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Porcos, cooperativas e personagens interessantes

No Estadão de 12 de outubro a matéria sobre o jamón ibérico de bellota revela o segredo que aqueles que participaram da missão técnica promovida pela Ulma ,indústria de andaimes e escoramentos metálicos que hoje praticamente não atua mais em Brasília, aos países bascos, onde fica sua sede mundial, há 10 anos atrás já conhecia… O que diferencia a qualidade do presunto espanhol mais nobre não é a cor da pata do porco , no caso pata negra , mas o que eles comem . 

Bellota é uma espécie de castanha produzida por uma árvore chamada  azinheiro ou sobreiro, comê-la pastando livre ,ao invés  de ração confinado faz toda a diferença no sabor da carne do porco. 

Foi uma das  viagens mais marcantes que já fiz… 

No prazo de uma semana percorremos milhares de quilômetros por terras espanholas atrás dos mais diversos canteiros para conhecer todo o tipo de utilidade que poderia ser dada aos equipamentos, sempre com paradas de almoço e jantar em restaurantes locais para conhecer as maravilhas da cozinha basca , fama que  até então desconhecíamos. 

Numa visita às vinícolas de Rioja comprei um exemplar de um dos vinhos mais medalhados da região, até hoje o guardo em casa, deve ter virado vinagre.

Ficávamos maravilhados com as possibilidades de aproveitamento dos equipamentos, mas frustrados em seguida ao ouvir deles que era inviável economicamente sua exportação. Posteriormente, com as obras dos estádios da copa de 2014, muito do que vimos chegou ao Brasil e eu mesmo pude utilizá-los em duas obras de características bem distintas .

A Ulma faz parte de uma cooperativa chamada Mondragon e fico sempre orgulhoso ao narrar este aspecto ,pois outra das empresas que faz parte do grupo é a Orona , fornecedora de elevadores , que as cooperativas de compras da construção daqui ajudaram a viabilizar em soli brasileiro , arejando um mercado que contava até então com apenas três competidores de excelência. 

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Bim e escolhas

A protagonista do filme reclama da feiúra dos metais da casa da mãe, trabalha na Artinox ,  uma multinacional especializada em aço. 

Numa das cenas , ela no laptop, conseguimos  dar uma olhada rápida nos vasos sanitários da marca(em inox?!). Apressada , imprime rapidinho seu relatório , mas não salva uma cópia no pen drive e nem na nuvem, só durante a reunião de trabalho se dará conta que confundiu os envelopes ao guardar o material, engano que lhe custará o emprego.

Utilizasse o BIM não teria tido tal problema, afinal, com ele nuvem não é opção, é imprescindível. Não sei se a empresa em que trabalha teria a biblioteca de objetos necessária disponível para que pudesse fazer o seu trabalho, se for como ocorre na realidade ainda teria de esperar, pois a despeito de algumas iniciativas,  os esforços estão longe de atender a expectativa mínima esperada por aqueles que acreditam na inovação .

Como nossos pais é um belo filme nacional centrado na angústia ,e escolhas, que a  atriz principal  tem que tomar, nisto o BIM não  ajuda muito . Nem ela e nem empresa que não sabe bem pra que quer a inovação.

Londrina 

Fundada , ou impulsionada, há 83 anos por ingleses , Londrina mantém como característico cabines telefônicas ao estilo londrino. 

Capital do café até 1978, quando uma geada devastadora dizimou a totalidade dos pés e a agropecuária cuidou de dar prosseguimento ao progresso . O taxista me  conta que a maior feira do setor  acontecer  na cidade. 

Localização é tudo e não se pode fazer pouco do fato de estar a 500 km de São Paulo para um lado e outros 500 de Curitiba para outro . Fato é que a cidade é a terceira maior da região Sul , perdendo apenas para as capitais gaúcha e paranaense.

Quarta cidade brasileira em número de prédios mais altos  segundo meu pai , que não soube me dizer a fonte, apenas perguntar como se estabelece tal ranking. Não faço ideia.

Mais que as pastagens e lavouras que ilham a cidade , o que salta aos olhos  na primeira vista da janela do avião é mesmo a quantidade de arranha-céus. 

Bem dividinhos , ou setorizados , os prédios do centro, de bonita aparência e bem conservados , misturam-se a inúmeras casas térreas que parecem remontar ao final da década de 1960 e início de 1970. 

Já o bairro novo o design é moderno e espelhado , como manda o figurino dos prédios surgidos no boom dos últimos dez anos , quando a inauguração de um shopping enorme deu novo fôlego ao local , batizado , me parece, ainda pela Encol , que lá deixou três testemunhos inacabados. 

Por falar em Encol ,chama a atenção a predominância do mercado que parece ter uma  incorporadora regional. Os tempos são outros…

Vou ficar devendo a foto da cabine telefônica.

Da esq p/ dir e de cima /baixo: Londres, Encol, bairro novo, Lago igapó, estação de água no centro, vista bairro antigo

Riqueza de debate

Idos de 2003 2004 não me lembro bem , organizamos o I Fórum de Gestão do Processo Construtivo , aconteceram 14 deles, e me lembro de ter conseguido com a Caixa um patrocínio de R$12.000,00. 

Deu pra realizar um evento rico e lucrativo , com almoço , coffee break e palestrantes vindos de outros estados . Foi daí que começou a fama de presidente de comissão superavitária. 

Quando organizamos o fórum que tratou do legado da Encol para a construção civil veio o economista Luis Nassif como mestre de cerimônias , a preocupação única era com a qualidade da programação.

Não foi a única razão, mas deixamos de organizar o fórum a partir do momento que a preocupação maior se tornou o preço cobrado por cabeça pelo buffet ou o valor das passagens aéreas, em vez do nome dos palestrantes . 

Há muito não organizávamos um evento de tanto  conteúdo como o Road Show BIM , com sete palestrantes ilustres , seis vindo de fora . Não fosse o apoio da câmara brasileira da indústria da construção (CBIC) teria sido inviável. Arcamos apenas com uma mesa de lanche simples  e a programação visual , para equilibrar as contas cobramos preços módicos pelos ingressos e mesmo assim apareceu muita gente para pechinchar.

O BIM é uma inovação que no limite promete riqueza , tomara …Tomara  que nos novos tempos que virão sejamos novamente ricos o suficiente para  arcar e pagar por bons eventos como estes , como fazíamos há  anos atrás.

Columbus 

Você nunca deve ter ouvido falar na cidade de Columbus e se passar rápido pela Wikipedia como eu fiz , não notará qualquer menção ao fato de ser “_a meca da arquitetura modernista americana…”, segundo a personagem principal do filme homônimo. 

Como se fosse uma aula prática (Ode na verdade) sobre a tal arquitetura modernista , o filme se desenrola em meio a belos  cenários projetados e construídos pelo homem , ao contrário do padrão em casos similares , ou seja , dos belos cenários serem os oferecidos pela  natureza. 

À medida que a bonita história acontece, a atriz principal vai enlecando a quinta , a terceira, a segunda…a vigésima obra mais bonita em sua opinião, pena, para os que gostam de rankings , que a primeira não nos é contada. 

Ao término , de tão intimista o filme , pensamos que Columbus seja uma  cidade do interior, mas a bem da verdade é a capital do estado de Ohio e a 15 ª mais populosa dos Estados Unidos!

Brasília, no apogeu de sua construção, devia contar com  mais de 30 mil imóveis de madeira ,destes apenas sete foram preservados . Um é esta  capela  onde até o campanário é feito de tábua , localizada na Metropolitana, pela qual passo se resolvo ir a pé na padaria. 

Mobilidade 

Impossibilitado de dirigir por ora ,  lembrei que o escritório da CBIC fica a poucos minutos de caminhada até a rodoviária, não me recordava  porém que o BRT , prontamente acessível da plataforma superior,passa “perto”  de casa. 

Não se aceita dinheiro como forma de pagamento, mas uma senhora na fila se dispõe a gastar uma viagem de seu cartão comigo, faço questão de ressarci-la.

Pouquíssimos minutos de espera e às 17h23 parte o ônibus. Fico dividido entre a paisagem bonita que passa ligeira pela janela e a rotina dos passageiros, jovens estudantes em boa parte,  envolvidos com celular ,  música e até  livro , ainda não é hora do rush. 

Sinal de vida no coletivo, numa das paradas entra o vendedor ambulante, carregado de uma carga de  genéricos de “cheetos”  em  três sacolas pra lá de originais ,confeccionadas à base de sacos plásticos , reforçados com fita de empacotar…

Vende alguns e desce comigo na parada da floricultura. Exatos 22 minutos após a partida lá da rodoviária, trafegando em faixa exclusiva,livre do congestionamento que acompanhei de dentro do coletivo .

Antes de passar pela catraca de saída passo no banheiro, judiado , me parece que por gente  da própria população que dele precisa, mas operante e em condições mínimas de higiene. 

Da passarela consigo ver a aglomeração que começa a se formar de gente que vai para o entorno de Brasília (cidades do Goiás)  sem BRT, mas nos refugos de ônibus que para Brasília já não servem mais, privados de paradas para os proteger ou banheiros para as necessidades . 

Estacionadas , dezenas de bicicletas à espera da chegada dos donos para o trecho final até o lar…

É fim de tarde seca em Brasília, ao fundo parece que vejo Manhattan …

Entrevista- Lander Cabral

O empreendimento ION, parceria entre as empresas brasilienses Villela e Carvalho, JCGontijo e ECAP, acaba de receber o Prêmio Master Imobiliário , maior honraria da construção civil imobiliária brasileira , na categoria empreendimento comercial.

O engenheiro Lander Moreira Cabral, gerente técnico e sócio minoritário da Construtora Villela nos responde a algumas perguntas ;

A que se deve o sucesso na premiação?

ganhamos graças a junção de três fatores: A parceria entre três empresas incorporadoras que primam por fazer obras de qualidade; a formação de um time de profissionais, composto por projetistas, consultores , engenheiros , arquitetos de primeira linha, dos melhores da cidades, e à arquitetura diferenciada que deu realce a uma localização pra lá de privilegiada (o prédio fica logo na entrada da L2 norte, numa confluência de prédios e avenidas dos mais importantes) .

De quando é a data do alvará ?

Primeiro semestre de 2013

Embora seja um empreendimento comercial , caso em que  ABNT-NBR 15575 norma de desempenho, não se aplica, e ter sido aprovado antes da entrada em vigor da mesma , foi levada em conta a adequação do projeto ao seus preceitos?

Totalmente. Não haveria como se pensar em um prédio diferenciado , padrão Prime, que não se adequasse na plenitude , ou quase, à ABNT-NBR /15575 , norma de desempenho. Neste sentido, o rigor com que se procurou atender, por exemplo,  ao desempenho acústico, lumínico, térmico foi enorme. O cuidado no projeto, execução e instalação das esquadrias ..além disso o prédio tem certificação AQUA, reutiliza a água, tem bicicletário gigante, dez tomadas para carga de automóveis e bicicletas elétricas …

Cite algum processo inovador utilizado e que foi determinante para a viabilização técnica ,ou em termos de cronograma, do empreendimento.

Foram tantos, mas gosto de falar do nosso planejamento , do seu nível de detalhes , praticidade e eficiência , notadamente por se tratar de uma obra complexa . Não se tratou de uma “poesia”, tanto que o prazo previsto de entrega da obra era de 32 meses e a concluímos 24 dias antes, ou seja , não houve atraso, tampouco adiantamento em demasia, foi bem “Lean Construction”.

Como a empresa vê este “sopro” de retomada do setor , e como tem se posicionado na nova era.

Acreditamos que de fato o pior momento já passou e estamos nos focando em obras menores , para terceiros privados . Começamos com este movimento a cerca de três anos e o ritmo de obras atual nos garante ao menos manter nossa equipe técnica, nosso maior patrimônio ,  contratada e atuando. Entendemos que assim que o mercado melhore , esta atitude nos trará um diferencial.