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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de cada dia .

No valor de 19 de novembro , acho, a notícia de que o CADE aprovou a venda de 30% dos ativos da Holcim no Brasil para que seja viabilizada a fusão com a Lafarge em solo nacional , a que cria a maior cimenteira do mundo. Aquela que adquirir os ativos se tornará a quinta maior cimenteira brasileira. Importante dizer que a aprovação da fusão não tem relação alguma com a multa milionária que a multinacional sofreu no início do ano em virtude de sua participação no cartel do cimento. Lembrando que a lafarge não foi punida pois aceitou fazer acordo com o órgão antes no decorrer das investigações .
Semana retrasada , 12 de novembro , o CADE não aceitou a compra dos ativos da argentina Solvay indupa pela Brasken . Tivesse aceitado teríamos no Brasil um único fornecedor de PVC para todas as empresas . Em defesa da fusão a Brasken alegava que a fusão deveria ser visto como um movimento em nível mundial e não local , o órgão não aceitou a justificativa .

Tratamos destes dois assuntos em outros posts aqui no blog .

Chamando para a porrada.

Ontem , 19 de novembro , no Jornal Nacional , advogado que defende um dos empreiteiros presos na operação Lava – jato informa que “todo mundo sabe que no Brasil uma construtora tem que pagar por fora para obter obra , seja em grandes centros ou em prefeituras de quatro funcionários “. Cabe às entidades representativas de classe esclarecer à sociedade se concordam com a afirmação , e , em concordando , esclarecer porque assim acontece, não comentar significa, ao meu ver , concordar e não ter como explicar .
Editorial do Estadão de 18 de novembro chamava a atenção para o fato da lei anticorrupção , aprovada no congresso em 2013 , ainda não ter sido promulgada , ou oficializada (perdão se não escrevo o nome correto) pela presidência. A letargia na ação faz com que , por exemplo, os crimes eventualmente comprovados contra os empresários não sejam imputados também às empresas , conforme prevê a tal lei. Isto ,e mais uma desnecessária preocupação com o fato de termos obras paralisadas caso tais empresas sejam consideradas inidôneas , pode fazer com que percamos a oportunidade de darmos uma solução realmente séria para esta história de corrupção em obra pública .
Se não se dizer nada de realmente efetivo vamos terminar esta história toda com duas verdades incontestáveis ;
1. Rouba-se no atacado e no varejo , metrópole ou vilarejo.
2. Se você é grande demais nunca será punido devidamente , pois o efeito disto em termos de paralisação de obras ou outras consequências justifica a impunidade.

Houve um tempo .

No momento em que o formato de concorrência para obras públicas é colocado na berlinda em virtude do estrago causado pela deflagração da operação lava jato ,conto uma história antiga para mostrar em que houve sim tempo em que se podia confiar …
Era final da década de 1980 e o mais importante banco público do pais abria inúmeras agências bancárias por toda a cidade de Brasília , primórdios dos serviços automatizados aos clientes , não havia como licitar e construir tanto em tão curto espaço de tempo , então o diretor geral de engenharia chamava aquelas empresas em que sabia poder confiar , passava a nossas mãos os projetos e especificações técnicas das ditas agências que precisava entregar e nos exigia o prazo , na seqüência executávamos a obra , no prazo combinado, preparávamos a planilha de custos , lançávamos o B.D.I (Bonificação e despesas indiretas) , entregávamos a proposta ao departamento técnico do órgão , que então a analisava ,criticava o que julgava necessário , e finalmente nos pagava pelo serviço prestado.
Ganhávamos todos com a confiança e respeito mútuos.

Aprender na dor.

Não tem como deixar de tratar do assunto da hora . Do dito “mensalão” um dos poucos que continua preso , e ficará por bastante tempo, é o representante da iniciativa privada. É provável que para que ocorra o que está acontecendo agora a sentença de então tenha sido pedagógica.
Vai se aprender da pior maneira que por mais rico que seja o empresário a corda continua rompendo no pedaço mais “fraco” . É possível que não haja no Brasil aquele que lidou comercialmente com o governo sem que tenha tido em algum momento da vida de pagar alguma taxa extra.
Há aqueles que contrários a tal situação deixaram de executar obras para órgãos públicos , há os que gostariam de assim também fazer , mas precisam destes contratos para tocar a empresa e a vida , e deve haver aqueles que, mesmo sem precisar de tal subterfúgio , dele se utilizam.
A utilização de contratos de obras públicas para fina não republicanos é uma das principais causas da queda da qualidade das mesmas. Foi responsável , por exemplo, pelo desaparecimento das boas subempreiteiras de instalações ,cujas planilhas, inalcançáveis pelas composições padrão de preços , acabam tornando-se porto seguro para mal feitos . Pior é que sabemos que a solução passa longe da vitória do menor preço, conforme prescreve a 8666 , até porque preço baixo não elimina possibilidade de cobrança de taxa extra .
Na Folha de 16 de novembro o advogado famoso alerta que o Brasil para se as empreiteiras acusadas forem consideradas inidôneas , o repórter que tuita a matéria pergunta “…e dai?” , chantagem certamente não será a melhor resposta desta vez.

Currículo

Em termos de m2 de área construída a lista divulgada é imbatível.

A falta que uma caixa de água de 500 litros faz…

Se tivesse que utilizar um indicador relacionado à construção civil que fornecesse uma ideia do atraso de desenvolvimento da população brasileira  , qual seria um contundente? Falta de esgoto ou moradia com certeza. Mas, um bizarro surgiu ontem, 13/11, em reportagem da Folha, descoberto em virtude da escassez de água pela qual passa o estado de São Paulo.

Segundo a matéria “O secretário Mauro Arce (Recursos Hídricos), em depoimento na Câmara, responsabilizou nesta quarta (12) consumidores que não atendem norma técnica de ter caixa-d’água com capacidade para suprir a demanda da família por 24 horas”. A população reclama de ter sido avisada sobre a importância da caixa de água apenas depois da crise, agora , segundo um dos moradores entrevistados “Até o balde que eu fui comprar um dia desses está mais caro.”

Exemplos como os da matéria da Folha reforçam a importância de uma construção, mesmo a simples, ser bem assistida tecnicamente. Pelo que se denota , trata-se de uma região da cidade onde os moradores contam com moradia e infraestrutura, todavia , até por prioridade orçamentária, abrem mão de um item tão essencial para o imóvel, cuja falta pode dar um transtorno e tanto.

A propósito , numa única pesquisa cotei em Brasília caixa de água em PVC de 500 litros a  R$ 220,00 e em São Paulo a R$ 250,00.

RDC no DNIT , vai ser difícil segurar.

Na terça dia 11 de novembro matéria na Folha tratando positivamente o Regime diferenciado de contratação (RDC). Certo que baseado no depoimento do diretor geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Tarcísio de Freitas, mas baixar de 378 para 63 dias a velocidade média de contratação, adiantar em seis meses a construção de um túnel na desgraçada da BR 101/SC, ou em hum ano trecho de 73 km na BR 103/MT, importante para escoamento da safra agrícola, tocar 225 contratos sem qualquer aditivo são marcos a comemorar.

Coincidentemente, no mesmo dia, conversando com engenheiro experiente e sério que há anos trabalha no  do órgão percebi que sua opinião também é favorável ao regime.

Deve ser visto o lado das empresas de menor porte , as quais, de acordo com as entidades representativas de classe ficam alijadas deste processo, o que não pode ocorrer. A questão é candente para a população que quer ver seu dinheiro bem aplicado. Na Folha do dia seguinte a carta do Painel do leitor diz muito…

“Estávamos precisando desta visão realista/otimista do país, independente de filiações partidárias (“Brasil que dá certo”, 10/11). Chamou-me a atenção uma medida tomada no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), de caráter óbvio: não fazer obras sem projeto, pelo sistema RDC (Regime Diferenciado de Contratação). Com isso, foram reduzidos prazos de execução contratuais e valores dos aditivos contratuais, e os bloqueios do TCU zeraram. E a corrupção, principal obstáculo para o Brasil andar, reduziu.”

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