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O BIM e o Caos

Do evento de hoje, 23/10, que  tratou dos primeiros passos em BIM , algumas importantes constatações que considero interessante expandir;

A indagação do professor Ricardo Mendes Jr, ainda no início de carreira profissional, acerca de como no meio do caos que é uma obra conseguimos entregar uma obra no prazo sem a ajuda de nenhum software sofisticado. Resolver tal dilema levou-lhe ao exterior para aprofundar conhecimento em engenharia de produção área que segue até agora. Mas de fato como é que conseguimos? Precisa mesmo de um  MS Project, ou bom senso, raciocínio e responsabilidade já não seria o bastante.

Um empresário participante do evento ajudou a desenrolar o fio da meada. Na sua empresa o processo de obtenção das informações já flui bem, recebe do projetista desenhos com as informações em 2D, repassa-os ao orçamentista que por sua vez entrega planilhas detalhadas de composição e custos, neste caso, se vir a adotar o BIM terá boas chances de ser feliz, pois seu fluxo de obtenção de informações já funciona da forma correta, o BIM só viria a agregar valor, e muito, ao que já é bom.

Parece simples , mas a história acima serve para ilustrarmos a maneira  errada de se optar pelo BIM ou qualquer outra ferramenta com potencial de ajudar a empresa a aprimorar o processo de gestão, se o fluxo de obtenção de informações é falho não será o BIM que o consertará. E por falar nisto, um esclarecimento necessário que tivemos no encontro é que o BIM ” é uma solução para informação e não para projeto”, neste sentido é como se fosse uma plataforma onde todos os envolvidos no projeto, construtor, fabricante e projetista, podem e devem interagir para dele obter o máximo possível, é ativo e não passivo como um projeto em CAD, desta forma uma construtora que opte em trilhar por este caminho terá de fato de investir em um “kit básico”, o cuidado a se tomar é o de  não caír nas mãos de aproveitadores ou de meros vendedores de programa.

Uma coisa que pensei quando o palestrante Bruno Mota apresentou o slide da interação necessária entre construtor, fabricante e projetista no universo BIM é que o sucesso da Norma de Desempenho NBR 15575 passa fundamentalmente pela mesma interação, coisa boa atrai coisa boa…

Mas como é que é mesmo que conseguimos entregar uma obra no prazo em meio ao caos? O professor não respondeu, respondamos cada um de nós então.

Norberto Odebrecht

Em julho deste ano morreu outra grande figura da Construção Civil Brasileira , o Engenheiro e empresário Norberto Odebrecht fundador do grupo Odebrecht e era para tê-lo homenageado aqui no blog , mas acabou passando, corrijo agora.

Uma vez a Odebrecht foi convidada a falar da sobre contratação de fornecedores em um evento direcionado a pequenas empresas no Sinduscon DF, gostei da forma com que se portaram e desde então sempre os convido a palestrar quando julgo ser   agregante a participação da empresas, fora isto passou a ser uma das empresas que sempre ajuda nos projetos desenvolvidos na comissão.

Para o XII Fórum Técnico, que neste ano será realizado em 05 de novembro ´de 2014 e  tratará do “legado técnico das obras dos estádios para a construção civil brasileira” , convidei-os  pela razão óbvia de terem executado alguns e depois de nos pedir um prazo para verificar quem seria a pessoa adequada a tratar do assunto o gerente comercial do grupo, Sr Luiz Gadelha, enviou um email em 07 de outubro lamentando não poder indicar ninguém desta vez , mas se colocando a disposição para qualquer eventualidade. Fiquei em dúvida se me respondia que na falta de outra pessoa ele iria , ou se declinava do convite desta vez e pedi a minha assessora que checasse com ele a posição assumida, que por fim era a de desistência mesmo.Dúvida sanada não me dei ao trabalho de responder o email, mas no dia 21 de outubro recebo uma ligação do referido gerente perguntando se havia recebido sua mensagem e mais uma vez se justificando, agora pessoalmente, por não poder nos ajudar na referida ocasião.

Duas semanas após não ter obtido retorno de minha parte o gerente comercial da Odebrecht , com todas as atribulações que tem, entra em contato para se justificar. Gostei do respeito demonstrado e na mesma hora pensei no tanto que o banco do qual sou correntista gasta em horário nobre tentando  forjar uma imagem, que lá na ponta seu gerente teima em queimar.

Exemplo que preocupa.

Já repercutimos algumas matérias envolvendo o consórcio Inframérica , vencedor da concorrência para gestão dos aeroportos das cidades de Brasília e São Gonçalo do Amarante no Rio Grande do Norte,aqui no blog; a preocupação das grandes empreiteiras com a vitória de um consórcio tido como pequeno para tamanho desafio, a entrega da obra no prazo determinado , os problemas do pós obra, quem tiver interesse é só digitar a palavra chave.
Neste sábado , 18/10, o Estadao publicou matéria na qual informa que o consórcio está inadimplente em quantia superior a R$ 70 milhões de reais com uma série de fornecedores que prestaram serviços num e noutro aeroporto, a situação parece ser grave e já há mais de 40 pendências comerciais e 200 protestos de títulos no cadastro do Serasa Experian. O consórcio informa que a dívida é real , mas mínima em relação ao montante desembolsado, mais de R$1,5 bilhão de reais , para dar conta do prazo. Explica, mas não justifica…
Não justifica porque , em primeiro lugar conseguiu financiamento superior a R$ 1,1 bilhões de reais junto ao BNDES, em segundo lugar este pouco significa muito para os prestadores de serviços , 32 empresas do Rio Grande do Norte estão passando por dificuldades financeiras , que tiveram de se esforçar também para ajudar o consórcio a dar conta do recado, segundo a matéria houve uma reunião entre as partes ainda no decorrer das obras e o consórcio pediu , e obteve, um voto de confiança dos empreiteiros , mas para a sociedade o que pega mais é o terceiro lugar…
O terceiro lugar tem a ver com o fato de nestes últimos dez anos a economia brasileira ter sido pródiga em deixar bem mais ricas as grandes empreiteiras nacionais o que aumentou bastante o fosso entre este grupo e o das pequenas e médias ,as quais por sua vez têm chiado bastante com a perda cada vez maior de espaço nas concorrências públicas de destaque , há bom exemplos de soluções criativas como a formação do consórcio Planalto para vencer a licitação da BR 050 (tem post aqui sobre o tema), mas a realidade que se impõe é que um estado paradoxalmente cada vez mais pobre vai se tornando cada vez mais dependente dos serviços prestados pelas ricas empreiteiras, até projetos estão sendo solicitados.
A dificuldade enfrentada no momento pelo consórcio Inframérica serve para reforçar aquela história ” Não disse…”, e o outro ” Pois é…”

Entenda um tanto mais sobre Monopólio e Oligopólio , mas somente se consegue ler em Francês .

Na última terça feira os jornais repercutiram a escolha do francês Jean Tirole para o prêmio Nobel de Economia em virtude do trabalho desenvolvido para explicar a poder das empresas , e como enfrentá-lo, em mercados monopolizados ou oligopolizados, o que nos remete , em se tratando do nosso setor, a pensar em aço e cimento.
Por tudo que li nos jornais parece ser muito interessante o trabalho do economista que estudou, ou estuda, casos envolvendo a telefonia, cartões de crédito, empresas como o Google , seus trabalhos têm ajudado governos do mundo todo a estabelecer limites ao eventual controle praticado pelas empresas sem ferir de morte o processo de concorrência , pelo que entendi a questão vai além da solução simplista de “mais competidores ,mais concorrência”, há muitos outros fatores em jogo.
Trazendo ao nosso mundo , é difícil imaginar que no caso do aço contaremos no curto ou médio prazo com uma dezena de fornecedores de qualidade sediados aqui no Brasil, por outro lado já temos algo em torno de dezenas de cimenteiras e nem por isto os preços estão tão diferentes dos praticados a uma dezena de anos atrás , qual a importância de se regular um mercado poderoso como estes citados? Unicamente garantir preços competitivos para as construtoras ? O domínio pode ser impingido de outras maneiras, por exemplo, no caso do cimento (e não que eu queira dizer que isto tenha ocorrido), uma eventual aprovação de Norma Técnica que promova o aumento de consumo do aglomerante sem qualquer justificativa técnica faria toda a diferença em favor da indústria .
Gostaria de ler o tal trabalho determinante para sua escolha ao prêmio ,mas no Brasil não há nada publicado, aliás, o ganhador do Nobel de literatura neste ano também é Francês , Patrick Modiano, e se quisermos encontrar algum livro dele traduzido para o Português temos que nos dirigir a algum sebo literário, ainda os temos em Brasília ?
Em tempo , Cooperativas de compras são opções criativas e já existentes que podem nos ajudar a ” furar” o tal poder.

Feliz dia do professor

José Eduardo Moreira dava aula de Obras de Terra, optativa e aos sábados, portanto longe de ser uma campeã de audiência , o que nos motivava a nela nos matricularmos era a fama de professor diferenciado, isto e o estágio de hum mês com todas as despesas pagas numa barragem na região Norte ao qual tinham direito os detentores das duas melhores notas ao final do curso.
Foi a única matéria na universidade na qual me dediquei de coração (aço e madeira não conta pois era vida ou morte), e acabei ganhando o direito de passar trinta dias trabalhando no canteiro da famigerada UHE de Balbina no sul do estado do Pará, uma experiência maravilhosa, já a mais de três décadas atrás tinha contato com um Sistema de Gestão da Qualidade perfeito, de uma obra perfeita , gostei tanto que depois de formado trabalhei por mais um ano na área, mas em escritório, véspera da derrocada da economia brasileira que levou ao desmantelamento geral de um dos setores da engenharia nacional mais evoluídos e referência no mundo…
Mas voltando ao Moreira , era mesmo diferenciado , nos colocava para pensar, não havia certo e errado, até hoje não esqueço ele mostrando fotos da construção de uma barragem na Índia em que a população carregava as pedras na mão para execução do Rip-Rap do talude , ” como executar a obra numa região miserável sem dar função para a população indigente?” , não era só a questão da produtividade que contava , havia (sempre há), muito mais a ser avaliado. Uma vez perguntei a ele sobre o porquê de não nos dedicarmos mais a aprender sobre a construção de pequenas barragens em vez das colossais, tipo Itaipu e Tucurui, e ele retrucou ” quem consegue fazer o grande dá conta de fazer o pequeno , o contrário não é verdadeiro” .
Ele foi o coordenador do projeto final do meu grupo e na ocasião me emprestou um livro que acabou ficando comigo para sempre , ele tinha (deve ter ainda) a mania de grifar as linhas relevantes daquilo que lia e ao término da marcação graduava a importância do trecho com uma a quatro exclamações, quanto mais exclamações mais importante.
Baita professor o Moreira, tenho aqui guardado todo o material utilizado na cadeira de Solos na Universidade, do conteúdo técnico não lembro de nada, mas destes pequenos conselhos , toques, observações … jamais esqueci.
Hoje é dia do professor e acho que tem tudo a ver com a vida da gente a charge publicada no perfil do facebook de minha esposa Gicelene, também ela professora…
Feliz daquele que tem uma boa história sobre professor para contar.

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Pobreza de projeto – Ciclovia

O que nos impede de termos aqui no Brasil uma ciclovia nos moldes desta da cidade de Sevilha publicada no perfil de facebook do amigo Gabriel Marinho?
Construíram a pouco tempo no bairro em que moro uma faixa exclusiva para bicicletas, que também é utilizada por pedestres, cachorros, carrinhos de bebê e aqui e acolá até por automóveis. Sociologicamente tal atitude dos cidadãos pode nos ajudar a compreender porque não conseguimos chegar lá.
É faixa para bicicleta e não ciclovia porque preponderantemente é utilizada para lazer, em que pese muitos cidadãos que utilizam bicicleta como veículo de locomoção para o trabalho ou para condução de filhos à escola utilizarem o percurso.
Porque não concluíram a ligação da tal faixa à cidade satélite do Núcleo Bandeirante, ali perto, o que pouparia aqueles que precisam da ciclovia por necessidade de transitarem um bom trecho na terra? Uma linha de trem que corta o bairro que moro, o Park Way, e a cidade satélite não seria um empecilho pois poderiam fazer uma ponte pequena e em arco , na minha opinião o que inviabiliza a ideia é o fato de motociclistas , e até os tais automóveis que já vi na faixa atual, passarem a utilizar a ciclovia como atalho, uma pena.
Todos os sábados faço uma corrida com minha bicicleta pela faixa, cerca de 10 km e percebo que com menos de um ano de existência a obra já começa a apresentar patologias , que em breve condenará trechos da mesma. Cobrei de um dos candidatos a governador de Brasilia que esteve apresentando propostas no Sinduscon DF que tipo de manutenção recomendaria para tais obras, mas nem ele , nem qualquer um dos outros quatro candidatos que por lá passaram demonstraram possuir uma política objetiva para o importante tema de manutenção de obras públicas, pequenas ou grandes, uma lástima.
No geral , o poder público parece não dispor de projetos inovadores e completos o suficientes para minimizar os impactos da falta de infraestrutura urbana .
Até hoje não esqueço a resposta do então secretário de obras de Brasília ao repórter de uma rádio quando indagado sobre o porquê de não inserir também uma ciclovia à obra do VLP ,na época iniciando, que ligaria as cidades satélites do Gama e Santa Maria ao centro de Brasília, cerca de 40km de extensão . Sua resposta foi ser o projeto de ciclovia bastante específico o que requereria outro tipo de tratamento , mas sinceramente , analisando a foto em anexo , não vejo tanta especificidade assim que justifique termos perdido a possibilidade de arriscar.

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Dois comentários do professor João da Rocha Lima.

Duas matérias distintas sobre mercado imobiliário que contam com o comentário de João da Rocha Lima , o que valida bastante a criação de um  post.

O primeiro depoimento foi para matéria publicada no Estadão de 08 de setembro que trata da centenária construtora Thá , cujo controle acionário foi adquirido pelo megainvestidor Americano Sam Zell em 2012 que hoje detém, através do fundo Equity Investment,95% da empresa. O tema da matéria é o novo aporte financeiro que será feito para possibilitar a expansão da incorporadora pela região sul, de lá não querem passar , pois sabem da dificuldade que é ser forasteiro na construção imobiliária, não querem reprisar o fiasco que foi a aventura das megaincorporadoras  logo após a abertura de capital e neste momento passam a palavra ao professor  “A característica do mercado imobiliário é de natureza regional no mundo todo. Não dá pra achar que só com dinheiro e projetos é possível lançar um empreendimento em qualquer lugar do País”, disse o professor de Real Estate da USP, João da Rocha Lima. Pronto, falou quem sabe, próximo..

O próximo e curioso artigo veio da Folha de 09 de setembro e trata dos tais bitcoins, moeda virtual só “encontrada” na internet, que passam a ser aceitos pela Tecnisa até o limite máximo de R$ 100 mil reais e exclusivamente na parcela de entrada. Confesso que foi a primeira vez na vida que gastei meu tempo lendo uma matéria envolvendo a tal moeda como personagem, era curta.A incorporadora é “famosa” por investir em campanhas inusitadas , diferencial num segmento bastante conservador, na matéria o diretor de marketing da empresa, Romeo Busarello, informa que 41% do faturamento da empresa vem das vendas on line inauguradas no ano de 2001, enfim , indagado pela matéria sobre a nova ação da incorporadora , eis o comentário do professor ” A estratégia serve de marketing”. Ponto.

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