Terceirização e precarização
Época de dissídio coletivo é importante tecer alguns comentários sobre a terceirização da mão de obra.
Voltando o foco sempre para a construção civil trata-se de uma importante forma de organização empresarial que deve ser estimulada pelo governo já que em essência é uma boa oportunidade da sociedade para formar micros, pequenos e médios empresários. Gente que pode aliar o espírito empreendedor ao domínio de alguma técnica especifica em beneficio da cadeia construtiva.
As dificuldades legais e fiscais existentes em nosso país dificultam bastante a vida dos empresários e isto não é diferente para o pequeno empreendedor. Manter uma empresa funcionando normalmente requer gastos elevados com taxas e impostos e apesar do bom momento pelo qual passa nosso setor não é fácil ter demanda constante de trabalho, a concorrência é grande e, infelizmente, o principal critério de escolha ainda é o menor preço.
Para evitar a quebra o pequeno empresário deixa de “fichar” seu empregado utilizando como moeda de troca a melhora do salário do mesmo já que economiza bastante ao não pagar até 180% de encargos sociais na folha.
A “mágica” acima até hoje não é compreendida por boa parte da mão de obra da construção civil, o que pudemos verificar quando durante uma reunião dos sindicatos dos empregadores e empregados para discussão do dissídio coletivo um trabalhador nos perguntou, sem nenhuma provocação, “_Porque o “gato” pagava mais que as empresas?”.
O desconhecimento da “mágica” acima é danoso para construção civil, atrasa ainda mais a evolução tecnológica e precarisa a mão de obra do setor.
O sindicato laboral, bem intencionado, quer combater esta situação empurrando o problema para o construtor e procurando dar ao empregado do “gato” o mesmo direito que o dado àquele que pagamos de acordo com a CLT. Não entende que nos obrigando a este tipo de acordo facilita a vida de quem faz o mal, seja ele o patrão do empregado não fichado ou aquele que o contrata.
Assim fica fácil, quem trabalha para o “gato” recebe mais que o fichado e o contratante ainda tem que ser solidário no caso de eventual descumprimento de acordo. Um alerta para todo aquele que faz uso destes procedimentos. Os operários que preferem trabalhar fichados estão atentos a estas situações e não gostam de ser preteridos pelos espertalhões. O resultado é um canteiro de obras cada vez mais difícil de ser gerenciado.
Empresas que arcam com todos os encargos estão perdendo para o mercado operários que chegam a ganhar entre R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 livres porque os mesmos preferem trabalhar para os “gatos” de quem recebem mais. Trata-se do melhor dos mundos, ganham bem trabalhando com o “gato” e na hora da dificuldade entram na justiça sabendo que a construtora que os contratou terá de ser solidária.
Basta de cobrir o sol com a peneira! Sindicatos laborais e empresariais, bons empresários e empregados devem estar atentos a este estado de coisas, pois, ao não se tratar logo os efeitos do “tiro no pé” a perna gangrena.
Sustentabilidade como tendencia
Matéria publicada no Valor de 30 de abril apresenta o novo predio do Ebay construido nos Estados Unidos com requintes de sustentabilidade, trata-se do “eBay Mint Building, localizado na sede da empresa de comércio eletrônico eBay, na Califórnia”.
Segundo a matéria “O eBay optou por adotar materiais recicláveis desde a fundação ao acabamento do edifício inaugurado em outubro de 2008 e certificado pelo Green Building Council com o selo Gold LEED como um edifício ‘verde’. O processo inclui o uso de aço 95% reciclado em sua fundação, tintas com menor teor de solventes orgânicos, carpetes e portas de madeira com uma média de 40% de materiais reciclados, bem como a escolha da mobília que usa materiais reciclados e processos de fabricação sustentáveis. A escolha de fornecedores da região também foi pensada para reduzir o impacto do transporte de materiais, o que continua ocorrendo, atualmente, com os suprimentos dos restaurantes do campus de San José.”
Nao fica só no que foi citado acima, “A redução do consumo de energia, além das emissões de carbono em 15%, é uma das principais metas das construções ‘verdes’ do eBay. As janelas de vidro duplo na fachada do Mint Building e espelhos d’água na entrada reduzem a transmissão de calor para os ambientes internos, dando folga ao ar condicionado. Internamente, sensores controlam a iluminação e as persianas, e desligam o ar condicionado em salas de reunião vazias, enquanto divisórias mais baixas colaboram com o aproveitamento da luz natural.”
Conservação de energia é o que pesa de fato e neste aspecto o projeto para ser exemplar , “Em um dos cinco andares do edifício nota-se que a iluminação fluorescente, característica dos escritórios, é menos intensa. Esse foi um dos efeitos da redução de potência de 19 mil lâmpadas e 7 mil reatores de todos os edifícios do eBay. O resultado foi uma economia de 40% no consumo de energia com iluminação, que se traduz em US$ 200 mil por ano. Na prática, a empresa observou que a iluminação muito intensa chega a incomodar os funcionários, que trabalham diante do brilho do monitor.”
Por fim a preocupação com energia limpa, tendencia verificada na Ecobuilding de Londres 2012 , “O projeto do eBay também envolve o uso de energia limpa, por meio de células de combustível instaladas no subsolo do Mint Building e painéis solares presentes no topo dos edifícios. “As células de combustível geram 50% da energia do edifício, enquanto a energia solar, em sua capacidade máxima, abastece 18% de todo o campus”, observa Lori Duvall, diretora de sustentabilidade do eBay.”
Nao basta ter um predio exemplarapenas,” A estratégia sustentável do eBay também exige a mudança de comportamento dos colaboradores. Hoje, 90% dos materiais descartados pelos funcionários são reaproveitados, com a ajuda de algumas medidas que colaboram com a conscientização ambiental. “Em cada mesa há dois cestos de lixo: um para recicláveis e outro para orgânicos”, conta Lori. Para jogar fora o que não é reciclável, cada um deve buscar uma das pequenas lixeiras localizadas em salas de reunião. O fato de os cestos serem menores em relação às lixeiras para recicláveis também é proposital. “A ideia é mostrar o quão pequena é a parte do lixo que realmente não podemos reciclar.”
Mesmo em países mais desenvolvidos como os Estados Unidos a utilizacao de materiais, processos construtivos, fontes de energia, lay out sustentáveis deve estar ainda restrita a grandes empreendimentos como este do Ebay. Na visita tecnica realizada à cidade de Londres(Meca da construcao sustentável?), embora tenhamos visto apenas mega obras emblemáticas , soubemos que há vários programas de apoio às pequenas obras tambem, as quais possuem inclusive certificacao especifica, mas no padrao “verde” tambem.
Na mesma edição do Valor de 30 de abril , em matéria do caderno ” pequenas e medias empresas” que tambem tratou de construcao “verde” , o veredicto cabal “A preocupação com o conceito de sustentabilidade em obras e projetos ainda não faz parte da agenda da maioria das pequenas e médias construtoras do Brasil. Quem garante é Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil (GBC), organização que fomenta a construção sustentável no país.”
“Apenas 2% das empresas adotam conceitos de sustentabilidade”, diz Casado. A maior parte das construtoras que abraçam ações “verdes” realiza gestão de resíduos nas obras, compra madeira certificada e faz uso adequado da água e da energia nos canteiros e projetos.”
Em seguida vaticina(meio que exagerando?)”Com o aumento da demanda e das exigências dos compradores, as construtoras que não se engajarem nesse movimento correm o risco de serem excluídas do mercado”, afirma.
De toda a forma a tendencia para ser mesmo crescente “De acordo com o GBC Brasil, o Brasil tem 40 empreendimentos que receberam o selo Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), concedido pela organização, depois de avaliar critérios como eficiência energética, uso adequado de materiais e recursos. Pelo menos 380 empreendimentos estão em busca do diploma. Desse total, 197 entraram com o pedido no ano passado, um crescimento de 140% em relação a 2010.”
Entendo que estas grandes obras servem mais para mostrar um caminho, todavia obras de menor porte podem adotar tambem medidas simples que em pouco oneram o orçamento e que , no entanto, se somadas impactam ate bem mais em favor do meio ambiente mais do que o conjunto de grandes obras. Estas medidas vão desde a compra de materiais ecológicos, sustentáveis e reciclados, passam por processos construtivos racionalizados e utilizacao de dispositivos economizadores de energia e água , hoje bem acessíveis financeiramente.
No próximo dia 10 de maio o SINDUSCON-DF estará organizando o Seminário “Durabilidade e vida útil: responsabilidades e impactos sobre projeto, construção e manutenção de edifícios”. Mais informações em http://www.sinduscondf.org.br/
Juntamente com isolamento térmico e acústico, é provável que durabilidade e vida útil das edificações tenham sido os temas mais controversos e mobilizadores da comunidade da construção civil brasileira durante o processo de aprovação e posterior revisão da NBR 15575, Norma de desempenho das edificações.
O conceito de vida útil de uma edificação extrapola o conceito técnico formal, não é exato, lógico ou matemático como quase tudo que estamos acostumados a lidar na engenharia, envolve certa dose de abstração e disto tudo é que surge a dificuldade de compreensão. Para complicar há um forte viés jurídico em torno do tema, que vai permear a relação entre construtora e cliente por toda a vida, verhttp://paraconstruir.wordpress.com/2012/04/29/nada-e-tao-ruim-que-nao-possa-piorar/ .
Neste sentido o seminário em questão, que conta com a curadoria técnica da professora doutora Maria Angélica Corvelo Silva, diretora da NGI consultoria, será uma oportunidade e tanto para quem deseja aprofundar o conhecimento acerca do assunto.
Começa com palestra do professor Vanderley John da escola politécnica da USP que discorrerá sobre a definição propriamente dita da matéria tema do seminário.
Em seguida consultor e diretor técnicos da Gerdau e Saint Gobain, Fabio Pannoni e Paul Houang respectivamente, tratarão de materiais utilizados na construção e os impactos sobre a durabilidade da construção.
O professor da UFRGS Luis Carlos Pinto da Silva Filho tratará de aspectos relacionados a projeto das edificações, uso e manutenção e a importância dos mesmos na durabilidade e vida útil do empreendimento.
Para conclusão a engenheira Vera Hachich tratará da responsabilidade que tem a indústria de materiais e a interação da mesma com projetistas na formatação de sistemas construtivos que contribuam para o aumento da vida útil e durabilidade das edificações.
A programação do evento se assemelha a uma corrente formada por diversos elos que devem trabalhar de forma interligada para o sucesso do empreendimento; projetistas, fabricantes e academia trabalhando de forma integrada de forma a fornecer a quem constrói uma boa alternativa técnica e de qualidade. Talvez não seja mera coincidência o fato de que a nova Norma de Desempenho tenha de certa maneira este formato.
Dentre tantas boas noticias que traz a nova Norma de desempenho a melhor de todas é que ela deixa claro definitivamente que a edificação ou empreendimento não começa com seu gabarito ou com suas fundações e nem termina com a entrega das chaves. Ela começa com o projeto, se torna realidade através da obra propriamente dita e prossegue por anos, décadas, quiçá séculos, com base no uso e manutenção do edifício. Portanto cada qual dos intervenientes no processo; projetistas, construtores e moradores terão de arcar com sua carga de responsabilidade do contrário além de difíceis de entender os termos “vida útil” e “durabilidade” serão impossíveis de atingir.
Participe do seminário!
Nada é tão ruim que nao possa piorar.
Continua a temporada de más noticias envolvendo os balanços divulgados pelas principais construtoras imobiliárias de capital aberto.
Matéria publicada no Valor de 25 de abril informa que “Além de estourarem os orçamentos e apresentarem margens em queda, as incorporadoras imobiliárias se deparam com outro problema que ainda não se refletiu em seus balanços: entre 2010 e 2011, mais que dobrou o valor das ações judiciais cíveis contra elas. Boa parte dos processos é relacionada à cobrança de multas por atraso na entrega das obras.”
As campeãs;
“Do total de processos cíveis tratados como de perda possível ao fim de 2011, 85% se referem a cinco incorporadoras: Gafisa, PDG, Viver, Cyrela e Even. As quatro últimas citam os atrasos em obras entre as principais razões para justificar os valores. Outros casos em disputa envolvem índices de correção das parcelas, rescisão de contratos com devolução de valores e vícios de construção.”
A campeã;
“A Gafisa, que tem o maior montante em contingências cíveis sem provisão no balanço, de R$ 346 milhões, não descreve a origem das causas e, procurada, preferiu não se manifestar.”
O perigo;
“Em um grupo de 15 empresas de capital aberto analisadas pelo Valor, o montante das contingências cíveis fora do balanço saltou de R$ 364 milhões para R$ 757 milhões, com alta de 107% em um ano. Como as empresas dizem que a chance de perda nesses processos é apenas “possível”, e não “provável”, esses valores não foram registrados como despesa com provisão no balanço – aparecem apenas nas notas explicativas. Isso significa que, se o diagnóstico das companhias estiver errado e o risco de perda das disputas na Justiça se tornar provável, elas terão de registrar despesas milionárias em suas demonstrações de resultados.”
O especialista;
Segundo Taiki Hirashima, sócio da firma de auditoria e consultoria Hirashima & Associados, caso as multas estejam previstas no contrato, o caso não deve ser tratado como contingência. “Se existe um acordo entre as partes, e está valendo, a empresa tem obrigação de pagar. É um passivo comum.” Caso não exista previsão contratual de multa, o que é vale é o julgamento da empresa sobre a probabilidade de perda e o conceito de “usos e costumes”. “Se a companhia, quando atrasa, paga multa de um certo percentual, pode usar o dado histórico para fazer provisão.” O especialista acrescenta que a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Secovi-SP e o Ministério Público Estadual de São Paulo, não obriga as empresas a usar a mesma prática para as vendas antigas. “Pode obrigar moralmente, mas não legalmente.”
Para entender o TAC;
“Com as ações judiciais e multas por atrasos se avolumando nos tribunais, o Secovi (sindicato que representa as construtoras de São Paulo) assinou, no fim de setembro, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com Ministério Público para criar regras para os casos de atraso de entrega de obras além dos 180 dias de tolerância de praxe. Ficou acertado que os contratos assinados a partir de 120 dias da assinatura do TAC passam a incluir dois tipos de multa: 2% sobre o valor pago até então pelo comprador, uma única vez, e mais 0,5% incidente sobre a mesma base, a cada mês de atraso. Mas o TAC não resolve os contratos antigos. Muitos não preveem multas, embora exista prazo para conclusão da obra.”
Daqui para frente tudo vai ser diferente…
“Os atrasos em obras imobiliárias se concentram em lançamentos realizados em 2007 e 2008, que terminarão de ser entregues em mais seis ou sete meses, segundo Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. De acordo com ele, a demora na conclusão de alguns empreendimentos ocorreu por “acréscimo pontual de demanda para o qual o setor não estava preparado do ponto de vista de infraestrutura” e não se repetirá.”
Efeito cascata.
Em “mais um round” travado pelo governo federal na “luta” para trazer as taxas de juros cobradas pelo setor financeiro a níveis de países desenvolvidos a Caixa resolveu reduzir os juros cobrados para o financiamento imobiliário.
Matéria publicada na Folha de 26 de abril informa que “A Caixa Econômica Federal, maior agente financeiro no setor de habitação, anunciou ontem uma redução generalizada dos juros cobrados nos financiamentos para a compra da casa própria, incluindo operações com recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os novos mutuários que adquirem um imóvel avaliado em até R$ 500 mil e financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) terão taxas reduzidas de 10% para pelo menos 9% ao ano. Para quem tem conta-corrente, cheque especial e cartão de crédito do banco, os juros podem chegar a 8,4%, e clientes que também optarem por transferir o salário para Caixa podem ter até 7,9%.”
Parece que pode dar certo, pois “Após o anúncio da Caixa, instituições como o Santander e o HSBC indicaram que podem seguir o movimento. O Bradesco disse que está observando as tendências do mercado. O Banco do Brasil afirmou avaliar permanentemente as taxas e o cenário. O Itaú não comentou.”
Para as construtoras, notadamente as de capital aberto, a notícia não deixa de vir em boa hora já que o nível de estoque de imóveis prontos e em fase de conclusão é bastante elevado e já vem deixando empreendedores com a pulga atrás da orelha.
Para João da Rocha Lima Junior, professor titular de real estate da Escola Politécnica da USP, em artigo na mesma edição do jornal “Vista pelos empreendedores, essa redução cria poder de compra para o mercado, o que ajuda a fazer liquidez com os apartamentos que estão estocados… No mercado de crédito imobiliário, essa ação da Caixa vai pressionar os concorrentes e é muito positiva… O passo dado pela Caixa provoca a concorrência a se ajustar nos seus custos e resultados e ajuda o mercado empreendedor.”.
OBS: Quem quiser saber um pouco mais sobre este professor ver o post http://paraconstruir.wordpress.com/2010/10/20/construtech-2010-a-fera/
No curto prazo o efeito maior pode ser mesmo a desova de imóveis concluídos, mas na mesma edição da Folha, num artigo que tratava da forte queda do lucro da Vale no primeiro trimestre de 2012, 40% em relação ao mesmo período do ano passado, o editor adjunto do caderno “mercado” da Folha, Gitânio Fortes, referindo-se ao anuncio da Caixa, prenunciava, “Se der certo o plano do governo de turbinar o mercado imobiliário via juro mais baixo (leia mais nas páginas B1 e B4 deste caderno), a construção civil terá impulso. Obras em alta puxam a demanda por aço e vários metais. A conferir até que ponto esse movimento compensa a menor demanda internacional. Não é tarefa fácil.”
Por um lugar ao sol
Um título pomposo para ilustrar um bom exemplo de luta por um espaço no mercado.
As fabricantes nacionais de elevadores, interessadas em não perder espaço para as grandes multinacionais que dominam o setor, estão investindo em alta tecnologia e fazendo uso da importação de peças e equipamentos de ultima geração para não ficar atrás das lideres mundiais de mercado.
Em matéria publicada no Valor de 23 de abril o depoimento do presidente de uma das principais empresas nacionais explica a razão do movimento. “As companhias nacionais conseguiram crescer muito pouco nos últimos anos para fazer frente às multinacionais”, afirmou ao Valor Jomar Cardoso, presidente da Villarta.
E nem é o caso de sentir pena ou dó destas empresas, pois segundo a matéria “Com uma participação de 10% no mercado, as empresas nacionais dobraram sua fatia desde o início dos anos 2000, de acordo com o Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo (Seciesp).” Somente uma das personagens da matéria “a Villarta Elevadores, com sede em Taubaté (SP), cresce a um ritmo de 15% ao ano desde 2009. Em 2011, o faturamento ficou em R$ 50 milhões e a projeção é de R$ 60 milhões para 2012.”
“Sair da zona de conforto” foi imprescindível para que estas empresas pudessem ter se mantido vivas num mercado ainda monopolizado pelas três grandes, “Essas empresas tiveram de mudar sua estratégia de negócios, impulsionadas pelo movimento de consolidação nos últimos anos – no fim dos anos 90 a Atlas e a Sûr foram vendidas para as multinacionais Schindler e Thyssenkrupp, respectivamente.” O diretor da Villarta, Josamar Cardoso resume a história “Para me manter nesse mercado tenho que importar, não há alternativa”,
A busca por novos nichos também é importante; elevadores para altas cargas de transporte, manutenção de elevadores, equipamentos específicos para idosos e portadores de deficiência, isto sem contar a incorporação de tecnologias sustentáveis como o caso da Engetax, empresa de Campinas, “que conseguiu fechar o contrato de R$ 3 milhões pela agilidade (o projeto foi entregue em um semestre) e pela modernização em tecnologia. Os elevadores utilizam o sistema chamado “gearless”, sem engrenagem e que usa campos magnéticos para frear o equipamento. O equipamento, considerado ecológico, não usa óleo lubrificante e gera uma economia de até 40% no consumo de energia.”
Boa história esta. Num momento em que o governo tenta proteger setores da indústria com reserva de cotas e aumentos de impostos as fabricantes de elevadores nacionais mostram que há alternativas mais afinadas com os preceitos básicos do livre mercado que podem dar resultado.
Domingo no Parque
Domingão é dia de levar o filho para conhecer a obra.
Para quem é da construção civil o ritmo é duro e muitas vezes é necessário trabalhar também aos finais de semana.
Fazer o que com o filhão que não vê o pai de segunda a sexta, pois o mesmo sai antes das seis quando o menino ainda dorme e torna ao lar já bem tarde da noite quando o garoto já foi dormir?
Levá-lo para conhecer o trabalho do pai!
Porque não? Se o menino fica louco para saber onde o pai trabalha. Melhor ainda quando o pai gosta da profissão e a obra em que trabalha é construída com o mesmo senso de responsabilidade do pai de família que peleja para cuidar da família.
Não há um final de semana que não aparece um guri novo no canteiro, andando grudado no pai, atento e calado prestando atenção no que ele e os demais companheiros fazem durante o dia.
Não dão um pingo de trabalho aos demais, interagem apenas quando são chamados a fazê-lo, e ficam sem jeito quando o engenheiro da obra passa por perto.
Duas semanas atrás cruzei com uma destas crianças deitado e dormindo num cantinho enquanto o pai dava duro do lado. Perguntei “_de quem era”, no que o pai respondeu prontamente, como que pedindo, ”_é meu, queria muito conhecer onde eu trabalhava”, ”_só toma então cuidado para que não se machuque!”, respondo contente com a ilustre visita.
Tomara que quando crescer faça um curso técnico de qualidade e se torne tão bom eletricista como o pai, ainda jovem, já é.
Tomara que para ter sucesso no trabalho não precise necessariamente se tornar “doutor” diplomado numa destas faculdades que formam uns tantos de qualidade técnica duvidosa.
Tomara que seja feliz seguindo a carreira do pai, eletricista, profissional que tal qual o bombeiro hidráulico está em extinção graças à fraca estrutura de formação técnica que dispomos e à certo grau de preconceito que faz com que os jovens descartem de cara a construção civil em favor de outras profissões mais simples e menos venturosas.
O economista Mauro Halfeld “tratou” numa de suas colunas na CBN da semana passada da carta enviada por um jovem servente da construção que ganhando R$ 700,00 por mês conseguiu economizar R$ 20 mil reais em 04 anos, graças a horas extras e tarefas. Um belo exemplo para tantos outros jovens sem formação educacional que ainda muito novos perdem ideal de vida e se tornam vitimas de vícios perigosos.
Que mais profissionais continuem levando seus filhos e netos aos canteiros das boas obras para que os mesmos sintam orgulho da profissão dos mesmos e possam dar continuidade à saga daqueles que “constroem um mundo melhor”.
P.S Apenas como reforço ao conteúdo deste post , matéria publicada no Estadão de 22 de abril que trata do declínio no numero de pessoas empregadas no Brasil nos ultimos 10 anos relata que ” Com o aquecimento do mercado de trabalho, a baixa qualificação dos trabalhadores ficou escancarada. Segundo Denise Delboni, professora de relações trabalhistas da Faculdade de Economia da Faap, os jovens que entram no mercado de trabalho estão tendo dificuldade para conseguir emprego por causa do pouco preparo que têm.
“Temos poucos jovens qualificados, por isso muitos idosos continuam trabalhando”, afirma a professora, para quem o crescimento dá força de trabalho ainda dá “fôlego” para manter o desenvolvimento do País. “O aposentado continua no mercado de trabalho por duas razões: a aposentadoria é ruim e o filho dele não consegue entrar no mercado”, afirma.
Tudo a ver!