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Bom , barato , e se puder , também sustentável.

No caderno Inovação publicado pelo Valor em 26 de agosto uma leva de produtos sustentáveis que de fato representam evolução.
Segundo a matéria “os consumidores estão interessados em adquiri-los , desde que os preços negociados no mercado sejam equiparáveis aos dos produtos convencionais.”
Aí fica fácil, não basta mais ser bom e barato ,tem que ser bom , barato e sustentável. Uma das características básicas da construção civil brasileira é a preferência generalizada ao barato, em muitos casos abrindo-se mão inclusive da conformidade às Normas Técnicas, refiro-me tanto a construturas quanto aos consumidores de varejo.
A matéria prossegue fazendo graça ” os fornecedores garantem ter conseguido “, num país em que marcas importantes são obrigadas a criar segunda, terceira e quarta linha para lutar contra fábricas de fundo de quintal? Porque não nos vendem então a linha Top pelo preço da do concorrente mais barato e que também tem produto certificado?
Um prêmio ao candidato que trouxer no prazo de 48 hs nota fiscal que comprove que a lista de cabos elétricos da obra seja de uma das duas marcas utilizadas até há alguns anos atrás como referência padrão.
Há no mercado brasileiro mais de duzentos e cinqüenta fabricantes de loucas ou metais, como se sustentam ?Quantos construtores visitam o site do Programa Setorial de Qualidade (PSQ) antes de especificar material ? Quantos lojistas dominam o tema para bem esclarecer o cliente que atende no balcão ?
Reclamamos que o governo contrata mal porque na maioria das vezes o faz exclusivamente pelo mais barato , mas mesmo quando pode , o construtor escolhe o prestador de serviço mais capacitado ? E na eventualidade de contratá-lo o faz sem exigir que o mesmo “empate” seu preço com o do concorrente mais em conta? E quem constroi o seu imóvel próprio dispensando engenheiro se preocupa em checar se a mão de obra é formal? Lembro que comemoramos a pouco o fato de termos rompido a barreira de 50% de formalidade no setor da construção civil, é de rir ou chorar ?
Enquanto pudermos encontrar desculpas externas pela fraqueza do setor (burocracia, baixo investimento e até falhas na metodologia de medição por parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE) vamos levando, duro mesmo será o dia em que o Brasil precisar do setor da construção civil para ajudar o país a tornar a crescer e descobrir que queimamos toda a gordura armazenada e não estamos preparados para a fase que exige tecnologia, capacitação , e , principalmente, consciência cidadã.

ΦΩΝΕΣ (VOZES)

” ao meu irmão que nesta semana me visitou em sonho”
” Για τον αδερφό μου που αυτή την ευδομαδα επισκέφθηκε εμένα στον όνειρο μου”
ΦΩΝΕΣ

Κονςταντινος Καυαφις

Ιδανικές φωνές κι αγαπημένες
Εκείνον που πέθαναν , ν εκείνον που είναι
Υια μας χαμένοι σαν τους πεθαμένος

Κάποτε μές στα όνειρα μας ομιλούνε
Κάποτε μές στην σκέψη τις ακούει το μιαλο

Και με τον νέο των Υια μια στιγμή επιστρέφουν
Ήχοι από την προτη ποίηση της ζωής μας
Σα μουσική , την νύχτα , μακρινή , που σβήνει

VOZES

Constantinos Kavafis

Vozes ideais e amáveis
Daqueles que morreram , ou daqueles que estão
Para nós desaparecidos como os mortos

Algumas vezes nos sonhos falam conosco
Algumas vezes dentro do pensamento a cabeça os escuta

E seus sons por um momento retornam
Sons das primeiras poesias de nossas vidas
Como música , a noite ,ao longe , se apaga

Antonio Ermirio de Moraes

Nos jornais de 26 de agosto a repercussão da morte do empresário Antonio Ermirio de Moraes.
Se fôssemos perguntados acerca de uma marca relacionada à construção civil brasileira é provável que Votorantim seria a mais lembrada.
Embora hoje não goze do destaque de outrora , é importante que se diga que apenas no que diz respeito à cimento trata-se da sétima maior empresa do mundo, cimento que, surfando na maré de alta dos últimos anos da construção civil brasileira foi o responsável por manter a holding no azul , o mesmo cimento que neste ano tornou-se uma baita dor de cabeça para o grupo após a condenação bilionária imposta pelo CADE a um grupo de sete empresas lideradas pela Votorantim.
Em tempos que a biografia de gente aventureira se transforma em best seller é importante frisar que existiu um homem no Brasil que entre a construção de uma fábrica e outra encontrava tempo para dirigir um dos hospitais de referência do país , onde mais da metade dos atendimentos eram direcionados a pacientes do SUS.
Acredito sinceramente que gente como Antônio Ermirio de Moraes esteja tão fora de moda hoje em dia , como dizem sempre estiveram seus ternos no passado, pena para o país.
Procurei no dia 27 de agosto um daqueles artigos definitivos , um tanto sentimentais, redigidos por alguém de peso que o conheceu , mas nada.
Havia sim o paradoxo do mundo de hoje, mais uma fusão bilionária ( US$) entre franquias , daquelas que envolvem gente que analisa indicadores para chegar a conclusão de que a melhor saída é cortar custos para melhorar o EBTIDA , a alquimia financeira que serviu para criar gigantes de pé de barro na construção civil brasileira.
Muito para o acionista e pouco para a sociedade…
…O senhor irá fazer falta .

P.S Na folha de 31 de agosto um bonito texto de Horácio Lafer Piva sobre Antônio Ermirio

Agenda Velha II

No caderno especial do Valor Construção Sustentável ,publicado em 26 de agosto , o depoimento do diretor executivo de certificação Aqua-HQE, Manuel Carlos Reis Martins, ” Planejar antes de projetar e construir é uma das exigências da Aqua-HQE”.
Levado ao pé da letra poderíamos perguntar “_Mas apenas no caso de certificação verde tal pressuposto deve ser levado em conta ?” Planejar um projeto não deve ser essencial em qualquer caso? Não deve ser esta uma máxima aprendida desde os bancos da Faculdade?
O que deve ser encarado como prioritário ainda hoje em dia não é o certificado que obterá a sua obra , mas construí-la com técnica e qualidade, tanto faz que no sistema convencional ou no inovador.
Invertemos as prioridades , poluímos a cabeça do novo profissional com todo o tipo de novidades e descuidamos da formação básica. Se ele não souber orçar comprará muito mais material que o necessário , seja ele sustentável ou não, se não souber planejar estourará o prazo e é inacreditável pensar que o trivial ou básico se torne requisito essencial para uma certificação , que a despeito do que se divulga ,ainda é acessório.

Heal the World

Você tem uma música para lembrar de uma pessoa que você ama? Normalmente isto tem mais a ver com a parceira ou o parceiro, mas a música que elejo agora para lembrar de meu irmão é esta “Heal the World” do Michael Jackson, vou sempre lembrar dele quando estiver ouvindo uma boa música ou lendo um bom livro, no caso da música foi determinante suas dicas para que conhecesse uma gama de bons artistas, gente que quando ouço hoje me reporta a ele na hora.
Michael Jackson eu já conhecia quando viajei para França em 1998 durante a Copa do Mundo. Meu irmão havia ganho este “brindão ” do Banco do Brasil e me repassou e durante a viagem de duas semanas havia o motorista do ônibus que sempre punha para tocar um CD gravado por ele com uma série de músicas muito lindas, eu adora escutar, aquelas que ele achava mais legais ele gravava mais de uma vez em diversas posições do disco, esta do Michael Jackson ele repetiu três vezes, era a que eu mais gostava e o engraçado é que eu não percebia que era dele. Pois bem , tanto enchi o saco do motorista que ele me deu de presente o disco que guardo até hoje.
Guardo aquele e outros que meu irmão gravava e me presenteava; 10.000 Maniacs, Everything but the girl, New order…
Nesta semana o Birola (O músico Sergio Galvão) , que nos reencontrou através do facebook ao tomar conhecimento da morte de meu irmão, me procurou oferecendo em homenagem a meu irmão, nossa amizade e nossa família justamente a música “Heal the World” só que magistralmente tocada por ele no saxfone, ao ouvir na hora me reportei àquele ano, que juntamente com 1984 e 2014 foram os anos que mais me marcaram e se 1998 me marcou tanto foi muito devido à generosidade de meu irmão, que de resto sempre foi generoso com todo mundo.
Gratíssimo Birola !!! Gente boa , estou vendo aqui ele sorrindo e te agradecendo pela boa lembrança.

There are ways to get there
If you care enough for the living
Make a little space
Make a better place

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race

Agenda Velha

O engenheiro Roberto de Souza , diretor geral do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), perguntado sobre a queda de qualidade na técnica no exercício da profissão de engenharia cita a necessidade do profissional se dedicar a uma agenda velha e a uma nova.
Quanto à nova nem é necessário se alongar, BIM, coordenação de projetos, Norma de Desempenho, Lean Construction e tantas outras novidades ,que por mal compreendidas , acredita a maioria no nosso setor que vieram para a facilitar a vida do engenheiro. Crasso engano pois o que adianta , melhor , como dominar tais inovações se nos falta a base ? Qual base? A citada por Roberto de Souza na palestra; orçamento , planilha de custos, planejamento e controle de custos , enfim o beabá.
Estava reorganizando a estante e me chamou a atenção a quantidade de livros afeitos ao tema que existiam a 15 ou mais anos atrás, acredito que boa parte já tenha saído de circulação afinal alguns deles consistiam apenas de exemplos de boas planilhas e tabelas para utilização pelo engenheiro que queria de fato controlar o canteiro de obras. Hoje, com tantos programas à disposição é capaz que poucos deem a atenção necessária a estas planilhas .
No Projeto Indicadores do Concreto , http://www.projetoconcreto.com.br, desenvolvido pelo Sinduscon-DF , a base das informações são duas planilhas em Excel e despeito da colaboração de muitos profissionais não é raro termos de deslocar um estagiário para o canteiro de obras para que faça o preenchimento da planilha. Em minha opinião quando o responsável pelo canteiro dedica um pouco de seu tempo a este tipo de conferência está atuando a favor da segurança técnica da obra afinal tal procedimento não deixa de funcionar como uma espécie de diário de obras ou “redação relatório” acerca de tudo o que aconteceu , no caso durante o processo de concretagem. Ao escrever o profissional atua e se atua aprende e se aprende melhora seu desempenho.
Fico pensando se no caso do viaduto que caiu em B.H , se de fato ficar comprovada o erro no registro da quantidade correta de armação, o quanto um procedimento básico de sentar e pensar terá feito falta.
Inovações como as citadas no inicio do post vieram de fato para ajudar na melhoria da qualidade de nossas obras, mas ” ajudar” e não ” fazer” pelo engenheiro.

IMG_1761.JPG

…e outra notícia, ainda pior.

Matéria publicada pelo Valor de 15 de agosto dá destaque a trabalho divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) , de autoria de Andrew Warner que em síntese põe abaixo a tese de que investimento público em infraestrutura alavanca crescimento econômico. Para chegar a tal conclusão o estudioso analisou dados de 124 países.
Pior é que , nos casos de países de baixa e média renda se percebeu foi o inverso, cai o crescimento depois de grandes gastos em infraestrutura , provavelmente porque o estado endividado tem que se ver com o rombo gerado e fica sem caixa para continuar investindo.
Segundo a matéria , ” o estudo de casos mostra que na maioria das vezes esses ciclos de investimento são financiados com a emissão de dívida e embasados em estudos técnicos pobres, que falham na determinação de custos e prazos, no momento em que foram eleitos. Além disso, esses projetos mostram problemas de incentivos ou foram cooptados por grupos de interesse. O estudo também mostra que ao investir grandes somas, o setor público acaba afastando o investimento privado, fenômeno conhecido como “crowding out”.
Os grifos são meus. Porque é que ao lermos o trecho acima ficamos com a impressão de que o enredo seja familiar?

O estudo completo está disponível em ” imf.org/external/pubs/ft/wp/2014/wp14148.pdf

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