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O elevador de cremalheira

22/01/2012

O elevador de cremalheira foi adquirido pela construtora em 2005. À época tal equipamento era “perna de cobra” e tiveram de viajar à cidade vizinha , distante mais de 200 km, para conhecer uma criatura semelhante. Gostaram do que viram, mas a bem da verdade a decisão já estava tomada mesmo sem a “apresentação” da prova de que de fato funcionava.

Foi o tempo de acertar o leasing e o novo equipamento chegar ao canteiro. Difícil foi encontrar quem o montasse visto que na cidade as empresas de locação dos elevadores de carga tradicionais à cabo só conheciam o elevador de cremalheira através de fotos de catálogos. Encontram um, indicado e cadastrado pelo fabricante, na cidade vizinha e , com muita dificuldade operacional e logística, os trouxeram para colocar a “máquina” para funcionar.

Montagem e operação muito simples, tudo bem compreendido pela equipe de eletricistas da obra que ainda viajaram à sede da empresa fornecedora para um curso técnico intensivo de aprendizado.

Depois disto foi só felicidade. Em quase dois anos de operações um único “apagão” que demandou nova visita da empresa montadora, de resto “trabalhou” como escravo de segunda a sábado, das 07 até as horas extras sem parar , carregando operários, engenheiros, diretores, clientes, e ocasionais convidados para um tour gratuito interessados que estavam para desfrutarem do prazer de viajar na engenhoca dividindo espaço com sacos de cimentos, placas de gesso, e tudo o mais que fosse necessário “elevar” para os pavimentos superiores contribuindo fortemente para elevação da produtividade da obra sem comprometimento da segurança dos que nela trabalhavam.

Comparar o elevador de cremalheira com o convencional à cabo é desnecessário, não cabe , para ser franco nem se tratam de uma mesma classe de equipamentos tamanha é a superioridade do primeiro. Cumpre dizer que em 2005, se elevador de cremalheira era “perna de cobra”, gruas, eram “brinquedo de ricos” e não povoavam o cenário da construção civil imobiliária como nos dias de hoje, e portanto o aspecto da produtividade que seria o melhor “diferencial” a ser explorado pelos fabricantes na troca do “arcaico”(à cabo) pelo moderno(cremalheira) era então mais contundente.

Acontece que, passados 07 anos na história aqui contada a “troca” está sendo forçada às construtoras e por um caminho questionável, que é considerando apenas o aspecto da segurança dos equipamentos. No que diz respeito a esta característica a construção civil pode muito bem continuar convivendo com o elevador à cabo também, existe até legislação trabalhista especifica que trata da montagem, manutenção, desmontagem destes equipamentos, basta que se cobre do construtor respeito a mesma, como de resto o faz as delegacias regionais do trabalho( DRT). Não se nega que na “foto” o elevador de cremalheira fique mais bonito que seu “primo” menos abastado, mas bem cuidado o primo pode sim  cumprir com dignidade sua missão.

Não se sabe se proibir meramente a utilização do elevador a cabo é solução pura e simples, pode até ser que sim, mas…

O que se questiona é que mais uma vez na construção civil, conservadora e atrasada por natureza, a mudança do patamar tecnológico não está  sendo realizada por livre arbítrio. Há portes de obras e com custos inerentes que podem inviabilizar a compra ou aluguel de um elevador de cremalheira e é aqui que passamos a comentar o aspecto de custo na comparação entre as duas tecnologias.

Sete anos atrás quando se adquiriu o elevador de cremalheira naquela obra o que se conseguiu da fornecedora em termos de “cooperação” para montagem do equipamento foi a indicação de um parceiro na cidade vizinha  lembra? Também houve um curso em São Paulo, sede da fabricante, para alguns funcionários da construtora, que operariam e manuteriam o equipamento, com custos de transporte e acomodação por conta da construtora.

Pois bem, passados tantos anos, o preço de um equipamento novo do fabricante é o mesmo, graças a enxurrada de equipamentos importados que chega da China, Espanha e outros países(e ainda há quem reclame da contribuição dos importados!). Todavia o empresário que optar por prestigiar a indústria nacional e comprar o equipamento do tradicional do fornecedor personagem desta história  ira se deparar com uma boa e uma má noticia. A boa é que a empresa agora dispõe de equipe de montagem e manutenção, a ruim é que uma obra que utilize o equipamento por 24 meses gastará ao menos 1/3 do valor de um equipamento novo pela prestação dos serviços. Um roubo! Detalhe, neste caso não adianta afirmar que o cremalheira é simples e seguro, a manutenção é obrigatória.

Como se muda a cara da indústria brasileira e em especial a da construção civil desta forma?

De um lado as secretarias de trabalho obrigam as construtoras, movimento que vem ocorrendo ao menos em parte do território nacional, a trocar um equipamento que até a pouco servia muito bem a todos, desde que bem cuidado e conservado. De resto é importante dizer que o cremalheira, embora mais simples em todos os aspectos que o à cabo, exige uma serie de requisitos e preliminares, por exemplo reforço de estrutura no local de apoio, que se não tomados podem causar sérios riscos à obra e as pessoas. Esta possibilidade de falha aumenta quando empresários que não dispõem da cultura do novo são impingidos a praticá-las e não o fazem por opção de melhoria do processo.

De outro lado os fabricantes, que em vez de gastarem com campanhas de conscientização e divulgação dos benefícios técnicos da tecnologia evoluída vêm na portaria do ministério a oportunidade ideal de “Tirar um naco” ou“plus” em serviços de um equipamento que está longe de ser descartável.

Uma desgraça que uma mudança que seria para o bem acabe semeando desconfiança!

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