Faroeste Caboclo
Ate o inicio do mês de maio não havia nada ali.
De tanto solicitar atenção o topógrafo finalmente sensibilizou a equipe técnica de que sem muro de contenção não haveria como a rampa metálica construída para vencer uma altura de 6 ml se apoiar em topo seguro, na verdade ficaria no ar.
Falta de projeto detalhado e desatenção na obra fizeram com que o problema só fosse atacado a menos de um mês da data de entrega da obra.
Desespero e desanimo nao levam a nada muito eficiente e a solução foi pensar na saída para executar o muro.
O professor calculista foi procurado e em dois dias tínhamos em mãos mais um daqueles valiosos A 4 valiosos, post, que vinham nos salvando a época das fundações.
Quase 60 metros de muita cortina coroada de 6 ml de altura, recheada de até 40 cm de largura de concreto e aço com bitolas variadas, todas na casa da dezena (quase dezenas), apoiada em uma centena de estacas de 40 cm.
Desespero e desanimo não levam a nada muito eficiente e a solução foi pensar na saída para executar o projeto.
Importante frisar que as novas fundações seriam cravadas a centímetros de distancia dos blocos já concretados e prontos para receber os pilares da rampa metálica.
Desespero e desanimo nao levam a nada muito eficiente e a solução foi pensar em como executar uma sem danificar outra.
Deslocamos o centro das estacas 10 cm para o lado e deu-se inicio a cravação das mesmas, processo que se estenderia mais que o desejado dado as previsíveis interrupções causadas pelos indefectíveis estragos na perfuratriz.
Tínhamos claro que somente a tecnologia poderia salvar e enquanto cravávamos estacas lembramos de que a sapata poderia vir cortada, dobrada e montada para a obra o que representaria boa economia de tempo já que a um mês do termino de obra, possuíamos apenas 04 armadores no canteiro.
No dia em que a sapata chegou toda montada, ponteada com solda, portanto sem nenhum arame recozido lamentamos não ter optado para que toda cortina viesse também montada assim o que livraria nossos pouco armadores da incumbência de criar uma floresta de 6000 x 40 cm de extensão composta de “árvores” com caule de largo diâmetro.
Mas como armação acompanha e não serve de “batedor” na estrutura fomos caçar solução para resolver a questão do mais provável candidato a vilão, as formas da estrutura.
Para as formas nenhuma duvida de que a melhor solução eram os painéis prontos, todavia gostaríamos de uma solução que permitisse a concretagem da cortina em 01 dia apenas, mas 60 x 6 ml pode?
Talvez ainda não, mas quando nos foi apresentada o projeto da fornecedora que utilizaria painéis com altura de 03 ml apenas reclamamos…
-Porque nao 06 ml de altura de uma vez?
-Vai contra a norma técnica! Os painéis não são projetados para tanta carga.
-Revogue-se a norma então!(brincadeira J)
Ponderamos que se utilizássemos concreto auto adensavel o risco de rompimento das formas se reduziria.
Para piorar a situação a engenheira projetista reforçou a opinião dos carpinteiros, que são os que dominam a arte, de que realmente era necessário fazer uma viga de apoio para nivelamento dos fundos da placa que se apoiariam nas sapatas com aquelas que se apoiariam nos blocos já concretados da rampa metálica (Lembra-se do inicio da história? A contenção ficaria a poucos cm dos blocos da rampa já concretados e a proximidade de ambos estrovava a inserção dos painéis).
Desespero e desanimo não levam a nada muito eficiente e a solução foi pensar numa forma (com acento agudo no”o”) de darmos inicio à execução da forma( com acento circunflexo no “o”).
Conversamos com o calculista e ele foi categórico em afirmar que ficássemos satisfeitos em Concretar a uma altura de 3 ml com concreto auto adensável, mas 6 ml nem pensar.
Autorizamos que fosse feito então o “pé da cortina” para melhor alinhamento das placas e já havíamos dado como perdida a batalha dos 06 ml de concretagem quando ao final da tarde o calculista telefona informando que “06 ml com concreto auto adensavel era viável!”.
Havia consultados especialistas em SP e Goiânia, onde auto adensavel já não e mais apenas moda, que o tranqüilizaram mostrando que o mundo hoje permite excentricidades como estas.
Com a sorte virando a nosso favor entremos em contato com a concreteira que prontamente se mostrou favorável a ideia e nos passou um orçamento pra lá de razoável, noticia alentadora e auspiciosa, pois mostrou que o preço desta inovação tecnológica já se mostra competitivo.
Com o parecer favorável do calculista tornamos a perguntar ao pessoal da forma se poderíamos concretar com 06 ml de altura.
Eles concordaram, todavia deveríamos utilizar painéis de 2,70 ml de altura, mais robustos que as placas de 1, 50 ml e portanto mais indicados para a empreitada. Taís painéis foram recém utilizados na obra do estádio Mane Garrincha, o que viabilizou a importação da tecnologia ,exclusividade de Europa, Oriente médio e EUA ate então( Também neste caso valeu a pena gastar 1 bilhão de reais pelo estádio).
Todavia havia um porem…
Como este tipo de painel é pouco utilizado fora do eixo Rio São Paulo o material fica por lá e para trazer a novidade de volta para a capital seria necessário muito capital de frete sem contar que levaria ainda pelo menos três dias para serem entregues…
…Impossível
Não daria,e então a solução seria uma mistura de concreto auto adensavel e painéis de altura padrão, porém…
Mais um, porém…
Não havia numero suficiente destes painéis para atingirmos a meta que tínhamos na cabeça, completar a cortina em 4 dias ,ou em 04 concretagens sucessivas e em dias corridos.
Trabalharíamos com o que tínhamos em mãos até encontrar outra solução.
A solução foi implorar…
Por favor
Ao fornecedor
Para fabricar
E enviar
Tudo o que pudesse dispor …
E enviou
No segundo dia da concretagem recebemos mais um tanto de placas
O que ajudou
No primeiro dia de concretagem com o auto adensavel a concreteira exagerou na quantidade de aditivo e o concreto fluiu como água e vazou por algumas frestas como vaza água em barco de casco furado, mas fechamos o dia quase dentro da marca.
Acontece que a chuva que havia dado um tempo a dias naquele resolveu dar as caras. Choveu tanto e tanto fez frio naquele dia, o que contribuiu para retardar a perda de efeito do aditivo e no dia seguinte, ao tentar desformar a cortina, quase deixamos vazar concreto ainda em estado semi sólido.
Já dissemos que o número insuficiente de placas dificultava a tarefa de concluirmos o processo em 4 dias, era planejar e executar ao mesmo tempo o que convenhamos nem sempre é a melhor solução, mas a cortina começava a se formar , mesmo que da maneira como a arcada dentária começa a se formar, com dentes aqui e acolá.
Lembramos que em outro de nossos canteiros também se concretava e telefonamos para o engenheiro de lá para saber se havia algum destes painéis em disponibilidade. Havia e mandamos buscar 37 placas que faltavam , o bastante para que a dentição da cortina pudesse ser completada, agora só dependia da equipe se organizar.
E nos organizamos. De quarta a sábado conseguimos cravar 330 m² de cortina de 60 x 06 x 0,4, em concretagens marcadas sempre ao final das tardes daquela semana excepcionalmente fria do centro oeste. Processo que transcorreu no ritmo de ponteiro de relógio, graças à tecnologia empregada e compromisso da equipe.
Roteiro adaptado. Se queríamos mesmo concluir a cortina em 4 dias teríamos que atender a sugestão da equipe de carpintaria e alterar o projeto de estrutura , que previa largura de 40 cm no pé e 25 cm no topo da cortina. Em vez disto optamos por manter uma largura constante de 40 cm em toda altura, gastaríamos mais concreto mas economizaríamos em tempo de mão de obra.
A experiência tratada acima mistura ou agrega o que de melhor nos fornece a tecnologia aplicada e a tradicional.
Não poderíamos ter atingido a meta proposta sem a existência de formas prontas, aço cortado, dobrado e montado, concreto auto adensável e equipamentos como o manipulador telescópico.
Todavia, valeu tanto quanto os processos acima uma reunião preliminar com toda equipe envolvida, notadamente carpinteiros e armadores, onde debatemos todo o roteiro, solicitou-se compromisso e sugestões de aperfeiçoamento para atingirmos a meta prevista. Além disto, contamos com o forte compromisso das empresas parceiras de fornecimento dos insumos envolvidos, o que foi determinante, parceria e confiança em vez de uma mera relação de formalidade.
Por mais que evolua a tecnologia o belo para quem trabalha em obra, ainda é o convívio com a gente que as aplica no canteiro de obras, do fornecedor à equipe de produção, aqueles que puderam aliar a dádiva que é tal interação de gente e tecnologia, trilhará o melhor dos mundos e sempre será grato em ter optado por engenharia na vida profissional
Estudar
Do Seminário Durabilidade e Vida útil das Edificações realizado na semana passada em Brasilia poderíamos tirar uma série de ensinamentos. Algumas frases pronunciadas pelos excelentes palestrantes serviriam mesmo para desenvolvermos algumas teses acerca do estado de coisas atuais na nossa área.
Aquela que achei mais interessante talvez seja o conselho mais antigo e batido, “a necessidade de se estudar”.
Logo na abertura o vice-presidente Luis Carlos Botelho do sindicato lamentou o fato de não ter tempo suficiente para participar de tantos seminários e palestras técnicas quanto gostaria e na palestra de abertura o professor Vanderlei John da politécnica de São Paulo foi categórico; “conhecimento se adquire estudando e não fazendo” e complementou aconselhando que quem se fia apenas na prática na verdade está se estagnando.
Acredito que nunca tenhamos tido a nosso alcance tanta literatura técnica de qualidade facilmente disponível ou a nosso alcance, e na nossa língua. Livros, teses, Normas técnicas acessíveis pela internet. Em que pese o custo ainda elevado deste material, boa literatura é disponibilizada gratuitamente. Não bastasse isto catálogos técnicos dos fornecedores também podem ser acessados pela web.
Outro aspecto levantado pelo palestrante Fabio Pannoni, pessoalmente, é que os autores destas publicações são “facilmente encontrados” através de telefones ou emails e, portanto, distancia não é mais nenhuma barreira, ou desculpa.
Pudemos verificar nas quatro palestras seguintes à do professor da Poli que há uma gama enorme de produtos, processos construtivos e fontes de consultas que efetivamente podem facilitar o trabalho do profissional de construção civil nos canteiros de obras, basta que para tanto sejam curiosos o bastante.
O professor Luis Carlos Pinto Silva Filho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul mencionou em determinado momento durante sua palestra que o concreto produzido hoje em dia é de padrão muito superior ao do passado graças a inúmeras pesquisas elaboradas por anos em diversos laboratórios pelo mundo afora, todavia é importante complementar que também nos dias de hoje a probabilidade de utilizarmos um produto não conforme é mais elevada que antigamente e somente um profissional melhor preparado tecnicamente terá condições de aproveitar o que de melhor existe no mundo da engenharia hoje e não sucumbir no que de pior pode encontrar.
Na ultima palestra a engenheira Vera Hachich mostrou a plateia de forma didática e resumida o passo a passo de ensaios em laboratórios que servem para certificar a qualidade técnica de um produto. Provocada sobre a viabilidade de tal procedimento nas obras ela retrucou de forma bastante simples que o profissional deve sempre contar com o benefício da dúvida, nunca acreditar piamente nas informações que são passadas pelo fornecedor, questionar a legitimidade delas, pesquisar para confrontar se o que foi dito de fato é procedente. Resumindo , método científico puro que pode ser praticado por qualquer cidadão de bom senso.
Nossa preocupação é que passamos no mundo de hoje por uma grande contradição. Embora tenhamos a nosso dispor uma gama infinita de opções para praticar uma engenharia mais avançada tecnologicamente o profissional da construção civil de forma geral, não se preparou adequadamente para aproveitar melhor o que este mundo novo lhe oferece. Falamos do profissional formado tanto em universidades ou faculdades privadas quanto nas melhores públicas.
Pode ser que o “mal” que assola nosso setor aqui, seja um dos que assola a sociedade moderna como um todo, o desejo de ganhar bem sem se esforçar tanto. No nosso caso a situação é pior, pois o nosso dia a dia por si só já é bastante estafante e exigir dos nossos profissionais o mesmo empenho no estudo talvez seja pedir demais…
…Todavia é isto mesmo que deve ser feito!
A seguir um resumo rapido de assuntos abordados no Seminário de durabilidade e vida útil realizado em Brasília no dia dez de maio.
Friso que pode haver alguma distorção entre o que escrevo e o que de fato foi dito pelo palestrante.
Maria Angelica
Por muito tempo quem constrói tem responsabilidade sim pelo que
Construiu.
O conceito de vida útil engloba uso e manutenção.
Brasilia é uma cidade que por si só deixa claro conceito de vida útil.
Um predio tem que pelo menos se comportar bem durante toda o período em que é financiado.
Vanderlei John
Conhecimento adquire se estudando e nao fazendo.
Tudo que é construido se degrada. É um processo inevitável mas previsível.
Nada pode parar o processo de degradação mas depende da gente frear o processo. Um aço virará ferrugem em milhões de ano ou em um ano.
A resistência de uma maçaneta de escola nao pode ser a
Mesma da de uma residência.
Nossa engenharia nao aborda aspectos do microclima, incompatibilidades físico químicas.
Desempenho cai com o tempo.
Vida útil é o momento do qual o desempenho nao é mais aceito pelo usuário portanto é conceito bastante variável.
Cabe a nós entender o que o usuário quer e fazer com que o desempenho seja satisfatório.
A falta de manutenção causa impacto.
Exemplificando falam em 10 anos de vida útil para lampada mas nao informam que se refere a ligar a lampada e deixa-la 3 horas acesa , se deixar menos tempo, o que de fato ocorre, a vida útil cai bastante.
Durabilidade é detalhe. Meio centímetro de recobrimento pode aumentar a vida útil em 50 anos.
Vida útil é projeto, mas da escala 1: 10.
Morre mais gente com queda de reboco no Brasil do que de queda de predio.
Brasilia tem uma paixão por fachada com cerâmica e o tempo é de sol e seco, há países que nao aceitam cerâmica na fachada em predio de mais de três andares.
Nao basta dizer no projeto que o espaçamento e de 3 cm mas tem que mostrar o detalhe,
Sistemas como LEED desconsideram vida útil o que e uma falha.
Vida útil tem muito a ver com sustentabilidade.
No tempo de vida útil das lâmpadas normal a incandescente é mais economica que a fluorescente compacta.
Quem coloca a inovacao tem que me informar a vida útil , a da tradicional é conhecida.
A mudança da base de pigmentação química pela BASF na década de 60 para orgânica representou uma redução de mais de 50 % da vida útil da pintura de fachada.
Muito facil fazer porcaria fazendo redução da vida útil.
Precisamos exigir vida útil minima dos nossos materiais.
ISO. 15686 planejamento da vida útil na construcao, sera traduzido.
Vida útil e essencial para a sustentabilidade economica social e ambiental,
A construcao civil utiliza mais de 50 % dos recursos naturais da natureza e se tiver vida útil baixa impacta mais.
É responsabilidade coletiva de fabricantes, projetistas, construtores, usuários.
Há muito conhecimento disponível mas devemos estudá-lo.
john@poli.usp.br
Maria Angélica
Nao pensar apenas no custo inicial, mas no global.
Fábio Pannoni
O mundo extrai mais de 1 bilhão e meio de toneladas de ferro por ano, boa parte para repor o que foi corroído.
Para a fabricação de aco e necessario uma serie de outros elementos químicos que existem em menor quantidade no meio ambiente , alguns tendem a se extinguir.
O custo social de um estrutura que se degrada com o tempo é astronômico.
Concreto é o melhor amigo do aco.
Corrosão é um processo espontâneo e a natureza é sabia no sentido de reduzir a energia.
Ferrugem é aco + água +ar mas há aceleradores como poluição e cloretos,
A solução que sera dada ao aco para aumento da vida útil, galvanização e/ou pintura, impacta no custo da escolha.
O palestrante deu exemplo de uma boa opção estrutural em aco mas muito mal projetada em uma serie de termos, o que prejudicou a solução.
A melhor meodologia para determinação de vida útil é o atendimento as normas.
O calculista da infraero solicitou ao palestrante que desse duas opções para o tratamento do edifício garagem do aeroporto de Salvador, um bom e outro melhor ainda , para que fosse feita a manutenção somente apos decadas, a opção foi pelo melhor, muito mais cara mas que garantiria maior vida útil já que este é um problema serio para a infraero.
Manual de construcao em aco www.cbca-acobrasil.org.br
fabio.pannoni@ gerdau.com.br
Paul Houang
Telhas de fibra cimento sao bastante duráveis , algumas remontam a 1920, e nao é simples substituir um produto que da certo.
A saint gobain precisava substituir o amianto, altamente durável,por outro com mesma característica.
O trabalho para substituir uma tecnologia por outra leva anos, no caso do amianto quase dez anos e envolve uma serie de testes. Este trabalho levou ao surgimento de uma nova norma técnica para este produto.
Esta em andamento norma tecnica para monocapa.
Durabilidade de açao fungicida dos Rejuntamentos, desenvolvida pela quartzolit com base numa serie de testes de laboratórios com microorganismos catalogados , testes em fabricas da propria empresa, a diferença depois de 06 meses é grande.
Durabilidade de açao alcalina sobre revestimento, tambem uma serie de testes em campo por meses, inclusive comparando-se o caso brasileiro com o de outros paises.
Durabilidade da açao de atenuação acústica por impacto.
Declaração ambiental de uma argamassa colante feita na Europa por uma serie de concorrentes para um mesmo produto , esta declaração é divulgada é divulgada publicamente e registrada.
Paul.houang@ saint-gobain.com
Luís Carlos
Especialista em estruturas
Durabilidade é controlar as condicoes de tempo
O concreto que fazemos hoje durará muito mais que o de anos atras.
Na América do norte o impacto de custos na manutencao é de trilhões de dólares
Se nos concentramos em corrosão e fissuracao resolvemos muitos problemas.
Vamos instrumentar nossas obras, é barato!
Pensar em custos ao longo da Vida Útil
Em 10 anos teremos claro que agora com a Norma de Desempenho estamos começando uma revolução
Vera Fernandes
Apresentou o passo a passo do processo de testes para certificacao de um material.
Abordou diversos aspectos levados em conta na formulação do novo texto da NBR 15575
Ter duvida é fundamental e parte importante do aprendizado, nao se deve aceitar de forma acrítica as informações tecnicas do produto.
Garantia nao tem nada a ver com vida útil.
Duvide daquele produto que possui prazo de garantia longo(20 anos por exemplo) , normalmente os prazos dados pela industria para produtos similares sao parecidos.
O valor de 07 de maio publica matéria bastante afinada com o tema do Seminário de Durabilidade Vida Útil, programado para o dia 10 de maio próximo, quinta-feira, às 08h no Auditório do Sinduscon-DF, em Brasilia.
A matéria enfoca a evolução técnica dos materiais utilizados em diversos setores da indústria e dá enfoque especial à construção civil.
A introdução deixa claro que em “diversos processos produtivos, insumos derivados de plásticos especiais, fibras de vidro, polímeros e alumínio ganham espaço como substitutos de materiais convencionais – como madeira, borracha e ferro-fundido” e “paralelamente, na construção civil, estruturas pré-fabricadas de aço passam a substituir cada vez mais métodos tradicionais de alvenaria e madeira”.
A ligação com o Seminário pode ser feita ao lermos os títulos de algumas das palestras, “Desenvolvimento de Materiais e Componentes de Construção com critérios de Durabilidade” e “Disponibilidade e Organização da Indústria de Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos para Projeto e Construção com foco na Durabilidade e Vida Útil”.
A ênfase dada a novos produtos, tecnologias e processos construtivos ocorre em boa hora. Já que seremos cobrados, através da Norma de Desempenho, a atingir determinados parâmetros técnicos de qualidade técnica, desempenho térmico e acústico é bom que tenhamos uma gama maior de produtos para escolha. Um leque maior de opções desafia o departamento técnico das empresas a estudar ou pensar melhor os projetos que desenvolvem.
Nada contra as soluções tradicionais, afinal, não fossem pertinentes não estariam sendo utilizadas a séculos, todavia não podemos admitir que nossa indústria também não possa evoluir a exemplo da química, automobilística e outras.
A solução tradicional não deve ser nem menosprezada nem tampouco ser exclusiva. Há determinados tipos de obras ou situações onde processos alternativos e inovadores atingem o mesmo resultado que os tradicionais com menor custo financeiro e em menor tempo.
Outro aspecto abordado na matéria do Valor é o crescimento da demanda pelos produtos e o impacto na diminuição dos custos. Esta questão é importante de se debater, pois o cenário atual ainda não é favorável às empresas que, independente do custo da opção pelo novo, ainda não são bem atendidas pelos fornecedores de materiais e processos inovadores durante a execução da obra.
A matéria traz uma boa notícia para o setor da construção civil, “nos últimos anos, fabricantes de aço viram aumentar a concorrência de materiais alternativos, mas eles próprios passaram a desenvolver novas aplicações para seus produtos na construção civil. Isso ajuda a explicar como as estruturas siderúrgicas pré-fabricadas – sistemas conhecidos como “steel frame” – estão ocupando o espaço dos métodos tradicionais de alvenaria”.
A justificativa em adotar o processo inovador relatado na matéria poderia mesmo servir de mote para uma infinidade de outros, “dentre as vantagens do sistema está a redução do impacto ambiental nos locais de obras, já que a tecnologia permite economia de água e canteiros mais limpos. Há também uma economia de recursos naturais, porque o sistema não exige fundações tão profundas”. O método tradicional de construção, desde que executado de forma racional, também reduz o impacto ao meio ambiente.
Por fim, outro tópico que poderia muito bem ser abordado no Seminário diz respeito ao trecho da matéria a seguir, quando compara o steel frame com a alvenaria tradicional, “A tecnologia é mais cara do que a construção de alvenaria comum, com a diferença podendo alcançar 8%”. Na construção de uma obra durante a escolha de um processo construtivo nem sempre 2 + 2 é igual a 5.
Terceirização e precarização
Época de dissídio coletivo é importante tecer alguns comentários sobre a terceirização da mão de obra.
Voltando o foco sempre para a construção civil trata-se de uma importante forma de organização empresarial que deve ser estimulada pelo governo já que em essência é uma boa oportunidade da sociedade para formar micros, pequenos e médios empresários. Gente que pode aliar o espírito empreendedor ao domínio de alguma técnica especifica em beneficio da cadeia construtiva.
As dificuldades legais e fiscais existentes em nosso país dificultam bastante a vida dos empresários e isto não é diferente para o pequeno empreendedor. Manter uma empresa funcionando normalmente requer gastos elevados com taxas e impostos e apesar do bom momento pelo qual passa nosso setor não é fácil ter demanda constante de trabalho, a concorrência é grande e, infelizmente, o principal critério de escolha ainda é o menor preço.
Para evitar a quebra o pequeno empresário deixa de “fichar” seu empregado utilizando como moeda de troca a melhora do salário do mesmo já que economiza bastante ao não pagar até 180% de encargos sociais na folha.
A “mágica” acima até hoje não é compreendida por boa parte da mão de obra da construção civil, o que pudemos verificar quando durante uma reunião dos sindicatos dos empregadores e empregados para discussão do dissídio coletivo um trabalhador nos perguntou, sem nenhuma provocação, “_Porque o “gato” pagava mais que as empresas?”.
O desconhecimento da “mágica” acima é danoso para construção civil, atrasa ainda mais a evolução tecnológica e precarisa a mão de obra do setor.
O sindicato laboral, bem intencionado, quer combater esta situação empurrando o problema para o construtor e procurando dar ao empregado do “gato” o mesmo direito que o dado àquele que pagamos de acordo com a CLT. Não entende que nos obrigando a este tipo de acordo facilita a vida de quem faz o mal, seja ele o patrão do empregado não fichado ou aquele que o contrata.
Assim fica fácil, quem trabalha para o “gato” recebe mais que o fichado e o contratante ainda tem que ser solidário no caso de eventual descumprimento de acordo. Um alerta para todo aquele que faz uso destes procedimentos. Os operários que preferem trabalhar fichados estão atentos a estas situações e não gostam de ser preteridos pelos espertalhões. O resultado é um canteiro de obras cada vez mais difícil de ser gerenciado.
Empresas que arcam com todos os encargos estão perdendo para o mercado operários que chegam a ganhar entre R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 livres porque os mesmos preferem trabalhar para os “gatos” de quem recebem mais. Trata-se do melhor dos mundos, ganham bem trabalhando com o “gato” e na hora da dificuldade entram na justiça sabendo que a construtora que os contratou terá de ser solidária.
Basta de cobrir o sol com a peneira! Sindicatos laborais e empresariais, bons empresários e empregados devem estar atentos a este estado de coisas, pois, ao não se tratar logo os efeitos do “tiro no pé” a perna gangrena.
Sustentabilidade como tendencia
Matéria publicada no Valor de 30 de abril apresenta o novo predio do Ebay construido nos Estados Unidos com requintes de sustentabilidade, trata-se do “eBay Mint Building, localizado na sede da empresa de comércio eletrônico eBay, na Califórnia”.
Segundo a matéria “O eBay optou por adotar materiais recicláveis desde a fundação ao acabamento do edifício inaugurado em outubro de 2008 e certificado pelo Green Building Council com o selo Gold LEED como um edifício ‘verde’. O processo inclui o uso de aço 95% reciclado em sua fundação, tintas com menor teor de solventes orgânicos, carpetes e portas de madeira com uma média de 40% de materiais reciclados, bem como a escolha da mobília que usa materiais reciclados e processos de fabricação sustentáveis. A escolha de fornecedores da região também foi pensada para reduzir o impacto do transporte de materiais, o que continua ocorrendo, atualmente, com os suprimentos dos restaurantes do campus de San José.”
Nao fica só no que foi citado acima, “A redução do consumo de energia, além das emissões de carbono em 15%, é uma das principais metas das construções ‘verdes’ do eBay. As janelas de vidro duplo na fachada do Mint Building e espelhos d’água na entrada reduzem a transmissão de calor para os ambientes internos, dando folga ao ar condicionado. Internamente, sensores controlam a iluminação e as persianas, e desligam o ar condicionado em salas de reunião vazias, enquanto divisórias mais baixas colaboram com o aproveitamento da luz natural.”
Conservação de energia é o que pesa de fato e neste aspecto o projeto para ser exemplar , “Em um dos cinco andares do edifício nota-se que a iluminação fluorescente, característica dos escritórios, é menos intensa. Esse foi um dos efeitos da redução de potência de 19 mil lâmpadas e 7 mil reatores de todos os edifícios do eBay. O resultado foi uma economia de 40% no consumo de energia com iluminação, que se traduz em US$ 200 mil por ano. Na prática, a empresa observou que a iluminação muito intensa chega a incomodar os funcionários, que trabalham diante do brilho do monitor.”
Por fim a preocupação com energia limpa, tendencia verificada na Ecobuilding de Londres 2012 , “O projeto do eBay também envolve o uso de energia limpa, por meio de células de combustível instaladas no subsolo do Mint Building e painéis solares presentes no topo dos edifícios. “As células de combustível geram 50% da energia do edifício, enquanto a energia solar, em sua capacidade máxima, abastece 18% de todo o campus”, observa Lori Duvall, diretora de sustentabilidade do eBay.”
Nao basta ter um predio exemplarapenas,” A estratégia sustentável do eBay também exige a mudança de comportamento dos colaboradores. Hoje, 90% dos materiais descartados pelos funcionários são reaproveitados, com a ajuda de algumas medidas que colaboram com a conscientização ambiental. “Em cada mesa há dois cestos de lixo: um para recicláveis e outro para orgânicos”, conta Lori. Para jogar fora o que não é reciclável, cada um deve buscar uma das pequenas lixeiras localizadas em salas de reunião. O fato de os cestos serem menores em relação às lixeiras para recicláveis também é proposital. “A ideia é mostrar o quão pequena é a parte do lixo que realmente não podemos reciclar.”
Mesmo em países mais desenvolvidos como os Estados Unidos a utilizacao de materiais, processos construtivos, fontes de energia, lay out sustentáveis deve estar ainda restrita a grandes empreendimentos como este do Ebay. Na visita tecnica realizada à cidade de Londres(Meca da construcao sustentável?), embora tenhamos visto apenas mega obras emblemáticas , soubemos que há vários programas de apoio às pequenas obras tambem, as quais possuem inclusive certificacao especifica, mas no padrao “verde” tambem.
Na mesma edição do Valor de 30 de abril , em matéria do caderno ” pequenas e medias empresas” que tambem tratou de construcao “verde” , o veredicto cabal “A preocupação com o conceito de sustentabilidade em obras e projetos ainda não faz parte da agenda da maioria das pequenas e médias construtoras do Brasil. Quem garante é Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil (GBC), organização que fomenta a construção sustentável no país.”
“Apenas 2% das empresas adotam conceitos de sustentabilidade”, diz Casado. A maior parte das construtoras que abraçam ações “verdes” realiza gestão de resíduos nas obras, compra madeira certificada e faz uso adequado da água e da energia nos canteiros e projetos.”
Em seguida vaticina(meio que exagerando?)”Com o aumento da demanda e das exigências dos compradores, as construtoras que não se engajarem nesse movimento correm o risco de serem excluídas do mercado”, afirma.
De toda a forma a tendencia para ser mesmo crescente “De acordo com o GBC Brasil, o Brasil tem 40 empreendimentos que receberam o selo Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), concedido pela organização, depois de avaliar critérios como eficiência energética, uso adequado de materiais e recursos. Pelo menos 380 empreendimentos estão em busca do diploma. Desse total, 197 entraram com o pedido no ano passado, um crescimento de 140% em relação a 2010.”
Entendo que estas grandes obras servem mais para mostrar um caminho, todavia obras de menor porte podem adotar tambem medidas simples que em pouco oneram o orçamento e que , no entanto, se somadas impactam ate bem mais em favor do meio ambiente mais do que o conjunto de grandes obras. Estas medidas vão desde a compra de materiais ecológicos, sustentáveis e reciclados, passam por processos construtivos racionalizados e utilizacao de dispositivos economizadores de energia e água , hoje bem acessíveis financeiramente.
No próximo dia 10 de maio o SINDUSCON-DF estará organizando o Seminário “Durabilidade e vida útil: responsabilidades e impactos sobre projeto, construção e manutenção de edifícios”. Mais informações em http://www.sinduscondf.org.br/
Juntamente com isolamento térmico e acústico, é provável que durabilidade e vida útil das edificações tenham sido os temas mais controversos e mobilizadores da comunidade da construção civil brasileira durante o processo de aprovação e posterior revisão da NBR 15575, Norma de desempenho das edificações.
O conceito de vida útil de uma edificação extrapola o conceito técnico formal, não é exato, lógico ou matemático como quase tudo que estamos acostumados a lidar na engenharia, envolve certa dose de abstração e disto tudo é que surge a dificuldade de compreensão. Para complicar há um forte viés jurídico em torno do tema, que vai permear a relação entre construtora e cliente por toda a vida, verhttp://paraconstruir.wordpress.com/2012/04/29/nada-e-tao-ruim-que-nao-possa-piorar/ .
Neste sentido o seminário em questão, que conta com a curadoria técnica da professora doutora Maria Angélica Corvelo Silva, diretora da NGI consultoria, será uma oportunidade e tanto para quem deseja aprofundar o conhecimento acerca do assunto.
Começa com palestra do professor Vanderley John da escola politécnica da USP que discorrerá sobre a definição propriamente dita da matéria tema do seminário.
Em seguida consultor e diretor técnicos da Gerdau e Saint Gobain, Fabio Pannoni e Paul Houang respectivamente, tratarão de materiais utilizados na construção e os impactos sobre a durabilidade da construção.
O professor da UFRGS Luis Carlos Pinto da Silva Filho tratará de aspectos relacionados a projeto das edificações, uso e manutenção e a importância dos mesmos na durabilidade e vida útil do empreendimento.
Para conclusão a engenheira Vera Hachich tratará da responsabilidade que tem a indústria de materiais e a interação da mesma com projetistas na formatação de sistemas construtivos que contribuam para o aumento da vida útil e durabilidade das edificações.
A programação do evento se assemelha a uma corrente formada por diversos elos que devem trabalhar de forma interligada para o sucesso do empreendimento; projetistas, fabricantes e academia trabalhando de forma integrada de forma a fornecer a quem constrói uma boa alternativa técnica e de qualidade. Talvez não seja mera coincidência o fato de que a nova Norma de Desempenho tenha de certa maneira este formato.
Dentre tantas boas noticias que traz a nova Norma de desempenho a melhor de todas é que ela deixa claro definitivamente que a edificação ou empreendimento não começa com seu gabarito ou com suas fundações e nem termina com a entrega das chaves. Ela começa com o projeto, se torna realidade através da obra propriamente dita e prossegue por anos, décadas, quiçá séculos, com base no uso e manutenção do edifício. Portanto cada qual dos intervenientes no processo; projetistas, construtores e moradores terão de arcar com sua carga de responsabilidade do contrário além de difíceis de entender os termos “vida útil” e “durabilidade” serão impossíveis de atingir.
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