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Seca Brava

O XII Fórum Técnico Gestão do Processo Construtivo , que este ano tratará do “Legado Técnico das Obras dos Estádios” e será realizado no próximo dia 05 de novembro, quinta-feira das 08h00 as 17h00 no auditório do Sinduscon DF, conta até o momento com um número reduzido de inscritos.

Certo que perdemos o “timing” e deveríamos tê-lo realizado às vésperas da copa do mundo, quando as arenas eram notícia, todavia a baixa participação está ligada também ao número divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que mede o Índice de  Confiança do empresário do setor . Segundo o Valor on line o indicador teve  queda de 14,8% no trimestre que termina em outubro em relação ao mesmo período do ano passado e se levarmos em conta “os outubros” , o tombo é ainda maior, de 19,9%.

Pior que o índice de confiança só o de expectativa , que caiu 16,5% no referido período e 21,0% “noutubro”. Segundo a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção da FGV/Ibre, os empresários reclamam da demanda insuficiente como principal fator limitante de melhoria, tanto em obras privadas , quanto nas de infraestrutura.

Não tá fácil para ninguém , mas ao menos no que diz respeito ao fórum , podem confiar, que confirmaremos a expectativa.

Esperando a chuva.

No Estadão de hoje, 27/10, a informação d que o nível de emprego na construção civil em 2014 caiu em 1,22% em relação ao mesmo período do ano passado, motivo, queda na atividade do setor imobiliário, no caso da região centro-oeste a situação é um tanto pior pois foi a única que apresentou variação negativa no indicador no mês de setembro em relação a agosto deste ano.

Enquanto o mercado permanecer em ritmo mais lento  seria bom que o empresário procurasse pensar em possibilidades de reciclagem e capacitação para ele próprio, funcionários e fornecedores . Sei que é um tanto paradoxal o convite, mas é fato que muitos de nós evita dispensar aqueles prestadores de serviço nos quais investimos bastante e  na semana passada o Sinduscon-DF ofereceu três boas opções para escolha;

A primeira é participação da empresa na Cooperativa de Compras, possibilidade que garante, via de regra, à pequena e média empresa as mesmas condições comerciais oferecidas às grandes empresas a partir do momento em que o grupo de cooperados se junta para executar a compra coletiva. No caso de Brasília, construtoras têm conseguido adquirir insumos básicos, como aço, cimento, concreto e areia a preços que não seriam possíveis se cada uma delas negociasse separadamente.

A segunda opção tem a ver com o futuro de curto prazo. Trata-se da capacitação da equipe técnica no Building Information Modeling (Bim), o qual, muitos de nós pensávamos se tratar uma mera evolução da plataforma de desenho eletrônico em 3 D, na verdade “é uma solução para obtenção de informações”, segundo as palavras de um dos palestrantes do seminário, em virtude de poder ser utilizada desde a execução e compatibilização dos projetos, até a elaboração do as built da obra, só que com o grau de informações bastante superior, podendo ser utilizado como orçamento, planejamento, planilha financeira, fonte de dados para novos projetos. O trabalho com BIM ainda é recente no país e pode servir tanto para melhorar a qualidade da obra pela construtora, quanto para elevação da produtividade da equipe administrativa e operacional. A Câmara Brasileira da Construção (CBIC), através de seus sindicatos afiliados, tem interesse de que o BIM possa ser democratizado entre pequenos construtores também, para que estas não fiquem alijadas deste importante avanço tecnológico, processo ainda caro e complexo de ser implementado solitariamente.

Por fim a última opção de investimento se refere ao “encadeamento produtivo”, parceria entre Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Micro Empresa (Sebrae) em parceria com a Odebrecht , nos moldes de outras similares já efetivadas pelo Sebrae com grandes empresas em outros estados , e especificamente em Brasília com a Gerdau, e que visa a capacitação de ao menos 30 empreiteiros subordinados à construtora e que também atendem a outros clientes em Brasília. Em linhas gerais o projeto tem como intuito de profissionalizar a gestão da pequena empresa, que em muitos casos domina a parte técnica do serviço , mas é completamente descontrolada no que se refere ao setor administrativo , situação que se reflete em baixa qualidade na prestação de serviços.

Capacitado ou não será duro para o empresário do setor enfrentar as dificuldades que parecem virão, mas é melhor capacitado.

Para começo de conversa

O PMCMV foi o maior programa do governo atual em minha opinião , além de ter sido um passo importante no caminho da diminuição do déficit de moradia ajudou bastante a movimentar o setor da construção civil , um dos mais importantes da economia , inclusive dando condições para que empresas de menor porte pudessem crescer. Não foi o único grande acontecimento é claro, mas dependêssemos só dos bons ventos da bolsa de valores praticamente só as grandes construtoras teriam surfado na onda de crescimento do setor , que aliás , já se foi.
Lembro da noite em que o então presidente do país nos contou num Encontro da Construção Civil (Enic) , realizado na cidade do Rio de Janeiro, como surgiu o programa, pareceu que foi muito na “galega”. Pode ter um tanto de folclore , mas não duvido que tenha sido meio inspiração e meio chute, como tantas coisas aqui no país. Fato é que também por isto o programa tem varias mazelas, escutamos histórias sobre como costuma ser assaltado por burocratas, políticos e empresários , tem dois pesos e duas medidas à medida que do empresário legalizado cobra demais e fecha os olhos para o arrivista, poderia pagar melhor a quem constrói direito, deixar de competir com o mercado tradicional ,cobrar mais empenho de prefeituras nas parcerias, melhorar a qualidade da moradia, que deveria aguentar pelo menos o tempo do financiamento…
Tem forte potencial revolucionário se fizer mesmo questão de inserir a obrigação do casamento entre esgoto e moradia, a prefeitura só teria acesso aos benefícios do programa se deixasse pronto na frente à infraestrutura , do contrário nada, ai andaria para valer.
Ao contrário de milhares de imóveis construídos pelas construtoras como um todo que continuam estocados à espera de compradores, o PMCMV não conseguiu entregar a meta pretendida. Harmonizar o empreendedorismo da iniciativa privada à demanda social premente parece ser uma “boa conversa ” a ser levada pelo novo governo e representantes do setor da construção civil.

Esperando cair do céu

Hoje pela manhã a boa notícia , O Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Micro Empresa (Sebrae) em parceria com a Odebrecht Imobiliaria dão início ao projeto denominado “encadeamento produtivo” com o qual esperam elevar o nível de capacitação gerencial de ao menos trinta fornecedores , em sua maioria pequenas empresas, que embora tenham o domínio da técnica perdem bastante com a desorganização gerencial.
A viabilidade financeira do projeto se dá com o aporte de 70% dos custos pelo Sebrae, 20% pela construtora e apenas 10% pelos trinta fornecedores, dentro daquela ideia de ser importante cobrar um tanto para que o inscrito valorize o projeto.
O sinal amarelo é dado pelo gerente da Odebrecht ao narrar experiência idêntica ocorrida em obra do grupo na cidade de São Paulo , onde a empresa , no intuito de colaboração, optou por pagar a conta dos empreiteiros e estes , no decorrer do trabalho largaram o projeto.
Hoje no facebook de um amigo empresário da construção imobiliária o pedido à qualquer um que seja eleito presidente que dê atenção às pequenas e médias empresas.
Mais do que a Odebrecht ajudou e não quiseram ?
Somos acostumados a esperar muito do próximo governador ou presidente e não nos organizamos enquanto sociedade para fazer muito nós mesmos por nós mesmos, parece que sempre procuramos um “bolsa família” para cada um, Sebrae ajudando , Odebrecht ajudando , tanta empresa pequena precisando capacitação e desistem do curso. Como disse o gerente do Sebrae ,Alexandre de Sá, hoje pela manhã , “o problema é vencer a barreira da cultura “.

O BIM e o Caos

Do evento de hoje, 23/10, que  tratou dos primeiros passos em BIM , algumas importantes constatações que considero interessante expandir;

A indagação do professor Ricardo Mendes Jr, ainda no início de carreira profissional, acerca de como no meio do caos que é uma obra conseguimos entregar uma obra no prazo sem a ajuda de nenhum software sofisticado. Resolver tal dilema levou-lhe ao exterior para aprofundar conhecimento em engenharia de produção área que segue até agora. Mas de fato como é que conseguimos? Precisa mesmo de um  MS Project, ou bom senso, raciocínio e responsabilidade já não seria o bastante.

Um empresário participante do evento ajudou a desenrolar o fio da meada. Na sua empresa o processo de obtenção das informações já flui bem, recebe do projetista desenhos com as informações em 2D, repassa-os ao orçamentista que por sua vez entrega planilhas detalhadas de composição e custos, neste caso, se vir a adotar o BIM terá boas chances de ser feliz, pois seu fluxo de obtenção de informações já funciona da forma correta, o BIM só viria a agregar valor, e muito, ao que já é bom.

Parece simples , mas a história acima serve para ilustrarmos a maneira  errada de se optar pelo BIM ou qualquer outra ferramenta com potencial de ajudar a empresa a aprimorar o processo de gestão, se o fluxo de obtenção de informações é falho não será o BIM que o consertará. E por falar nisto, um esclarecimento necessário que tivemos no encontro é que o BIM ” é uma solução para informação e não para projeto”, neste sentido é como se fosse uma plataforma onde todos os envolvidos no projeto, construtor, fabricante e projetista, podem e devem interagir para dele obter o máximo possível, é ativo e não passivo como um projeto em CAD, desta forma uma construtora que opte em trilhar por este caminho terá de fato de investir em um “kit básico”, o cuidado a se tomar é o de  não caír nas mãos de aproveitadores ou de meros vendedores de programa.

Uma coisa que pensei quando o palestrante Bruno Mota apresentou o slide da interação necessária entre construtor, fabricante e projetista no universo BIM é que o sucesso da Norma de Desempenho NBR 15575 passa fundamentalmente pela mesma interação, coisa boa atrai coisa boa…

Mas como é que é mesmo que conseguimos entregar uma obra no prazo em meio ao caos? O professor não respondeu, respondamos cada um de nós então.

Norberto Odebrecht

Em julho deste ano morreu outra grande figura da Construção Civil Brasileira , o Engenheiro e empresário Norberto Odebrecht fundador do grupo Odebrecht e era para tê-lo homenageado aqui no blog , mas acabou passando, corrijo agora.

Uma vez a Odebrecht foi convidada a falar da sobre contratação de fornecedores em um evento direcionado a pequenas empresas no Sinduscon DF, gostei da forma com que se portaram e desde então sempre os convido a palestrar quando julgo ser   agregante a participação da empresas, fora isto passou a ser uma das empresas que sempre ajuda nos projetos desenvolvidos na comissão.

Para o XII Fórum Técnico, que neste ano será realizado em 05 de novembro ´de 2014 e  tratará do “legado técnico das obras dos estádios para a construção civil brasileira” , convidei-os  pela razão óbvia de terem executado alguns e depois de nos pedir um prazo para verificar quem seria a pessoa adequada a tratar do assunto o gerente comercial do grupo, Sr Luiz Gadelha, enviou um email em 07 de outubro lamentando não poder indicar ninguém desta vez , mas se colocando a disposição para qualquer eventualidade. Fiquei em dúvida se me respondia que na falta de outra pessoa ele iria , ou se declinava do convite desta vez e pedi a minha assessora que checasse com ele a posição assumida, que por fim era a de desistência mesmo.Dúvida sanada não me dei ao trabalho de responder o email, mas no dia 21 de outubro recebo uma ligação do referido gerente perguntando se havia recebido sua mensagem e mais uma vez se justificando, agora pessoalmente, por não poder nos ajudar na referida ocasião.

Duas semanas após não ter obtido retorno de minha parte o gerente comercial da Odebrecht , com todas as atribulações que tem, entra em contato para se justificar. Gostei do respeito demonstrado e na mesma hora pensei no tanto que o banco do qual sou correntista gasta em horário nobre tentando  forjar uma imagem, que lá na ponta seu gerente teima em queimar.

Exemplo que preocupa.

Já repercutimos algumas matérias envolvendo o consórcio Inframérica , vencedor da concorrência para gestão dos aeroportos das cidades de Brasília e São Gonçalo do Amarante no Rio Grande do Norte,aqui no blog; a preocupação das grandes empreiteiras com a vitória de um consórcio tido como pequeno para tamanho desafio, a entrega da obra no prazo determinado , os problemas do pós obra, quem tiver interesse é só digitar a palavra chave.
Neste sábado , 18/10, o Estadao publicou matéria na qual informa que o consórcio está inadimplente em quantia superior a R$ 70 milhões de reais com uma série de fornecedores que prestaram serviços num e noutro aeroporto, a situação parece ser grave e já há mais de 40 pendências comerciais e 200 protestos de títulos no cadastro do Serasa Experian. O consórcio informa que a dívida é real , mas mínima em relação ao montante desembolsado, mais de R$1,5 bilhão de reais , para dar conta do prazo. Explica, mas não justifica…
Não justifica porque , em primeiro lugar conseguiu financiamento superior a R$ 1,1 bilhões de reais junto ao BNDES, em segundo lugar este pouco significa muito para os prestadores de serviços , 32 empresas do Rio Grande do Norte estão passando por dificuldades financeiras , que tiveram de se esforçar também para ajudar o consórcio a dar conta do recado, segundo a matéria houve uma reunião entre as partes ainda no decorrer das obras e o consórcio pediu , e obteve, um voto de confiança dos empreiteiros , mas para a sociedade o que pega mais é o terceiro lugar…
O terceiro lugar tem a ver com o fato de nestes últimos dez anos a economia brasileira ter sido pródiga em deixar bem mais ricas as grandes empreiteiras nacionais o que aumentou bastante o fosso entre este grupo e o das pequenas e médias ,as quais por sua vez têm chiado bastante com a perda cada vez maior de espaço nas concorrências públicas de destaque , há bom exemplos de soluções criativas como a formação do consórcio Planalto para vencer a licitação da BR 050 (tem post aqui sobre o tema), mas a realidade que se impõe é que um estado paradoxalmente cada vez mais pobre vai se tornando cada vez mais dependente dos serviços prestados pelas ricas empreiteiras, até projetos estão sendo solicitados.
A dificuldade enfrentada no momento pelo consórcio Inframérica serve para reforçar aquela história ” Não disse…”, e o outro ” Pois é…”

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