de rua também, de fachada mais modesta, mas em cartaz  os mesmos filmes que passam em Boa Vista .

De volta ao Rio de Janeiro 

Acordei cedo e deu para arriscar uma caminhada nas cercanias do hotel antes do evento. 

Logo na esquina, bem ao fundo do hotel , o Cine Odeon , já centenário e hoje , reformado, transformado em centro multicultural,mais adiante a Cinelândia com teatro municipal , bar Amarelinho e o prédio que abriga a Câmara legislativa.

À pé rumo ao compromisso percebo cruzar os trilhos do VLT , em meio a tanta história, modernidade. O que aproximou ambos foi o projeto de revitalização do centro histórico do Rio de Janeiro. 
Calha da palestra motivacional (que antecedeu ao planejamento estratégico para o setor da construção civil fluminense até 2025) ser proferida pelo arquiteto que coordenou toda esta revolução ,Washington Fajardo. 
Este tipo de intervenção radical em centros urbanos não é comum, necessita de vontade política de um lado e capacitação técnica de outro , pelo que percebi da palestra a cidade do Rio de Janeiro esteve bem guarnecida dos dois lados . 
Nem se fala do resgate da cidade pela sua população, o mais importante de tudo, mas se um visitante opta por se hospedar no centro para que possa ele também conhecer um pouco mais de prédios, monumentos, atrações que marcam o imaginário popular do país então a conta fecha de vez ,pois o turismo histórico é o que mais agrega valor e menos depreda. 

Aço 

Nunca havia passado por uma negociação envolta em tanta variantes…o mercado de aço longo parece ter virado de ponta a cabeça.

Faltou timing ,e no momento em que tanto investimento em siderúrgicas no Brasil estava pronto para render frutos , os canteiros de obras  desapareceram. 

Quando teve início o período de forte crescimento da construção civil, o  setor contava  com duas siderúrgicas operando em todo o território nacional e outras duas com intervenções localizadas ,  agora são sete e mais o vergalhão importado , que apesar de toda a chiadeira do setor siderúrgico nacional,  já tem clientes fixos. 

E são alguns destes clientes fixos que têm se apresentado como “fiel da balança” . Atacadistas de materiais de construção vêm servindo de canal de distribuição do vergalhão produzido pelas novas siderúrgicas , ainda carantes de estrutura organizada para comercialização do seu insumo diretamente às construtoras. O mesmo raciocínio vale para o produto importado.

Pode até não ter tido o mesmo impacto da sobreprodução de aço mundial , mas o aumento no número de produtores colaborou para o bom comportamento do preço do insumo durante todo o tempo em que a construção civil bombou, este impacto foi maior no caso do cimento.

Tanto tempo comportado e no final do ano passado as siderúrgicas implementaram uma  rodada de aumento pesado, mas o “escudo ” formado pela união dos dois novos atores , distribuidoras e siderúrgicas recém inauguradas, parece conseguir conter as pretenções. 

Em época de brusca queda na construção,  as grandes varejistas  estocam produto,  retardam a incidência de aumentos e promovem condições de pagamentos pouco prováveis de serem obtidas junto às siderúrgicas . 

Mas são só estas as razões da tática estar dando certo? 

Razão de fundo acho que não…

Tempos atrás, quando a Coopercon DF ainda intermediava uma média de 400 a 500 ton/mês, fizemos uma enquete informal para saber a proporção de aço cortado e dobrado adquirida pelos cooperados em relação à barra reta , inacreditavelmente, ao menos pra mim, deu meio a meio. Imaginava que esta inovação já havia conquistado o mesmo status de unanimidade do concreto usinado. 

Dificuldades na vida servem ao menos  para reavaliação  e caberia às siderúrgicas nacionais analisarem com frieza porque ainda não conseguiram convencer construtoras de porte da eficiência do corte e dobra , ou porque , chegada a crise , as que optaram pela evolução regridem em nome de um pequeno desconto ou uma condição de preço mais adequada. 

As cooperativas de compras regionais, cujo grosso foi criado a partir de 2008 , bem que poderiam ter sido o canal de desafogo para os novos entrantes , mas seja por pujança financeira, seja por especificidades organizacionais não podiam , todavia podem buscar formas inteligentes de atuar…

Conhecem todas as novas siderúrgicas , que tiveram suas plantas visitadas em comitiva durante a construção , e graças à capilaridade conquistada , são 12 cooperativas regionais estabelecidas, as informações relativas aos movimentos neste mercado são facilmente disseminadas …e informação vale muito .

Mercado regulando preço, notadamente num segmento tido como oligopolizado, é boa notícia, mas construtora comprando em varejo por causa de parcelamento , central de corte e dobra sendo fechada é sinal de preocupação , algo absurdo de imaginar quando toda a literatura econômica aponta a falta de produtividade brasileira como um das razões do nosso atraso.

Foto de obra de arte da exposição “los Carpinteros “

Bom e barato é difícil.

Finalizada a ronda de verificação preventiva solicitada por minha esposa sinto-me orgulhoso  que a casa não esteja tão mal assim acerca de patologias, pelo menos não tanto quanto parecem estar , se levarmos em conta matéria publicada no Estadão de 06 de fevereiro ,que repercute pesquisa realizada pelo ministério da transparência, muitas das enquadradas na faixa 01 do programa minha casa minha vida.  

Casa da gente é o único bem valioso que acreditamos ter condições de cumprir a regra do “bom e barato”. Esquecemos que ao contrário de uma boa roupa , seu tempo de validade deve ser bem longo e ao contrário de uma boa joia, será utilizada a todo instante e sob qualquer condições.

Difícil conseguir um padrão adequado de qualidade ao custo coberto pela faixa 01 deste relevante programa social , notadamente em se utilizando sistema tradicional de construção, praticamente o único que se encaixa na dita faixa .

Não que a utilização de sistemas inovadores de viés industrializado seja garantia irrestrita de ausência de problemas, e também nada impede que o sistema tradicional possa ser bem construído. Acontece que a quantidade de fatores intervenientes no processo tradicional é muito maior , notadamente a mão de obra , em boa parte dos canteiros mal treinada e capacitada , o que eleva  a probabilidade de incidência de falhas.

Outro aspecto a comentar é que o sistema tradicional é  bom no que tange ao cumprimento de  parâmetros de desempenho adequados, mas peca  na proteção do imóvel contra inimigos cotidianos ,como a infiltração e as trincas. No caso dos sistemas inovadores geralmente ocorre  o contrário .

Nosso setor ficou chateado com o destaque dado a uma pesquisa que se apresentou bastante superficial, pelo que se depreende da leitura do jornal  até rudimentar. Concordo, mas acho bem válido a divulgação destas enquetes, notadamente envolvendo um programa de caráter social tão abrangente, pois não há como aplicar remédio correto sem conhecermos bem a doença. 

Óbvio que tais pesquisas devem fornecer mais e melhores dados; sistema construtivo utilizados , regionalidades, porte da empresa construtora , modalidade da construção, por exemplo, uma das cidades citadas na pesquisa foi Águas Lindas de Goiás, onde muita casa atendida pelo programa foi construída na informalidade. Nesta região a incidência de patologias foi de tal monta que o programa teve de ser temporariamente suspenso (Outros fatores também contribuíram). 

O que mais me chamou a atenção no resultado da pesquisa foi que , à despeito dos problemas citados, a população está satisfeita com a aquisição daquele imóvel. Este aspecto deve servir de incentivo para que governo e construtoras encontrem maneiras de se construir mais e melhor para a população de baixa renda . 

Espaço urbano

O jardineiro não apareceu hoje , perdeu o ônibus . Terá mesmo de voltar a morar pelas redondezas , a economia em aluguel não compensa o distância  de 50 km .

No Estadão de 15 de janeiro matéria especial sobre o Sol Nascente, maior favela horizontal do Brasil, já com 90 mil habitantes e localizada em  Brasília. Difícil de segurar se a moradia no Brasil é cara , para este público inatingível, e as políticas públicas de habitação são complexas, burocráticas , o que acaba tornando-as  ineficazes. 

A construção civil  reclama , com razão, da prioridade que  investimentos têm  em áreas formadas ao arrepio da lei em relação às devidamente regularizadas, mas não tem como deixar de  concordar com a primazia de uma região como a citada na matéria. Ou o estado toma conta ou o crime organizado toma.

Mais à frente , ainda à beira da BR 070 e a 200  metros do posto da Polícia Rodoviária Federal , outro assentamento informal prospera , aparantemente sem ser incomodado.

Chego em cima da hora para a consulta médica , mas na garagem rotativa do prédio, paga,  há vagas de sobra, já pelos gramados ou calçadas públicas nem tanto . 

No caminho pra casa , num bairro em que é proibida a construção de comércio, a vista inesperada de um trailer food truck. Com base na clientela de primeiro dia , estacionada no acostamento de rodovia  marginal à BR 060 , o novo negócio promete.

Brasilia, a história anterior.

No jornal Metro de 23 de Janeiro a notícia de que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico de Brasília) acaba de lançar o livro “Roteiro dos acampamentos pioneiros no DF”. O objetivo é resgatar parte da memória dos primórdios da inauguração de Brasília através da apresentação de sete construções da época que resistiram ao passar dos anos. 

Finalizamos  à pouco  na comunidade grega do DF  projeto semelhante , e no dia 23 março de 2017 lançaremos o livro “Os Argonautas do Cerrado” que conta a história da fundação e progresso de nossa comunidade , já com 53 anos.

Nossa publicação não deixa de ser um capítulo a mais de tantos outros que formam o grande livro da história de Brasília, afinal os primeiros gregos para cá vieram unicamente com o intuito de também participar da sua construção.

Das fotos publicadas nos dois livros tem-se uma ideia do que deveria ser o dia a dia numa cidade inteiramente construída em madeira . Nos relatos dos gregos, histórias do fogo que destruía em horas o fruto de anos de trabalho . 

É uma pena que de uma cidade inteira tenha restado  somente sete construções ,  sendo que deste total , apenas três são originais, as demais já foram destruídas por incêndio , a maioria depois do ano 2000, e reconstruídas.

Embora seja chavão, sempre cabe reforçar  que sem a ajuda de milhares de trabalhadores os projetos de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa não teriam ficado de pé , especialmente no caso de Brasília a citação ainda é mais relevante, porque o que houve aqui foi um chamado, uma conclamação, o que houve aqui foi uma epopeia . Num trecho do nosso livro “Em 1957 , a região já era um imenso canteiro de obras e atraia gente de …Minas , Goiás, Bahia . A esses trabalhadores juntaram-se os imigrantes gregos , que também buscavam seu lugar ao sol.”

A cidade que se formou a partir dos monumentos famosos começou a ter sua história contada a partir de 21 de abril de 1960 , data de sua inauguração, antes dela houve outra, a Cidade Livre , nem Núcleo Bandeirante era…outra gente, outra dinâmica , outra cultura, outra história . 

Não fossem as fotos e os relatos orais , não teria sobrado rastro algum acerca dos primórdios de uma capital de apenas 57 anos …desmazelo maior impossível .

Capelinha da Metropolitana.